Campanha arrecada recursos para Museu Goeldi

Objetivo é melhorar infraestrutura para receber animais vítimas de comércio ilegal e de maus tratos

Dilson Pimentel

Uma campanha está sendo realizada para arrecadar recursos para a reforma do recinto das aves do Museu Goeldi. O objetivo é melhorar a infraestrutura para receber animais vítimas de comércio ilegal e de maus tratos. Até agora, já foram arrecadados pouco mais de R$ 21 mil. A meta é conseguir R$ 86 mil. As contribuições para a campanha estão sendo feitas junto ao ProGoeldi, programa da sociedade civil de apoio ao MPEG, coordenado pelo Instituto Peabiru, entidade sem fins lucrativos com sede em Belém.

Responsável pela fauna do parque zoobotânico, o veterinário Antonio Messias, do Museu Goeldi, disse que, a partir do momento em que uma instituição se propõe a manter animais em ambientes restritos - o que significa um compromisso maior quanto ao bem-estar do animal - é fundamental que se ofereça um ambiente naturalizado, seguro, "o que é muito importante para que a gente possa utilizar esses equipamentos propiciando bem-estar animal e, para o visitante, uma situação visual mais confortável".

Segundo ele, o Museu conta, hoje, com três ambientes, um deles coletivo, de várias espécies, que, disse, estão em ótimas condições e bastante naturalizados. Há dois ambientes novos, cuja readequação foi feita com o apoio da Vara Ambiental do Juizado de Altamira, que patrocinou esses viveiros. "Entretanto, temos, ainda, alguns viveiros em situação bastante precária. Um deles com uma espécie ameaçada, que é a ararajuba (são cinco araras). E, também, o viveiro das (seis) corujas. Esses ambientes requererem adequações, para que possam propiciar uma ambientação que favoreça o bem-estar dos animais e, também, tenha uma composição estética em relação aos outros que já estão sendo feitos", afirmou.

"Sem o mundo, nós não existiríamos", disse veterinário


Antonio Messias observou que, pelo fato dos órgãos ambientais não contarem com centros de recepção de animais, o parque zoobotânico do Museu "é receptor de todas as demandas de animais da região amazônica, tanto dos órgãos de fiscalização ambiental quanto particulares. São, por exemplo, animais resgatados. Não é obrigação do Museu isso. Mas, considerando o bem-estar animal e a parceria com essas instituições, a gente tem tentado contribuir nesse apoio a essa demanda. Mesmo porque os animais não têm culpa. Eles são vítimas. Mas isso tem custos: medicamentos, manutenção, tratamentos", disse.

"Alguns animais que chegam ao parque são tratados e devolvidos às instituições. Outros animais são mantidos, cuidados e, depois, devolvidos às instituições para reintrodução (à natureza), como é o caso das onças. Em cinco anos, o Museu recebeu mais de seis filhotes de onças, resgatados por órgãos ambientais", afirmou. E completou: "Todo apoio que se dá às instituições zoológicas, à causa pela conservação, é muito importante".

O veterinário observou que o ser humano nada mais é do "que um animal no ápice da cadeia zoológica: ele pensa e tem o controle de todos os seres vivos. Mas é muito importante refletir que, sem o mundo animal, nós não existiríamos. O planeta terra não seria viável. Então, a gente tem que esse compromisso ético e moral com as outras espécies de vida".

Com quase 125 anos de existência, o Parque Zoobotânico do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) recebe diversos representantes da fauna amazônica, a exemplo das aves, vítimas de desmatamento, maus tratos, comércio e cativeiro ilegal. Em meio a duas mil plantas, os animais ali abrigados encontram cuidados médicos, tratamento adequado, muito carinho e ajudam a sensibilizar os visitantes para a importância da Amazônia.

As aves colorem o Parque do Museu Goeldi e podem ser encontradas ao ar livre ou em recintos, todavia os espaços precisam ser modernizados. As ações para a ampliação da infraestrutura dos abrigos já iniciaram, mas faltam recursos para todos os 5 ambientes existentes, bem como para adquirir novos equipamentos de informação direcionados ao público visitante. Em meio às comemorações do aniversário da capital paraense, foi lançada uma campanha de financiamento coletivo, na plataforma Benfeitoria, com o objetivo de ajudar a conclusão desse processo. No aniversário de Belém, dê um presente para você: colabore com a reforma dos Recinto das Aves do Museu Goeldi!

Locais que abrigam aves precisam de reformas (Igor Mota)

Parque zoobotânico é o mais antigo do Brasil


Localizado no centro da cidade de Belém, o Parque Zoobotânico do MPEG se estende por 5,4 hectares, se constitui em um refúgio para animais diversos, como exemplares de 23 diferentes espécies de aves, e um local privilegiado de educação. É um dos pontos turísticos e de lazer ambiental mais frequentados da cidade.

Fundado em 1895, é o mais antigo zoobotânico brasileiro. Referência de pesquisa em ciências naturais e humanas relacionadas à Amazônia, o Museu Goeldi se propõe a melhorar a estrutura que acolhe os animais e também busca ampliar as estratégias para compartilhar conhecimentos com cerca de 300 mil visitantes anuais para a importância da conservação da natureza. Atualmente, alguns dos recintos para avifauna já estão em reforma para aumentar altura e largura. No entanto, é necessário incluir, nesse processo de renovação, a ampliação de todos os recintos, permitindo a instalação de suportes que vão melhorar o bem-estar dos animais, afetando positivamente o manejo reprodutivo e sanitário.

Quem colaborar com a campanha de financiamento também estará contribuindo para a instalação, nos caminhos por onde circulam os visitantes, de equipamentos que emitem informações diretamente aos smartphones cadastrados, por meio da tecnologia bluetooth, conhecidos como beacons. Será uma rota de conhecimento, potencializando a sinergia do público com aves de portes variados, permitindo aos visitantes o acesso e conhecimento sobre elas, sua importância no funcionamento de ecossistemas e culturas amazônicas.

Serviço

Campanha para “reforma do recinto das aves Museu Goeldi
Financiamento coletivo até 3 de fevereiro de 2020.
Meta: R$ 86 mil.
Acesse o link e colabore: benfeitoria.com/museugoeldi

Museu Goedi é bolsão verde da capital  (Igor Mota / O Liberal)

 

Belém
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