Zenaldo cria comitê multidisciplinar para planejar retorno à normalidade

"Vamos começar a semana com boas notícias, mas não é para relaxarmos", comentou o prefeito, nesta segunda-feira (18), primeiro dia de atividade do comitê

Victor Furtado

A procura pelas unidades de saúde de Belém, públicas e privadas, está diminuindo. A análise foi do prefeito Zenaldo Coutinho, na manhã desta segunda-feira (18), em uma transmissão ao vivo, nas redes sociais digitais. Mas ressaltou que isso não significa a redução da mortalidade ou de novos casos de covid-19 sendo confirmados. Logo, a população precisa continuar alerta e se cuidando. Por isso, ainda hoje, começa a funcionar um comitê da prefeitura, com empresários e trabalhadores, para planejar o retorno gradual à "normalidade" e afrouxamento das medidas de distanciamento social temporário.

No entanto, o prefeito condicionou o avanço dessa medida a índices de distanciamento acima de 50% e redução do número de mortes e novos casos registrados de covid-19. Isso precisa de adesão e participação da população de Belém: uso de máscaras e evitar sair sem necessidade. "Todos precisamos contribuir para que a economia se restabeleça, mas de forma responsável", reforçou o prefeito. O lockdown — fechamento de todas as atividades comerciais não essenciais à saúda, segurança e vida da população, além de restrições de circulação — continua em efeito.

Zenaldo comparou os dias 15, 16 e 17 de março e os dias 15, 16 e 17 de maio. Em março, houve 4.365 atendimentos na rede municipal. Neste mês, com toda a estrutura reformada e novas frentes de atendimento, 1.894 atendimentos. Belém, no balanço atualizado, da manhã desta segunda-feira (18), tem um total de 6.178 casos postivos, 660 mortes e 1.427 pessoas recuperadas. Das 19 internações feitas neste domingo (17), 17 casos eram graves de covid-19, a letal e incapacitante doença provocada pelo coronavírus sars-cov-2.

"Este é um sinal muito, muito importante. Agora Belém tem cinco UPAs e três com tendas nas frentes, o que dá mais espaço para atendimento. Temos o hospital Dom Vicente Zico e dois prontos-socorros ampliados e reforço na rede privada. Tudo isso com a implantação de protocolos de medicamentos. Isso certamente impactou na redução da demanda", disse o prefeito.

O prefeito ressaltou que a estrutura deixada, em parte, pelo governo de Simão Jatene — policlínica, aluguel do hospital Galileu e pré-aparelhamento do hospital Dr. Abelardo Santos —, foi importante para aplacar a crise que a pandemia gerou em Belém e área metropolitana. Obviamente, levou tempo até tudo se organizasse.

A vacinação contra a gripe avançou, comentou o gestor. Assim, pessoas que confundiam gripes com covid-19 e corriam para as unidades de saúde, já não estão mais indo. E há uma fase de mudança climática, com a redução das chuvas intensas e constantes, o que diminuiu a circulação de outras viroses que podiam provocar síndromes respiratórias agudas graves (SRAGs).

Com a retirada de mais de 500 indígenas venezuelanos refugiados (da etnia Warao) das ruas, para um abrigo no Tapanã; e abrigo no ginásio Altino Pimenta, para 150 pessoas em situação de rua, com sintomas leves de covid-19, reforça Zenaldo, foi possível aumentar o distanciamento social temporário em outras frentes.

"O isolamento social começa a produzir resultados. Ainda não temos dados numéricos. O número de exames também aumentou. Com mais exames sendo feitos, mais identificação de pessoas positivas, melhora o atendimento", comentou Zenaldo.

Zenaldo "confessou" — palavras dele — que a estrutura de saúde da capital não era adequada quando ele assumiu a gestão municipal. As obras de reforma e compra de equipamentos, em todos os estabelecimentos de saúde, além de quatro novas UPAs, foram determinantes para mudar o cenário do atendimento. Ele garantiu que tudo foi acompanhado por órgãos de fiscalização e profissionais da área da saúde, numa autoavaliação da própria administração.

Lamentou a morte de familiares, amigos e servidores da prefeitura. Alguns deles devem ser homenageados, como Edson Souza, que será o nome da Unidade de Saúde da Pratinha. Outra memória foi ao presidente do Sindicato dos Taxistas Autônomos de Belém e Estado do Pará (Stabepa), Alain Castro.

Não estou vendo sinal de que Belém vai piorar muito. Nossos números são entusiasmantes, mas precisamos de esforços de todos para sair disso. Muita gente está prisioneiro na própria casa e queremos ver todos retornado às suas atividades", comentou o prefeito. Entretanto, reforçou, mais uma vez: o distanciamento social temporário deve continuar. Para isso, citou exemplos comparativos entre Espanha e Portugal. A Espanha sofreu com a doença pela demora na adoção de medidas. Portugal teve menos impacto porque adotou a prevenção rapidamente, desde o início da crise pela Europa.

"Estou pedindo mais remédios e respiradores ao presidente da república, Jair Bolsonaro. Estamos esperando 32 respiradores, mas ainda não chegaram e estamos fazendo um novo ofício, reiterando os pedidos", concluiu Zenaldo.

Belém
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