Há 79 anos, equipe gráfica de O Liberal mantém viva a tradição do jornal impresso
Por trás do reconhecimento, uma equipe que atravessa madrugadas para garantir que cada edição chegue às ruas com qualidade, ritmo e responsabilidade mantém viva a tradição do impresso
Ao longo dos 79 anos, o jornalismo passou por transformações profundas diante das mudanças no consumo de notícias. Mesmo assim, o jornal impresso do Grupo Liberal segue referência, com selo de credibilidade, valorizado pela precisão, pela contextualização e pela leitura atenta que proporciona — qualidades que sustentam décadas de confiança dos leitores. Por trás do reconhecimento, uma equipe que atravessa madrugadas para garantir que cada edição chegue às ruas com qualidade, ritmo e responsabilidade mantém viva a tradição do impresso.
Para que essa operação siga firme, os cuidados com manutenção preventiva e preditiva, além da busca constante por eficiência, são essenciais. Como resume Ricardo Ximendes, supervisor de manutenção industrial. “É esse cuidado diário com as máquinas e com a qualidade do processo que garante a continuidade do jornal e a sustentabilidade da operação ao longo dos anos”, diz.
"A área de impressão de jornais diários enfrenta desafios significativos com mudanças de hábitos de consumo de notícias, porém o jornal impresso continua sendo visto como um certificador de qualidade e credibilidade, oferecendo análises mais detalhadas e contextualizadas. É o que atrai leitores em busca de informações confiáveis em comparação as notícias publicadas em mídias digitais", falou Ximendes.
Na madrugada, enquanto a cidade repousa, uma equipe de oito profissionais no parque gráfico de O Liberal trabalha em silêncio e concentração. Eles são os impressores — os últimos responsáveis por transformar arquivos digitais em milhares de exemplares que chegam às mãos dos leitores logo cedo. Nos 79 anos do jornal, suas trajetórias ajudam a contar a história de uma operação que combina tradição, dedicação e evolução tecnológica.
Luiz Cláudio dos Santos, o “Zas”, soma 36 anos de casa — seu primeiro e único emprego. Ele personifica o elo entre o moderno e o artesanal, garantindo que a fidelidade das cores e a nitidez do texto sejam preservadas do monitor ao papel.
“Da imagem digital até a chapa, nós temos que deixar praticamente igual. Não fica 100%, mas a gente se aproxima bastante”, explica Zas, que acompanhou quase quatro décadas de modernização gráfica.
Experiência e tecnologia
A máquina de impressão atual, em operação há cerca de 20 anos, representou um salto de qualidade, mas não dispensou a sensibilidade do olhar humano. Josué Pereira, com 28 anos de Grupo Liberal — sendo 25 na impressão — reforça que a tecnologia só se completa com a experiência dos profissionais.
“Eu digo que 50% do meu trabalho é a máquina. Ela entrega o jornal quase pronto, mas precisa da visão do profissional. Se não tiver, não adianta ter uma boa máquina. O que a gente faz aqui é unir os dois”, afirma.
A rotina segue um esquema rigoroso. “O nosso trabalho é igual ao de um padeiro: o jornal tem que estar pronto junto com o café da manhã”, diz Josué. A jornada começa por volta de 21h e se estende até as 4h, quando o jornal precisa estar nas ruas.
A emoção de fazer parte
A combinação de experiência e tecnologia reduziu o desperdício e aumentou a eficiência. Zas lembra que, nas máquinas antigas, cerca de mil jornais eram inutilizados. Hoje, com tecnologia mais precisa e ajustes finos da equipe, esse número caiu significativamente.
“Antes, a perda era em torno de mil; agora, fica em torno de 300”, explica, reforçando o impacto direto da qualificação profissional.
O sentimento de pertencimento acompanha a equipe. “Para mim, é uma honra trabalhar aqui, até porque tudo que eu tenho veio daqui”, diz Zas. “Estamos colocando um jornal de qualidade na rua. Temos que mostrar nosso melhor. Sou muito grato a Deus e a O Liberal por isso.”
Coberturas marcantes
Ao longo dos anos, esses profissionais acompanharam momentos marcantes da história. Josué carrega lembranças fortes da cobertura da rebelião do presídio São José, em 1998, quando ainda era motorista. “As cenas que eu vi ali eram muito fortes… até hoje eu não esqueço”, relata.
Zas lembra de um episódio inusitado na gráfica. “Eu já tinha rodado uns 10 mil jornais quando vi uma matéria de cabeça para baixo. Disse: ‘Meu Deus do céu! Como eu não vi isso?’. Parei, chamei meu chefe e ele disse: ‘Não, rapaz, tu é doido… isso é arte!’. Eu, nervoso, não percebi que era assim mesmo”, conta, sorrindo.
Pré-impressão
Antes de a tinta encontrar o papel, entra em cena outra etapa essencial: a pré-impressão — definida por Ezequiel Noronha Jr. como “a alma do jornal impresso”. Há 25 anos no Grupo Liberal, ele comanda o setor responsável por transformar arquivos digitais em páginas prontas para impressão, garantindo que tudo esteja tecnicamente perfeito antes de chegar à rotativa.
“A pré-impressão é a fase que garante que os arquivos digitais, criados com softwares específicos — workflows, sistemas de imposição, certificações avançadas de PDF, controle de tratamento de fotografias — cheguem corretamente à impressão”, explica Noronha.
Desde os 17 anos na empresa, ele detalha que sua função envolve desde o controle de cores e custos até intervenções finas, como ajustes de vetores, sombras e transparências.
“É na pré-impressão que traduzimos o trabalho digital para algo que a máquina rotativa possa reproduzir com precisão. É a ponte entre o design e a impressão”, afirma.
Ao longo de mais de duas décadas no cargo, Ezequiel acompanhou a chegada de tecnologias de ponta, fruto do investimento do Grupo Liberal.
“Eu tive a oportunidade de conhecer softwares avançados, como o Workflow Agfa-ECO3, sistemas de gerenciamento de cores da Compose, da Bélgica, e soluções da Kodak. Esse acesso mostra a preocupação do Grupo com qualidade e inovação”, diz.
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