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Vídeo registra raposa na avenida Liberdade e chama atenção para a fauna silvestre em Belém

As circunstâncias da aparição ainda são desconhecidas; filmagem foi registrada à noite

O Liberal
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Um vídeo publicado nas redes sociais mostra um animal, com características de ser uma raposa, circulando pela avenida Liberdade, em Belém. A cena chama a atenção por não ser comum encontrar esse tipo de animal em uma das principais vias da cidade.

 

As circunstâncias da aparição ainda são desconhecidas. O vídeo foi registrado à noite. E não há indicativo de quando foi gravado. “É uma raposa, amor”, diz a mulher no vídeo. O animal tenta saltar a mureta de proteção. Mas não consegue - bate na estrutura e volta para a pista. No vídeo, a mulher demonstra apreensão, temendo que o animal seja atropelado por algum veículo. “Coitada, Jesus. Que maldade”, acrescentou.

A Redação Integrada de O Liberal está entrando em contato com as autoridades competentes para obter mais detalhes sobre o assunto. A mulher também comentou que deve ser acionado o órgão da Polícia Militar responsável pela captura desse tipo de animal. E, no vídeo, quando o veículo para, ela parece repassar essa informação possível para a Polícia Militar.

Raposas são animais pertencentes à Família Canidae, assim como os cães, lobos, chacais e coiotes. Todos esses animais, geralmente de médio porte, podem viver tanto solitários quanto em grupos, sendo este geralmente um hábito daqueles de tamanho maior.

Em nota, a Polícia Militar do Pará informa que, até o momento, o Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) não foi acionado. A corporação orienta à população que não tente fazer a contenção ou manejo de animais silvestres. Em casos semelhantes, devem acionar o BPA por meio do número 190 (Ciop).

Já a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seinfra) informa que não foi notificada sobre o caso. A Secretaria reforça que, em situações como essa, a orientação é acionar o Policiamento Ambiental (BPA) por meio do telefone 190.

“Essa área é dos animais”, diz médica veterinária

A pedido da reportagem, Ana Sílvia Sardinha Ribeiro, médica veterinária e professora da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), comentou sobre o episódio. “Sobre a aparição da raposa nessa área da avenida Liberdade, ela não é um fato incomum, porque o novo aí é a avenida Liberdade, que cortou uma área natural, onde esses animais já estavam há muito tempo”, disse. “Então, é a área deles. Eles não estão reconhecendo essa intervenção. Então, a presença deles é porque é uma área de vivência, e agora eles têm que se adaptar a essa estrutura, que interrompe a circulação deles. Então, essa área é considerada urbana agora, há poucos meses”, explicou.

A médica veterinária disse que, com certeza, a expansão urbana e a abertura de novas vias, que modificam esse ambiente, influenciam o deslocamento dos animais. “É um comportamento de fuga. Houve perda de território, houve fragmentação florestal. Então, algumas espécies vão se adaptar a essa urbanização”, disse. “Tem as espécies que vão se adaptar ao deslocamento noturno, porque elas estão vendo uma movimentação muito grande durante o dia. Os animais são seres sencientes, então eles têm um raciocínio. Eles vão aprender também com isso”, afirmou.

Seres sencientes são aqueles capazes de sentir e perceber experiências subjetivas, como dor, prazer, medo, fome, conforto, sofrimento e bem-estar. Em outras palavras, são seres que não apenas reagem a estímulos, mas têm a capacidade de vivenciar sensações. Ainda segundo ela, haverá animais que vão aprender a lidar com o lixo e procurar restos de comida, ou seja, novos problemas de desequilíbrio ambiental poderão surgir. “Então, esses animais estão sujeitos aos atropelamentos, ao estresse causado pela poluição sonora. Essa proximidade com o homem pode ampliar o risco de zoonoses naquele setor. Então, com certeza, essa urbanização, essa abertura de estrada, causa esse prejuízo à fauna. Porque eles vão procurar abrigo, alimento e fontes de água, e tudo isso foi interrompido ali com a estrada”, afirmou.

Fluxo natural

Sobre esse deslocamento, a professora também disse que, na verdade, os animais estão seguindo um fluxo que já era natural para eles, atravessando de um lado para o outro, porque às vezes há alimento de um lado e abrigo do outro. “Então, o deslocamento é sempre à procura de abrigo, alimento e fonte de água. É super natural o que está acontecendo.” Segundo ela, Belém já possui, há muito tempo, as chamadas áreas periurbanas. “Nós temos essas áreas que são limítrofes com áreas naturais. Podemos citar o exemplo das garças, que se adaptaram à Praça Batista Campos, o que já virou um problema, inclusive com risco de zoonoses. A gente tem várias espécies”, disse.

“Observamos, nos céus de Belém, papagaios que vão se abrigar no Bosque Rodrigues Alves. As ilhas estão bem próximas de nós. Então, há um deslocamento desses animais durante o dia. Isso acontece há muitos anos. Os periquitos, na época de outubro, vêm em busca do período de maior produção de alimentos, das mangueiras e de outras árvores. Então, a presença de animais nas áreas urbanas e periurbanas já acontece há muito tempo”, afirmou.

Ana Sílvia Sardinha Ribeiro também disse que, nesses casos, a primeira recomendação é não entrar em contato direto com o animal. “Se você não é um especialista para capturar esse animal de forma segura e realmente garantir que ele não vai lhe machucar, não tente fazer isso. Um animal desse não reconhece o ser humano. Então, ele estará assustado, poderá se tornar mais agressivo e há risco de mordedura ou arranhadura, seja qual for a espécie. A recomendação é isolar a área, quando possível, para evitar atropelamentos e acionar os órgãos ambientais”, explicou.

 

 

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