Marca que distribuiu água na COP 30, em Belém, tem lote recolhido pela Anvisa por bactéria

A legislação sanitária brasileira proíbe a presença de Pseudomonas aeruginosa em água destinada ao consumo humano

Gabrielle Borges
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de dois lotes de água mineral sem gás da Mamba Water após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em análises de controle de qualidade realizadas pela própria fabricante. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (16).

A medida determina o recolhimento voluntário e a suspensão da comercialização, distribuição e uso das latas de 350 ml dos lotes 13 e 14, fabricados nos dias 3 e 4 de abril de 2026. Os produtos têm validade até abril de 2027, segundo informações da Anvisa.

Marca foi utilizada durante a COP 30

A Mamba Water ganhou projeção nacional após ser uma das águas minerais distribuídas durante a COP 30, realizada em Belém, sendo utilizada para atender participantes e delegações do evento.

De acordo com a agência reguladora, a HNK BR Indústria de Bebidas Ltda., responsável pela marca, comunicou voluntariamente a detecção da bactéria durante testes internos de rotina. Até o momento, não há registro de consumidores que tenham apresentado problemas de saúde relacionados aos lotes afetados.

A legislação sanitária brasileira proíbe a presença de Pseudomonas aeruginosa em água destinada ao consumo humano. Por isso, sempre que o microrganismo é identificado em análises laboratoriais, a Anvisa determina o recolhimento dos lotes afetados para evitar riscos à saúde da população.

Bactéria "oportunista"

A Pseudomonas aeruginosa é uma bactéria considerada oportunista. Em pessoas saudáveis, normalmente não provoca doenças. No entanto, pode causar infecções em indivíduos com o sistema imunológico comprometido, como idosos, crianças, pacientes em tratamento contra o câncer, transplantados, pessoas vivendo com HIV sem controle adequado e usuários de medicamentos imunossupressores.

Nesses grupos, o microrganismo pode provocar infecções nos pulmões, trato urinário, pele e até na corrente sanguínea, exigindo acompanhamento médico. Embora represente baixo risco para a maior parte da população, a presença da bactéria em água para consumo é proibida pelas normas sanitárias brasileiras, motivo pelo qual a Anvisa determinou o recolhimento dos lotes afetados.

Este é o terceiro episódio envolvendo a bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos de consumo no Brasil em 2026. Em abril, o microrganismo foi identificado em mais de 100 lotes de produtos de limpeza da Ypê. Já em junho, um lote da água mineral Crystal também precisou ser recolhido após a detecção da mesma bactéria.

A Redação Integrada do O Liberal solicitou nota à empresa Mamba Water e à assessoria da COP 30 e aguarda posicionamento.

(*Gabrielle Borges, estagiária de jornalismo sob supervisão de Tainá Cavalcante, editora web de OLiberal.com)

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