Volta às aulas aumenta casos de piolho entre crianças; especialista orienta pais e escolas
A especialista destaca que o diagnóstico precoce é essencial para evitar que um caso isolado se transforme em um surto familiar
Com o retorno das aulas, cresce também a preocupação de pais e educadores com a pediculose, infestação causada pelo piolho da cabeça, comum entre crianças em idade escolar. O problema está diretamente ligado ao contato próximo em sala de aula, no recreio e durante as brincadeiras, quando o encostar de cabeças facilita a transmissão.
Em entrevista por telefone, a dermatologista Heliana Góes, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia-Regional Pará, explica que o principal meio de contágio é o contato direto de cabeça com cabeça. “O compartilhamento de objetos pessoais, como escovas, bonés, arcos e fones de ouvido, é uma via secundária, mas ainda relevante em ambientes coletivos”, alerta.
A especialista destaca que o diagnóstico precoce é essencial para evitar que um caso isolado se transforme em um surto familiar. Os principais sinais são coceira intensa, principalmente na nuca e atrás das orelhas, além da presença de lêndeas, pequenos pontos esbranquiçados aderidos aos fios de cabelo. Irritabilidade e dificuldade para dormir também podem estar associados ao desconforto causado pela infestação.
Apesar do incômodo, o piolho da cabeça não transmite doenças sistêmicas. No entanto, o ato de coçar pode provocar feridas no couro cabeludo, favorecendo infecções bacterianas secundárias, como o impetigo. “Também não podemos ignorar o impacto emocional e o estresse que a pediculose causa na criança e na família”, ressalta a dermatologista.
O tratamento recomendado é sempre combinado. Ele inclui o uso de pediculicidas específicos, prescritos por médico, associado ao pente fino, fundamental para remover os piolhos vivos e, principalmente, as lêndeas, que os medicamentos não eliminam totalmente.
Em casos mais resistentes ou de infestação intensa, pode haver indicação de medicação via oral, sempre com orientação dermatológica.
A médica esclarece ainda que o uso de vinagre diluído em água pode ajudar a soltar as lêndeas dos fios, facilitando a remoção mecânica, mas não substitui o tratamento médico.
A especialista reforça que ter piolho não é sinal de falta de higiene. Outro mito comum é a ideia de que piolhos pulam ou voam, o que não é verdade, eles apenas rastejam. Animais de estimação também não transmitem piolhos, já que o parasita é exclusivo dos seres humanos.
Como medida preventiva, os pais devem examinar o couro cabeludo das crianças regularmente e passar o pente fino pelo menos uma vez por semana. Manter os cabelos longos presos, em tranças ou coques, ajuda a reduzir o contato direto.
Nas escolas, a orientação é comunicar casos confirmados de forma ética, sem expor ou constranger a criança, e alertar as famílias para que todas façam a verificação ao mesmo tempo, evitando a reinfestação.
Quando procurar um dermatologista
A consulta médica é indicada quando surgem sinais de infecção, como pus, feridas ou crostas amareladas, quando há dúvidas sobre o diagnóstico ou ainda em casos de crianças muito pequenas ou com histórico de alergias a produtos comuns.
Com informação, atenção e cuidados simples, é possível controlar a pediculose e garantir um ambiente escolar mais saudável para todos.
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