Ponte na Transamazônica entre PA e TO tem interdição anunciada, mas tráfego segue, dizem motoristas
DNIT fala em bloqueio total para inspeção estrutural na travessia sobre o Rio Araguaia; situação no local ainda é incerta
A travessia sobre o rio Araguaia, na BR-230 (Transamazônica), entre Palestina do Pará (PA) e Araguatins (TO), entrou no centro de um impasse nesta segunda-feira (20). O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) informou à imprensa que determinou a interdição total da ponte, mas relatos de motoristas indicam que o tráfego seguia ocorrendo normalmente ao longo do dia. As informações são do Correio de Carajás.
Segundo o órgão federal, a medida é preventiva e tem como objetivo garantir a segurança dos usuários durante a realização de uma inspeção técnica detalhada na estrutura. Equipes especializadas atuam no local desde o dia 14 de abril, realizando ensaios e levantamentos para avaliar as condições da ponte.
O DNIT afirma que o bloqueio não tem prazo definido e deve permanecer até a conclusão dos estudos. No entanto, a informação não foi confirmada de imediato pelo escritório regional do órgão em Marabá, que inicialmente disse desconhecer a interdição total. Posteriormente, a unidade reconheceu que a decisão está sendo conduzida pela sede em Brasília, com apoio técnico da equipe do Tocantins.
A possibilidade de fechamento completo intensifica uma situação que já vinha se agravando. Desde o início de março, a ponte opera com restrições severas de carga, limitando a circulação a veículos com até seis eixos, peso máximo de 8,5 toneladas por eixo e até 53 toneladas no total. O tráfego de cargas especiais já havia sido proibido.
As restrições foram adotadas após laudos preliminares apontarem comprometimento estrutural. Entre os problemas identificados estão a redução da rigidez da ponte, estimada em cerca de 8% abaixo do previsto, além de sinais de deterioração, como desgaste do concreto e exposição das armaduras metálicas.
Inaugurada em outubro de 2010, a ponte tem aproximadamente 900 metros de extensão e custou cerca de R$ 71 milhões. Considerada estratégica para a integração entre Pará e Tocantins, a estrutura substituiu o antigo sistema de balsas e passou a ser um dos principais corredores logísticos da região.
Quinze anos depois, a possibilidade de interdição total levanta dúvidas sobre a qualidade da obra e a manutenção realizada ao longo do tempo.
Rotas alternativas
Diante do cenário, o DNIT orienta que motoristas utilizem caminhos alternativos para evitar a travessia:
- Pela BR-153, com passagem pela ponte entre Xambioá (TO) e São Geraldo do Araguaia (PA), considerada a principal rota;
- Pela BR-230 até Buriti do Tocantins, com travessia por balsa e trechos sem pavimentação;
- Pela região de Esperantina (TO), também com travessia fluvial;
- Pelo Maranhão, via Imperatriz, em trajeto totalmente asfaltado.
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