FALSO: Bolsonaro votou contra a profissão de intérprete de Libras

Presidente não contrariou a esposa no passado apenas para brigar com a deputada petista Maria do Rosário

Após o discurso na Língua Brasileiras de Sinais (Libras), da primeira-dama Michelle Bolsonaro, muitos opositores ao presidente espalharam uma notícia falsa: que Jair Bolsonaro havia votado contra o projeto que reconhecia a profissão de intérprete da Libras. Uma checagem feita pela Lupa comprovou que isso nunca ocorreu. Tudo foi para desqualificar o presidente. Mas há outros desdobramentos dessa história.

O projeto que reconhecia, oficialmente, a profissão de intérprete da Libras era da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS). A deputada petista é uma inimiga política do presidente. Sempre criticou os discursos e ações de Bolsonaro enquanto ele também era deputado federal. O capitão, em resposta, ofendeu a deputada várias vezes, chegando a agressões verbais graves e ameaças. Numa delas, disse que não iria estuprá-la "porque não merece". Disse isso duas vezes. E a chamou de "vagabunda". O atual presidente foi processado por apologia ao estupro, mas inocentado.

Com essa briga que partiu do âmbito político para o pessoal, os autores da notícia falsa levaram várias pessoas a acreditar que Bolsonaro havia recusado o projeto apenas porque era da deputada petista. Ainda que fosse incoerente da parte do presidente com a própria esposa. O discurso da mensagem falsa era justamente esse: provocar uma crítica por incoerência. Por sinal, Maria do Rosário até alogiou a atitude de Michelle Bolsonaro.

Como checou a Agência Lupa, o projeto de lei nº 4763/2004, que regulamenta a profissão de tradutor ou intérprete da Libras, de autoria de Maria de Rosário, foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), em 10 de dezembro de 2009. Foi em caráter terminativo, o que significa que não precisou passar pelo Plenário da Câmara. O projeto seguiu para tramitação no Senado e, em 1º de setembro de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou a lei, com veto parcial.

Bolsonaro, em 2009, filiado ao PP na época, era suplente da CCJ da Câmara. Ele estava na reunião que discutiu a proposta de Maria do Rosário. O projeto que regulamentou a profissão de intérprete da Libras foi aprovado sem discussão e por unanimidade. Não houve votos contrários, nem mesmo de Bolsonaro. Está na ata da sessão, consultada pela Lupa. Claro que isso não isenta o presidente do discurso ofensivo à deputada.

Já na gestão de Bolsonaro como presidente, o ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodrigues, também foi alvo de uma informação desencontrada. Ele extinguiu a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) e algumas pessoas associaram a medida como outra forma de prejudicar pessoas com deficiência, ligada à forma de política de Bolsonaro.

Porém, a medida do ministro tinha outros objetivos mais alinhados à ideologia do atual governo, como eliminar "doutrinas socialistas" "marxismo", "ideologia de gênero" e "coitadismo" do ambiente escolar. Termos que todo o corpo do governo atual repete com frequência, mas nunca comprovados, explicados ou exemplificados. Educadores e pesquisadores, de fato atuantes na educação brasileira, criticam esses termos por sempre desviarem o foco dos reais problemas da educação.

Vélez Rodrigues, no discurso de posse, garantiu que pessoas com deficiência teriam atendimento especializado e seriam plenamente incluídas nas políticas de educação. E espera-se, pelos posicionamentos da primeira-dama Michelle Bolsonaro, que essas políticas realmente sejam executadas.

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