CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Após casos envolvendo artistas, campanha Junho Branco reforça alerta sobre álcool e drogas

Os efeitos atingem a saúde física, emocional e mental, podendo evoluir para quadros de dependência química

O Liberal
fonte

Após admitir que o consumo de álcool antes de um show no Ceará comprometeu sua apresentação, causando erros e repetições no palco, o cantor Nattan reacendeu um debate cada vez mais presente no meio artístico: os impactos do uso de bebidas alcoólicas na saúde e na carreira.

Recentemente, outros nomes da música brasileira também falaram publicamente sobre a decisão de reduzir drasticamente o consumo de álcool. Entre eles estão Murilo Huff, João Gomes e Zé Neto, da dupla com Cristiano, que relataram mudanças de hábitos após enfrentarem problemas de saúde, como gordura no fígado, depressão e síndrome do pânico.

Embora o consumo de álcool esteja frequentemente associado a ambientes de entretenimento e celebração, especialistas alertam que o uso frequente ou excessivo pode provocar consequências que vão muito além da qualidade de uma apresentação artística. Os efeitos atingem a saúde física, emocional e mental, podendo evoluir para quadros de dependência química.

O tema ganha ainda mais relevância durante o Junho Branco, campanha voltada à conscientização sobre a prevenção ao uso abusivo de drogas e à promoção da saúde mental. O Dia Mundial de Prevenção ao Uso de Drogas, celebrado em 26 de junho, reforça a necessidade de ampliar o debate sobre prevenção, acolhimento e tratamento.

Segundo o psiquiatra Andreyson Pantoja, médico do IDOMED, o vício em drogas ainda é cercado por preconceitos e desinformação, fatores que dificultam tanto o tratamento quanto o acolhimento de pessoas dependentes.

“O vício é reconhecido pela ciência como uma doença crônica do cérebro. Não é falta de caráter ou de força de vontade”, afirma.

De acordo com o especialista, o uso prolongado de substâncias altera o sistema de recompensa cerebral, fazendo com que a busca pela droga deixe de ser apenas uma escolha e passe a funcionar como uma necessidade biológica.

O médico explica que existe diferença entre uso ocasional, uso abusivo e dependência química. O consumo ocasional ocorre de forma esporádica e sem impactos significativos na rotina. Já o uso abusivo passa a gerar consequências negativas, como conflitos familiares, dificuldades profissionais e prejuízos à saúde.

O quadro evolui para o chamado Transtorno por Uso de Substâncias (TUS) quando a pessoa perde a capacidade de interromper o consumo, mesmo diante dos danos provocados. Entre os principais sinais estão o aumento da tolerância à substância, a presença de sintomas de abstinência e o abandono de outras atividades e fontes de prazer.

Dados do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostram que um em cada cinco brasileiros já experimentou substâncias psicoativas ao menos uma vez na vida.

Segundo Andreyson Pantoja, fatores genéticos representam entre 40% e 60% do risco para o desenvolvimento da dependência química. No entanto, traumas, estresse, ambiente social e idade de início do consumo também exercem influência significativa.

Além disso, algumas substâncias podem causar danos permanentes ao organismo. O consumo excessivo de álcool, por exemplo, afeta áreas do cérebro responsáveis pela memória, tomada de decisões e controle dos impulsos. Em situações mais graves, pode provocar a síndrome de Wernicke-Korsakoff, uma forma de demência associada à deficiência de vitamina B1.

“Quanto mais cedo começa o uso, maior o risco de desenvolver dependência. E, para além do vício em si, transtornos mentais também podem ser desencadeados pelo uso de drogas, como depressão profunda, ansiedade crônica e episódios psicóticos que podem persistir mesmo após a interrupção do consumo”, alerta.

Impactos atingem também familiares

Os sinais de alerta costumam ser percebidos inicialmente por familiares e amigos. Mudanças bruscas de comportamento, isolamento social, mentiras frequentes, descuido com a aparência, troca repentina de amizades e gastos sem justificativa estão entre os indícios mais comuns.

Para o psiquiatra, o impacto da dependência química não se restringe ao usuário. As famílias também acabam adoecendo emocionalmente diante do problema.

“O abuso de substâncias gera um fenômeno chamado codependência, em que toda a dinâmica familiar passa a girar em torno do dependente”, explica.

O especialista ressalta que a busca por ajuda deve ocorrer no momento em que a substância deixa de representar prazer e passa a ser uma necessidade, especialmente quando a pessoa não consegue interromper o consumo sozinha.

O tratamento pode envolver acompanhamento psicológico, suporte psiquiátrico, uso de medicamentos para controle da fissura, participação em grupos de apoio e atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD).

“Embora muitos falem sobre cura, nós médicos preferimos falar em remissão. O vício é uma doença crônica. A pessoa aprende a viver sem a substância e a manter a doença adormecida por meio de novos hábitos e acompanhamento contínuo. Por isso, o cuidado e o apoio de familiares e amigos são fundamentais”, conclui.

Onde buscar ajuda

Pessoas que enfrentam dependência química ou convivem com alguém em sofrimento podem procurar apoio nos CAPS AD do município, nas Unidades Básicas de Saúde, em grupos como Alcoólicos Anônimos (AA) e Narcóticos Anônimos (NA), além do Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo telefone 188, que oferece suporte emocional gratuito.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Brasil
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM BRASIL

MAIS LIDAS EM BRASIL