Rede de fast-food causa polêmica após retirar pedras históricas e concretar calçada na av. Nazaré
Intervenção em trecho com pedras de lioz provocou indignação nas redes sociais
Uma rede de fast-food localizada na avenida Nazaré, quase na esquina com a travessa Quintino Bocaiúva, no bairro de Nazaré, em Belém, se envolveu em uma polêmica nesta terça-feira (26) após retirar pedras históricas da calçada e cobrir o trecho com concreto. A intervenção, que segundo denúncias não teria sido comunicada nem autorizada pelos órgãos de preservação patrimonial, provocou repercussão e indignação nas redes sociais.
A calçada era composta por pedras de lioz, um tipo raro de calcário originário da região de Lisboa, em Portugal, utilizado em importantes obras urbanísticas e históricas durante o período da Belle Époque amazônica.
O historiador Michel Pinho publicou um vídeo nas redes sociais criticando duramente a intervenção e classificando o caso como um “absurdo” e um desrespeito à memória urbana da capital paraense.
“Já ficaram indignados não com a falta de conhecimento, mas com a falta de respeito em relação à nossa cultura e nossa história? Eu vou te contar uma história e vou te mostrar o porquê dessa minha indignação”, afirmou.
Segundo Michel Pinho, as calçadas da avenida Nazaré fazem parte do processo histórico de urbanização de Belém desde o final do século XIX, período em que a via passou a conectar regiões importantes da cidade, como a Basílica de Nazaré e o Mercado de São Brás.
“Essa urbanização é pautada não só pelo processo da construção de paralelepípedos, mas também de calçadas, calçadas essas que são tombadas pelo Departamento de Patrimônio Histórico do Estado, porque são cantarias e calçadas de lioz, com pedras muito especiais”, destacou.
O historiador denunciou ainda que as pedras teriam sido retiradas e descartadas no lixo durante a obra. “Ela não só concretou a calçada na avenida Nazaré, que é um patrimônio histórico que mostra o nosso processo de urbanização, como também retirou e colocou no lixo. Colocou no lixo as pedras de lioz”, disse.
Michel Pinho afirmou ter entrado em contato com o Departamento de Patrimônio Histórico do Estado, que teria informado que a obra já foi notificada e que a empresa possui prazo de sete dias para recolocar as pedras originais no local.
A repercussão do caso chegou ao prefeito de Belém, Igor Normando, que se manifestou nas redes sociais. Em publicação, o gestor afirmou: “Tomei conhecimento do estabelecimento comercial na avenida Nazaré que retirou pedras históricas da calçada em frente ao seu espaço e concretou o trecho, causando danos ao patrimônio histórico de Belém. Acionei imediatamente as equipes da Prefeitura para que todas as medidas cabíveis sejam tomadas. Nossa cidade tem história. E ela vai ser respeitada e protegida.”
A reportagem do Grupo Liberal tenta contato com a rede de fast-food Burger King, responsável pela obra que destruiu a calçada, em busca de um posicionamento sobre o caso.
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