Brincadeiras lúdicas reforçam laços familiares e ajudam no bem-estar de crianças nas férias
Momento é propício para atividades diferenciadas e que podem aliviar o estresse de mais um verão na pandemia e com férias diferentes
Alguns pais ficam em dúvida sobre como manter os filhos entretidos no período em que permanecer em isolamento social ainda é o método mais eficaz de proteger adultos e crianças da covid-19. No período de férias escolares, a ausência de viagens e contato com outras áreas externas - como acampamentos ou colônias de férias - pode causar estresse e tédio nas crianças. E caberá aos adultos lidar com os humores dos pequenos.
Apesar de ser a opção mais fácil, os equipamentos eletrônicos não são os mais indicados para resolver esse problema. O uso dessas tecnologias precisa ser feito de forma controlada. Especialistas observam que a exposição exacerbada a telas pode causar problemas oftalmológicos, de atenção, concentração, alterações no sono, entre outros inconvenientes para as férias (que deveriam ser para descanso e lazer).
O cérebro da criança está em fase de desenvolvimento e é como uma esponja: absorve tudo o que a ele é exposto. O mundo virtual é muito fácil, colorido, editado e divertido. Um tempo longe vai exigir que a criança tenha ideias e coloque a criatividade em prática.
“Eu tive grande dificuldade com minha filha no início da pandemia. Antes, ela brincava com os amigos na escola e em casa assistia televisão e ficava no tablet. Quando o isolamento começou, percebi que o uso do tablet estava exagerado. Então comecei a pesquisar coisas que ela poderia fazer para passar o tempo longe dos eletrônicos”, conta Maricele Moreira, bacharel em artes visuais e mãe da Sophia, de sete anos.
A opção encontrada por Maricele foi inserir nas atividades cotidianas as brincadeiras com massa de modelar, pinturas, recortes e artesanato com miçangas. “Bijuterias com miçangas era uma coisa que minha irmã e eu fazíamos na infância. Resgatar isso desbloqueou memórias e eu e minha filha ficamos ainda mais próximas”, conclui a mãe da Sophia.
A terapeuta ocupacional Clarice Oliveira reforça: esse é o momento ideal para usar a criatividade e desenvolver atividades que promovam o desenvolvimento social, motor e intelectual das crianças. Essas brincadeiras, muitas vezes resgatadas da infância dos pais, além da diversão, estreitam os laços entre os familiares.
“Usem a internet a favor de vocês. A gente tá sempre na frente do celular e às vezes nem usa essa facilidade para encontrar atividades. Há muitas atividades legais na internet que conseguimos fazer com coisas que temos em casa.Tipo trigo, sal, algum óleo, água e corante e a gente tem uma massinha de modelar por exemplo”, exemplifica a terapeuta ocupacional Clarice Oliveira.
Atividades podem abusar das artes e devem estimular a imaginação
As opções são variadas e podem envolver a imaginação, músicas, escrita e até mesmo costura. Criar o próprio jogo de tabuleiro, imagem e ação, adedonha (“stop”), desenhar, escrever cartinhas, construir o próprio quebra-cabeça com fotos da família, jogos de adivinhação, costurar roupas para bonecos. Vale também propor uma caça ao tesouro, cuidar de plantas e ainda uma peça teatral. Incluir as crianças em atividades domiciliares também é uma boa opção, considerando o que elas são capazes de fazer.
“Dentro da terapia ocupacional a gente visa a ludicidade e o protagonismo infantil. Orientamos aos pais que promovam aos filhos as brincadeiras lúdicas, criativas. Brinquem com os filhos de vocês. Todo mundo já foi criança. Então, em algum lugar do nosso ser, a gente ainda sabe como brincar. As crianças são muito criativas. Provavelmente já têm uma ideia do que e como eles querem brincar. Junho é um mês de lazer. Promovam esse lazer dentro da casa de vocês”, aconselha a terapeuta.
Usando os conhecimentos da terapia ocupacional, Clarisse Oliveira e a esposa criaram atividades lúdicas para tirar a afilhada do tédio no início da pandemia. Após o sucesso entre os familiares, a atividade, que era apenas para a criança, se tornou o “Fora da Caixinha” (@foradacaixinhabelem). Uma caixa com quatro atividades de quatro nichos diferentes: ecológico; faça você mesmo; culinária e laboratório. A proposta é que as crianças aprendam brincando.
“O nosso serviço disponibiliza os materiais e o passo a passo, para que os pais auxiliem os filhos em cada atividade. Pensamos em atividades que tenham o começo, meio e o fim. As brincadeiras promovem habilidades que as crianças estão desenvolvendo: criatividade, atividades manuais, senso de responsabilidade, coordenação motora fina, grossa, atividades que favoreçam o social. As atividades fora da caixinha não são atividades pensadas só naquele momento. Elas criam expectativas, fazem as crianças se interessarem por aquilo, visando sempre o resultado final”, destaca Clarice.
(Bruna Ribeiro, estagiária sob a supervisão de Victor Furtado, coordenador do Núcleo de Atualidades)
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