SEX · 02 OUT 2026Assine

CULTURA

Mais de mil pessoas participam de atividade nos Mercedários em Belém

Programação especial comemorou o aniversário de 410 anos da capital paraense

Vito Gemaque

11 de janeiro de 2026 às 13:54

Espaço Mercedários UFPA ficou lotado para atividades culturais gratuitas na manhã deste domingo (11), no bairro da Campina.

Espaço Mercedários UFPA ficou lotado para atividades culturais gratuitas na manhã deste domingo (11), no bairro da Campina. ( Foto: Carmen Helena / O Liberal )

Mais de mil pessoas participaram na manhã deste domingo (11) - véspera do aniversário de Belém - de atividades culturais gratuitas no espaço Mercedários da Universidade Federal do Pará (UFPA), localizado na Boulevard Castilhos França, no antigo Convento dos Mercedários. O local recebeu uma programação especial em articulação da história, arte e cultura, tendo a Cabanagem como eixo central das atividades.

A manhã começou com uma aula pública com o professor Michel Pinho, em percurso pela cidade, abordando a tomada de Belém, os conflitos no Palácio Lauro Sodré e a maior batalha ocorrida no Conjunto dos Mercedários, refletindo sobre a relação entre movimento histórico e patrimônio arquitetônico e cultural.

As centenas de visitantes fizeram fila para ver a exposição "Terra Incógnita, notas amazonianas”, na Galeria de Arte da UFPA (GAU). Uma dessas visitantes foi a formanda em biblioteconomia Ellen Cristina Cardoso, de 31 anos, que aproveitou para ver pela segunda vez as obras de arte. "Uma coisa que sempre falo e admiro em Belém é ter esses lugares de acesso à população. Durante a COP30 tive a oportunidade de vir e fiquei muito encantada. Super indico às pessoas virem aqui no final da tarde. É um bom lugar para você estar", ressaltou.

A exposição “Terra Incógnita, notas amazonianas” foi reconhecida nacionalmente com o Prêmio Celeste 2025 como Melhor Exposição Coletiva. De acordo com o curador Orlando Maneschy, a mostra dos trabalhos dos artistas explora os saberes e a vivência na Amazônia. "A gente resolveu dar uma resposta à COP e ao mundo reunindo saberes, modos de viver e de existir na Amazônia, com vários artistas nossos tão conhecidos e tão importantes, e artistas de fora que vieram para cá e tiveram um arroubo e geraram obras importantes. É uma exposição bela, também é política, que faz refletir e pensar sobre o que a gente está fazendo aqui, o que a gente constrói juntos nessa região", declarou.

"Outra coisa que também é muito importante é a resposta do público. Desde crianças, que querem saber e conhecer mais sobre a região, sobre a Amazônia, sobre os artistas, até senhorinhas. A gente pega várias faixas etárias", complementou. A exposição segue aberta para visitação do público até maio.

O professor de história Michel Pinho avaliou que a atividade desenvolvida no centro histórico conseguiu ir além da celebração do aniversário de Belém. "A avaliação é que ultrapassa o aniversário de Belém, porque é um exercício de cidadania, fazer com que as pessoas reconheçam o espaço público, reconheçam o patrimônio histórico e reconheçam a sua história de luta como no caso a Cabanagem. Dá para gente uma situação muito delicada e importante que o reconhecimento da identidade, não é só festejar o aniversário da cidade, mas entender porque nós somos assim", ressaltou.  

Ao longo da manhã, o Mercedários UFPA também teve apresentação musical do grupo Paisagens Sonoras e a Feirinha do Circular, reunindo iniciativas criativas, artesanato, comida regional e produção autoral amazônica, além da Livraria da Editora da UFPA.

O reitor da UFPA Gilmar Pereira explica que o Mercedários UFPA combina a ciência à arte. O espaço agrega as atividades da Faculdade de Conservação e Restauro (Facore) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências do Patrimônio Cultural (PPGPatri), assim como as atividades de pesquisa do Laboratório de Conservação, Restauro e Reabilitação (Lacore).

"Não há como a gente avançar sem arte, sem a cultura. Esse é um espaço extraordinário. A gente tem a um curso de restauro de graduação e mestrado e tem esse da Escola de Música, do Museu, a estrutura da livraria. Caiu no gosto da população durante a COP recebemos 32 mil pessoas. Somente hoje mil pessoas vieram conhecer, ver o espaço, ouvir música, conversar, ver a exposição, comprar livros", contabilizou. "É um presente para Belém", assegurou.