CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

Belém tem aula a céu aberto sobre patrimônio, literatura e memória no Centro Histórico

Atividade percorreu cerca de 1 km e utilizou história, literatura e memória para discutir a formação da capital paraense e a importância da preservação

Fabyo Cruz
fonte

Às vésperas do Dia Nacional do Patrimônio Histórico e Cultural, celebrado nesta segunda-feira (17), cerca de 700 pessoas participaram, na manhã deste domingo (16), de uma aula pública pelas ruas do Centro Histórico de Belém. A atividade, promovida pela Casa de Cultura de Canaã dos Carajás (CCCC), percorreu aproximadamente 1 km, saindo das proximidades do Palácio Antônio Lemos e seguindo até o Convento dos Mercedários, com uma parada no Ver-o-Peso.

A caminhada transformou ruas, prédios e espaços históricos em salas de aula a céu aberto. Ao longo do percurso, os participantes conheceram aspectos da urbanização de Belém no início do século XX, as transformações sociais vividas pela população e a relação entre literatura, memória e formação da cidade.

Belém tem aula a céu aberto sobre patrimônio, literatura e memória no Centro Histórico

A iniciativa teve 1.500 inscritos e, segundo o Instituto Cultural Vale, cerca de 700 pessoas participaram efetivamente da programação. Para o professor, historiador e pesquisador Michel Pinho, responsável pela aula, a adesão demonstra o interesse dos moradores em compreender melhor a cidade onde vivem.

“Esse número de 1.500 inscritos mostra um desejo: o desejo das pessoas de entenderem o seu lugar na cidade. Porque o patrimônio é isso, o patrimônio é uma herança”, afirmou.

Preservação

A escolha da data para a realização da aula também teve um significado especial. O Dia Nacional do Patrimônio Histórico é celebrado em 17 de agosto, data de nascimento de Rodrigo Melo Franco de Andrade, figura fundamental para a criação e consolidação do atual Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Para Michel Pinho, porém, a data deve ser encarada não apenas como uma celebração, mas também como um momento de reflexão sobre os desafios enfrentados pelo patrimônio de Belém.

“O dia 17 de agosto não deve ser só o Dia do Patrimônio, mas um dia de luta”, destacou. Ele afirma que a cidade enfrenta há décadas problemas relacionados à depredação, ao abandono e à deterioração de imóveis históricos. O professor citou ainda episódios recentes de incêndios e destombamentos como exemplos de situações que podem contribuir para a perda de referências importantes da memória da capital paraense.

image Michel Pinho é professor, historiador e pesquisador (Foto: Ivan Duarte/O Liberal)

Nesse contexto, levar o debate para as ruas é, segundo ele, uma maneira de aproximar a população do patrimônio. “A aula pública tem uma característica: ela é uma aula. E uma aula tem duas coisas fundamentais: diálogo e questionamento”, explicou.

Academia do Peixe-Frito

Um dos principais temas abordados durante a caminhada foi a Academia do Peixe-Frito, movimento intelectual e literário que reuniu escritores e intelectuais paraenses e se tornou uma referência para compreender a produção cultural de Belém.

O professor, livreiro, editor e pesquisador Pedro Gama, que ministrou a aula ao lado de Michel Pinho, destacou a importância de ampliar o olhar sobre o modernismo brasileiro para além de São Paulo. Ele disse que Belém viveu uma intensa efervescência intelectual e cultural, ao mesmo tempo em que era marcada por desigualdades sociais e pela invisibilidade de parte da população.

“A gente só consegue amar o que a gente conhece. O conhecimento é uma forma de pertencimento, uma forma de amor”, afirmou.

image Pedro Gama é livreiro, editor e pesquisador (Foto: Ivan Duarte/O Liberal)

Pedro Gama também defendeu que a educação patrimonial não deve se limitar à preservação física de monumentos. Para ele, a cidade é formada principalmente pelas pessoas que vivem nela e pelas experiências construídas nesses espaços.

“Cidade é movimento. A cidade não está estática. E a cidade não é só um monumento, não é só a pedra tombada. A cidade é principalmente a existência das pessoas dentro dela”, disse. A aula também resgatou a contribuição de escritores como Bruno de Menezes e Dalcídio Jurandir para a interpretação das transformações sociais e culturais do Pará.

Memória

Entre os participantes estava Maíra Bahia, de 26 anos, professora de redação e língua portuguesa. Moradora de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém (RMB). ela participou pela primeira vez de uma aula pública de Michel Pinho e aproveitou a programação também como uma oportunidade de ampliar o repertório utilizado em sala de aula.

image Maíra Bahia é professora de redação e língua portuguesa (Foto: Iban Duarte/O Liberal)

“Tudo vira repertório para quem é professor de redação, de língua portuguesa, de literatura. O intuito foi justamente aprender um pouco mais sobre Belém e sobre essa relação que existe entre arte e literatura aqui no nosso Estado”, contou.

Ela chegou ao local no horário marcado e disse ter se surpreendido positivamente com a experiência. “Eu pensei que ia ser mais exaustivo do ponto de vista pessoal, mas acho que passou rápido. A todo momento o Michel e o Pedro acrescentavam uma coisa diferente. Não foi repetitivo”, relatou.

Para Gabriela Feitosa, coordenadora do Instituto Cultural Vale, a proposta surgiu a partir da curadoria da Casa de Cultura de Canaã dos Carajás e buscou aproximar a população do patrimônio por meio da experiência direta nos espaços da cidade. “Nada é mais interessante do que trazer as pessoas para a rua, onde de fato a cultura acontece, onde de fato a cultura se desdobra”, afirmou.

image Gabriela Feitosa é coordenadora do Instituto Cultural Vale (Foto: Ivan Duarte/O Liberal)

A iniciativa, segundo ela, também está relacionada ao compromisso de ampliar o acesso à cultura e estimular a reflexão sobre a identidade paraense. “Trazer as pessoas para o Centro Histórico, para conhecer a nossa história, através do que foi a Academia do Peixe-Frito, é muito significativo”, destacou.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Belém
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM BELÉM

MAIS LIDAS EM BELÉM