Empreendedores paraenses elevam padrão do open bar com sofisticação da cultura amazônica
Gestão especializada transforma simples distribuição de bebidas em experiência sensorial com carta exclusiva e opções para diferentes paladares nas comemorações
O serviço de bar em grandes comemorações deixou de ser apenas um balcão de distribuição de bebidas para se tornar um dos principais atrativos da noite paraense. Na linha de frente dessa transformação no mercado local está a Marques Drinks e Eventos, que substituiu a tradicional oferta restrita por uma gestão especializada de coquetelaria baseada no perfil exato de quem frequenta as festas. O negócio, idealizado por dois amigos turismólogos, exemplifica a profissionalização de um setor que exige cada vez mais rigor técnico, criatividade e domínio sobre a alquimia dos ingredientes amazônicos.
A trajetória da empresa revela o amadurecimento do próprio segmento de eventos na região. O que começou em 2016, com um primeiro trabalho que rendeu apenas 80 reais para cada um dos sócios, hoje se desdobra em uma operação robusta. Com uma equipe de aproximadamente 35 profissionais, entre bartenders, carregadores e setor de compras, a dupla atende desde celebrações intimistas até grandes formaturas militares.
“Hoje em dia nós somos uma gestão de open bar. Nós oferecemos para as pessoas mais que um bar, oferecemos uma experiência que é solidificada através de uma degustação até o feedback final”, pontua o sócio-proprietário Wendel Henrique.
Experiência sob medida
O grande diferencial do modelo atual é a pesquisa de público antes mesmo de a festa começar. Os anfitriões são recebidos em um escritório equipado para degustações, com atendimentos diários que chegam a se estender das 14h às 23h. É nesse espaço que a carta de bebidas é moldada de acordo com as características da lista de convidados, considerando a faixa etária e as preferências de sabores. A diversidade do público exige versatilidade no balcão, garantindo que toda a experiência visual e de sabor também seja acessível a quem não consome bebidas alcoólicas, com opções adaptadas e sem excesso de doçura.
“O paladar do cliente sempre é o nosso desafio. Todos os dias a gente recebe vários perfis de clientes. A gente encontra cliente que entende muito de drink, até quem toma menos sem álcool, o cliente que acabou de chegar de uma viagem do Marajó, por exemplo. Nossa missão é adequar o nosso serviço a todos esses perfis”, detalha Wendel.
Essa visão de mercado guiou a dupla a investir em insumos regionais muito antes de o tema ganhar visibilidade internacional. A aposta na cultura paraense, utilizando ingredientes como cupuaçu, muruci, açaí, priprioca e patchouli, exigiu um esforço inicial de convencimento, culminando na alta demanda atual, impulsionada pelo legado do evento climático global sediado na capital paraense no ano passado.
“A cultura paraense sempre foi muito forte no nosso negócio. Quando a gente surgiu, nossa missão era trazer drinks regionais em respeito ao nosso povo. Depois da COP 30, é muito fácil falar que ama cupuaçu, taperebá e açaí, mas muito antes disso nós já estávamos oferecendo aqueles tipos de drinks”, aponta o empreendedor. “Já tiveram momentos muito desafiadores, e um deles foi educar o nosso público para esse paladar", completa.
Logística e inovação
O desafio do paladar estende-se também à escala. A empresa já chegou a estruturar serviços para até três mil pessoas simultaneamente, mantendo o padrão visual e gustativo. Entre os preferidos do público atual estão o Fitzgerald — combinação de limão siciliano, Angostura e gin — e os coquetéis frutados, que dialogam com o clima tropical. As inovações incluem ainda perfumes comestíveis de cumaru servidos em canecas marajoaras e versões não alcoólicas que mantêm a mesma complexidade de sabores.
“O drink é feito de três partes: a apresentação, o olfato e o sabor. Junto a tudo isso, a gente apresenta uma boa experiência. A simpatia vem acima de qualquer taça”, assegura Júnior.
O próximo passo para movimentar o mercado local já está traçado pelos especialistas: a difusão do conhecimento. A meta é lançar projetos educacionais em formato de cursos para ensinar o público geral a preparar seus próprios coquetéis, democratizando o acesso à coquetelaria de qualidade.
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