Após pouco menos de dois meses de obras, iniciadas em julho deste ano, o restauro da fachada da Catedral Metropolitana de Belém, localizada no bairro da Cidade Velha, foi oficialmente entregue na noite desta quarta-feira (24). A solenidade de inauguração foi precedida por uma missa em ação de graças presidida pelo arcebispo Metropolitano de Belém, Dom Júlio Endi Akamine, em um momento que reuniu a comunidade. Em seguida, os fiéis puderam contemplar a reforma na cerimônia oficial de entrega, quando foi acesa a nova iluminação externa do templo.
A obra contemplou reparos no reboco, limpeza e pintura, além do restauro das pedras de ilhós, de portas e janelas que estavam precisando de cuidados. Também foram restauradas as partes de metal nas cúpulas das torres de cruz, recuperada a iluminação externa, que há muito não se via, e realizados os trabalhos para colocar os relógios em funcionamento, assim como a manutenção dos sinos.
A iniciativa teve início a partir de uma conversa com o cura da Catedral Metropolitana, monsenhor Agostinho Cruz, que confiou na proposta apresentada pelo empresário André Tavares e autorizou que o projeto seguisse adiante. Segundo o monsenhor Agostinho Cruz, que também é vigário geral da Arquidiocese de Belém, a Catedral Metropolitana, que atravessa gerações ao longo de mais de três séculos como marco da fé católica e patrimônio histórico e cultural do povo paraense, teve sua fachada totalmente restaurada, recuperando o esplendor de sua imponência e a solidez que se projeta para o alto, com mais de 40 metros de altura.
A igreja-mãe da Arquidiocese, de acordo com o monsenhor Agostinho, foi contemplada por um projeto inovador. “Como todo patrimônio histórico, o templo precisa sempre de manutenção, de revitalização e de cuidados, para que não venha a se deteriorar. E a Catedral sempre precisa dessa manutenção. Esse projeto nasceu do coração de um empresário. Nós não fomos nós que fomos atrás. Ele chegou até mim, nós começamos a conversar, dialogar e vimos a viabilidade do projeto. O projeto começou ainda no mês de março, com as conversas e tratativas, e começou a ser executado a partir de julho”, diz.
Simbolismo para a cidade
Sobre a importância da revitalização, o cura da Sé destaca: “A Catedral não é só um patrimônio histórico, mas é um sinal da fé e da devoção do povo paraense. A igreja fica às margens da baía do Guajará e, durante o dia, é imponente e vistosa, como se fosse um farol. E, à noite, resplandece sua beleza. Por isso, foi feita toda a revitalização da fachada, que envolveu reparo de rachaduras, rebocos e pintura, que é totalmente específica para esse tipo de material. Todo custo foi arcado por eles. Ou seja, a Catedral de Belém e também a Arquidiocese de Belém não tiveram nenhum custo”.
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Sonho realizado
O engenheiro e idealizador do projeto, André Tavares, afirmou que o sonho se tornou realidade. Com o serviço, foram recuperadas as paredes, o revestimento e as texturas. Segundo ele, a obra devolveu brilho às pedras que rodeiam as paredes externas, houve restauro das esquadrias e da porta principal. Além disso, com a restauração, também "devolveram voz aos sinos". “Mais ou menos uns 25 anos venho pensando nessa reforma. Isso porque a igreja, arquitetonicamente falando, é ímpar. E eu sabia que restaurar essa fachada era muito caro”, comenta.
André ainda lembra que o restauro da fachada da Catedral só foi possível graças a uma ampla parceria. O engenheiro lembra, também, que a tinta mineral, item mais caro da obra, foi adquirida com desconto de fábrica e que os andaimes foram fornecidos por empresas locais. Segundo ele, empresários amigos aceitaram contribuir prontamente, mesmo sem ver o projeto, tornando viável a realização da reforma. Para o engenheiro, é muito simbólico que a obra tenha sido entregue às vésperas do Círio de Nazaré.
“Atualmente, eu estou fazendo o restauro do Mercado de Carne e do Mercado de Peixe e eu tenho um itinerário: toda segunda-feira eu venho à igreja e passo os meus cinco minutos rezando. Eu falei ao monsenhor, certo dia, que eu iria fazer o restauro da igreja de graça, que não tinha dinheiro do estado e nem do município. Era uma iniciativa minha e era um sonho meu. Foi quando chamei uma arquiteta de restauro, que é a Tainá e trabalha comigo, e ela doou esse projeto para a gente. Tudo foi feito com amor e com muita fé”, comenta o engenheiro.
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Sinal de Deus
Durante a homilia, se direcionando aos fiéis, o arcebispo Dom Júlio destacou que a reforma representa um sinal de Deus. “Se trata de preservar o patrimônio sacro. Temos muito zelo pela casa de Deus. Somos convidados a passar do sinal ao mistério. Tudo na igreja é sinal. Isso é sinal do mistério de Deus. O inefável se faz presente diante de nós”, afirma Dom Júlio.
“O que diferencia o templo de uma construção qualquer é a humildade e penitência que estamos diante de Deus. Tudo isso nos faz ver Deus. Na igreja, ele [Deus] comunica a sua graça. Isso porque sob o altar está Cristo. Ficamos felizes de receber essa obra, porque está aí a manifestação de Deus. Um olhar sem fé só vê fachada, tinta e gastos, mas um olhar de fé nos faz perceber a presença do Criador entre nós”, acrescenta o arcebispo.
As empresas envolvidas na obra foram a LC Equipamentos, Tainá Arruda Projetos de Restauro, Postos Dallas, CNPAG Advogados, Recicle Soluções Ambientais, Vitria Oftalmologia, além do vereador André Martha e da TEN Energia e Construtora Ltda. Ainda durante a celebração, um grupo de crianças da Arquidiocese de Belém fez a entrega de um certificado de agradecimento pela obra.
