Projeto de lei propõe afastamento de agressores no serviço público durante medidas protetivas

A proposta foi aprovada em dezembro pela Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados

O Liberal
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Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe mudanças na Lei Maria da Penha para garantir maior proteção a mulheres vítimas de violência doméstica que atuam no serviço público. A proposta busca afastar o agressor do convívio da vítima em situações em que ambos trabalham no mesmo órgão ou quando a mulher precisa frequentar o local por motivos profissionais.

O Projeto de Lei nº 3.396/2024, de autoria da deputada Camila Jara (PT-MS), determina que a administração pública promova a movimentação funcional do agressor enquanto durar a medida protetiva. Essa movimentação pode ocorrer por meio de remoção, redistribuição, cessão ou requisição do servidor, com o objetivo de preservar a segurança da vítima.

Caso não seja possível realizar essa mudança, seja por falta de vagas ou por necessidade do serviço, o texto prevê a adoção do trabalho remoto. Nessa situação, caberá à vítima decidir se ela ou o agressor exercerá as atividades à distância.

A proposta foi aprovada em dezembro pela Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, com parecer favorável da relatora, deputada Delegada Ione (Avante-MG). O substitutivo aprovado ampliou o alcance do projeto, que inicialmente se aplicava apenas a servidores públicos federais, passando a abranger todas as esferas da administração pública.

Além disso, o novo texto substituiu o termo “remoção” por “movimentação”, incluiu o regime de trabalho remoto como alternativa, estendeu as medidas protetivas a familiares próximos da vítima e proibiu qualquer relação de chefia entre agressor e vítima, inclusive em casos de teletrabalho. O projeto também estabelece que as decisões devem priorizar o interesse da mulher, sem desconsiderar o interesse público.

O projeto ainda será analisado pelas comissões de Defesa dos Direitos da Mulher e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para se tornar lei, a proposta precisa ser aprovada tanto pela Câmara dos Deputados quanto pelo Senado Federal.

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