Ariranha é incluída em lista mundial de espécies ameaçadas de extinção
Espécie ameaçada da Amazônia e Pantanal foi incluída na COP15, com previsão de ações internacionais coordenadas para conservação
A ariranha, considerada a maior espécie de lontra do mundo, passou a integrar a lista de animais migratórios ameaçados de extinção da Organização das Nações Unidas (ONU). A decisão foi aprovada por unanimidade nesta quinta-feira (26), durante a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), realizada em Campo Grande (MS).
O encontro reúne representantes de mais de 130 países e discute medidas globais de proteção à biodiversidade, incluindo espécies que cruzam fronteiras ao longo do ciclo de vida . A inclusão da ariranha (Pteronura brasiliensis) nas listas internacionais indica que a espécie deverá receber novas estratégias de conservação, com ações conjuntas entre os países onde ainda ocorre.
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Mamífero semiaquático, a ariranha é um animal semelhante à lontra e é encontrada exclusivamente na América do Sul. No Brasil, concentra populações importantes nos biomas Amazônia e Pantanal.
No Pará, há registros da espécie em regiões como o rio Xingu, na área de Belo Monte. Em Belém, exemplares já foram acolhidos pelo Museu Paraense Emílio Goeldi como parte de iniciativas de conservação. Atualmente, o Brasil abriga algumas das maiores populações remanescentes da espécie.
Plano internacional deve definir ações de proteção
Com a decisão da COP15, especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) devem se reunir com representantes dos países que abrigam a ariranha. O objetivo é elaborar um plano de ação com medidas coordenadas para proteger a espécie, incluindo estratégias para preservação de habitat e recuperação populacional.
Na prática, a inclusão nas listas da ONU amplia o nível de atenção internacional e fortalece a cooperação entre países para evitar o avanço do risco de extinção.
Distribuição da ariranha na América do Sul
A ariranha já foi registrada originalmente em 11 países da América do Sul, desde a Venezuela até o Uruguai. No entanto, a espécie já foi extinta em território uruguaio e enfrenta risco crítico em países como Argentina, Paraguai e Equador.
Nas últimas décadas, houve uma redução de cerca de 40% na área de ocorrência do animal, principalmente devido à destruição de habitat e à diminuição das populações.
O que é a COP15 sobre espécies migratórias
A COP15 é a principal instância de decisão da Convenção sobre Espécies Migratórias, tratado internacional da ONU voltado à proteção de animais que atravessam fronteiras.
Realizada entre os dias 23 e 29 de março de 2026, em Campo Grande, a conferência discute políticas, acordos e estratégias globais para preservar espécies ameaçadas e seus habitats . As decisões aprovadas no evento orientam ações internacionais e definem prioridades para a conservação da biodiversidade nos próximos anos.
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