Parque Linear da Tamandaré é depredado menos de um ano após inauguração
No local, é possível observar sujeira, falta de manutenção, furto de fiação elétrica e descarte irregular de lixo. Moradores e transeuntes relatam insegurança na área
Inaugurado há menos de um ano, em 3 de novembro de 2025, o Parque Linear da Tamandaré, em Belém, apresenta sinais de depredação e falta de manutenção em diferentes pontos, conforme registros feitos pela reportagem na manhã desta sexta-feira (24). Os banheiros públicos estão com portas danificadas, lixo espalhado, equipamentos avariados e sujeira acumulada. Também é possível observar acúmulo de água parada, resíduos descartados nas áreas de circulação e nos jardins, além de trechos com aspecto de abandono, comprometendo a conservação, a limpeza e o uso do espaço pela população.
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A Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Mobilidade de Belém (Segbel) informou, em nota enviada à redação, que acompanha a situção. A Segbel também reforçou que o prejuízo é para todos. “O espaço conta com câmeras de videomonitoramento, cujas imagens podem auxiliar na identificação dos responsáveis e ser disponibilizadas aos órgãos competentes para subsidiar as investigações. A segurança no local é realizada por meio de rondas preventivas da Guarda Municipal de Belém, que poderá intensificar o patrulhamento conforme a necessidade operacional”, relata o órgão. A Segbel não informou o dia em que o espaço foi depredado.
Descuido
Entretanto, o cenário observado e relatado pela população é outro. Frequentadores afirmam que não há ações de limpeza, fiscalização e manutenção. Além disso, ressaltam que as principais e maiores depredações à estrutura ocorrem durante a madrugada. Em caminhada pelo parque, é possível notar grama alta, lixeiras quebradas, água parada em canteiros, fiação furtada, quiosques quebrados e lixo jogado em meio às plantas, além de banheiros sujos com fezes, urina e entulhos.
A aposentada Socorro Souza, de 77 anos, vive no Guamá e foi visitar três amigas que moram próximo ao Parque Linear da Tamandaré. Ela aproveitou e deicidiu conhecer o espaço, mas, na primeira visita, se surpreendeu negativamente com a área. Socorro conta que costuma passar de ônibus pela avenida, mas, vendo com proximidade, constatou o abandono.
“Isso aqui é novo, gastou-se muitos milhões aqui. Devia ter preservado para a população passear, andar, mas não pode, porque tem roubo, assalto, escuridão. Agora, cadê o dinheiro que foi aplicado aqui? Por que não mantém claro, iluminado? Os quiosques já foram assaltos, os banheiros não tem, já sumiu tudo, a fiação toda roubaram”, fala.
Insegurança
Socorro afirma que é necessário haver fiscalização constante no local e lembra que, certa vez, presenciou um furto de cabos de energia. “A pessoa tem medo de denunciar, por causa de represália. Porque, às vezes, a pessoa que denuncia mora aqui por perto. Isso não pode acontecer”, diz.
“A Segbel destaca ainda que atua de forma integrada com os demais órgãos municipais responsáveis pela manutenção dos equipamentos públicos para que os danos sejam reparados e o espaço continue oferecendo condições adequadas de uso à população. A Secretaria reforça a importância da colaboração da população. Em caso de flagrante de vandalismo, furtos ou qualquer outra ocorrência, a orientação é acionar imediatamente a Guarda Municipal, pelo telefone 153, ou a Polícia Militar, pelo 190, para que as equipes possam agir com rapidez e aumentar as chances de identificação e responsabilização dos autores”, fala em nota.
Perigos
Rubens Souza, aposentado de 81 anos, costuma passear no Parque Linear da Tamandaré com cuidadores. Nessa sexta-feira, ele estava com Eliane Ribeiro, de 29 anos. Ele conta que costumam caminhar pela manhã e tarde, em horários de grande movimento, para evitar assaltos e furtos.
“Aquela parte mais ali na frente [próxima à travessa São Francisco] está muito suja, é uma vergonha. Tem uma parte ali com infiltração, acho que está entupida, porque a água está parada lá há muito tempo. A gente vem caminhando para cá e sempre observa que está sempre bem sujo, tudo quebrado”, conta Eliane.
A cuidadora lembra que, enquanto andavam, comentou com Rubens sobre a falta de fiscalização na área. De acordo com ela, a atuação de agentes de segurança ocorreu apenas no período da 30ª Conferência das Partes (COP 30), realizada em novembro de 2025 na capital paraense. Para o aposentado, a vigilância e o descarte irregular de lixo são os principais problemas do local.
Medo
A atendente Emilly Vitória, de 20 anos, trabalha no único quiosque que ainda está em funcionamento no Parque Linear da Tamandaré. “Está sendo uma coisa muito dificultosa, até por conta dos banheiros, que estão cheios de fezes, e a questão da insegurança também. A gente dois arrombamentos seguidos em menos de 10 dias, aqui no quiosque”, diz.
Emilly relata que a frequência de clientes tem reduzido, visto que há odor dos banheiros e do canal. A atendente lembra que os demais quiosques fecharam cerca de um mês após a inauguração e que, segundo os trabalhadores, é devido ao alto valor dos aluguéis.
“O pessoal da Ciclus fazia a limpeza aqui, mas, devido a essa troca de empresa, eles foram mandados para outra rota e aqui não fazem mais. De vez em quando vem umas pessoas, varrem aqui. Mas a limpeza dos matos, capinação, ninguém faz. A gente mesmo que pega o terçado e faz”, fala.
Sobre a segurança, Emilly diz que é raro acontecer fiscalizações: “De vez em quando, vem uns amigos nossos da Guarda Municipal e ficam aqui, dão um apoio. Não tem aquela fixa. Só ficam pela parte do dia, à noite não tem.”
Polícia Militar
Em nota envida à Redação Integrada de O Liberal, a Polícia Militar do Pará (PMPA) afirmou que há “policiamento ostensivo e preventivo no entorno do Parque Linear da Tamandaré, por equipes do 2º Batalhão, com apoio do motopatrulhamento do Batalhão Águia, do policiamento ciclístico e de outras unidades da corporação, conforme o planejamento operacional.” “A Corporação orienta que casos de furto, roubo ou qualquer outra ocorrência sejam comunicados imediatamente pelos números 190 ou 181, para que as equipes possam atuar de forma rápida e adotar as medidas cabíveis”, fala.
A equipe de reportagem solicitou, também, posicionamento da Secretaria Municipal de Zeladoria Conservação Urbana (Sezel). Até o momento da publicação desse material, não houve resposta
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