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Avao: voluntariado transforma dor em acolhimento a pacientes com câncer em Belém

Associação soma 27 anos e oferece refeições, terapias e acolhimento a pessoas em tratamento oncológico

Dilson Pimentel
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"Quando as pessoas se unem, a fé aumenta e a dor diminui". A frase, estampada na camisa de quem trabalha na instituição, reflete bem a atuação dos voluntários da Associação Voluntariado de Apoio à Oncologia (Avao), que funciona em Belém e existe há 27 anos. A presidente Ana Klautau Leite, que faz questão de se definir antes de tudo como voluntária, explicou que a Avao foi criada dentro do Hospital Ophir Loyola (HOL), que é referência no atendimento de pacientes oncológicos, no dia 10 de março de 1999.

 

E o Dia Mundial de Luta Contra o Câncer foi celebrado nesta quarta-feira (8). A data objetiva conscientizar sobre a prevenção, diagnóstico precoce e tratamento da doença. Inicialmente, o trabalho da associação era realizado na própria unidade hospitalar, com a entrega de fraldas aos pacientes. No ano seguinte, em 2000, a associação passou a funcionar em uma casa localizada na avenida Magalhães Barata, onde ampliou as atividades, incluindo a oferta de café da manhã e almoço.

“Nosso trabalho era dentro do hospital, entregar as fraldas. Quando fomos para fora, passamos a dar café e almoço”, relembrou Ana Klautau Leite. As doações de fraldas continuaram sendo feitas semanalmente no hospital, enquanto a nova sede permitiu a ampliação do atendimento. Com o crescimento das atividades, surgiu a necessidade de um espaço próprio. A entidade contou com apoio financeiro para a compra de um imóvel. Em 10 de agosto de 2001, a Avao passou a funcionar no endereço atual, onde mantém suas atividades até hoje.

Na nova sede, os serviços foram ampliados. Além das refeições, passaram a ser oferecidas atividades como fisioterapia e outras ações voltadas ao bem-estar dos pacientes. Com o tempo, o espaço também se tornou pequeno, o que levou à realização de campanhas para ampliação. A entidade contou com apoio de parceiros e da própria população, que contribuiu de diversas formas, inclusive com doações anônimas de materiais de construção. “Uma vez, colocaram uma carrada de areia aqui e, até hoje, não sabemos quem foi”, contou. “Graças a Deus, sempre tivemos o apoio da nossa população”, acrescentou.

image Artesã Maria Ângela Tavares, de 66 anos: "Aqui a gente tem apoio, é tratado como família. Me sinto em casa” (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

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Associação oferece atividades terapêuticas

Atualmente, a Avao atende pacientes com câncer em tratamento no Hospital Ophir Loyola (HOL. Em março deste ano, foram servidas 2.032 refeições na sede da instituição, para pacientes e seus acompanhantes. O acesso aos serviços ocorre por meio de encaminhamento hospitalar do “Ophir Loyola”, de onde a pessoa tem que ser paciente. “Pacientes em tratamento com ‘soro vermelho’ e em radioterapia podem receber cestas básicas, mediante requisição do hospital. Os pacientes não moram na sede. “O nosso trabalho encerra com o almoço. Às duas da tarde a Avao já está fechada”, explicou.

Além da alimentação, a associação oferece oficinas e atividades terapêuticas. Entre elas, aulas em parceria com a Universidade da Amazônia (Unama), musicoterapia e oficinas de crochê. O atendimento ocorre durante o dia e se encerra após o almoço, por volta das 14 horas. A manutenção da entidade depende exclusivamente de doações da sociedade. “Todos nós, a sociedade. Graças a Deus, sempre tivemos apoio”, destacou Ana Klautau Leite. Entre os desafios, ela resumiu de forma direta: “É tudo. Nada é fácil. Nem Jesus disse que seria fácil”. Na manhã desta quarta-feira (8) chegou uma doação de fraldas.

Para arrecadar recursos, a Avao promove eventos solidários ao longo do ano, como encontros com sorteios de prêmios. “Temos dois encontros de amor e solidariedade, em junho e dezembro. A gente vai pedindo, consegue os prêmios, faz os sorteios. E, até hoje, estamos conseguindo manter”, contou. Segundo a presidente, o número de pacientes tem aumentado ao longo dos anos. Ainda assim, ela definiu a associação como “o refrigério do hospital”. “Eles chegam com dor, preocupados, e aqui a gente conversa, acolhe. Às vezes chegam tristes, mas saem renovados”, afirmou. Os pacientes são de baixa renda e muitos residem no interior do Estado.

Sobre atuar na AVAO, ela definiu assim: “Foi o maior presente que recebi na minha vida. Eu agradeço a Deus sempre”. Ao longo dos 27 anos de atuação, a entidade já realizou um volume expressivo de atendimentos. Embora não haja um número exato, uma estimativa aponta mais de 1 milhão de atendimentos realizados no período.

image A dona de casa Dolores Alves Garcia, 69, participa das atividades há 14 anos. “Estar aqui é tudo na minha vida. Alegria, paz. Aqui é tudo de bom”, disse (Foto: Thiago Gomes | O Liberal)

“Aqui somos tratados como família”, diz artesã

Entre os beneficiados está a artesã Maria Ângela Tavares, de 66 anos, que frequenta a instituição desde os 40 anos, após passar por uma cirurgia, em 2000. “É muito gratificante na minha vida. Aqui a gente tem apoio, é tratado como família. Me sinto em casa”, contou. Ela participa das sessões de musicoterapia e utiliza os serviços durante consultas e exames. “Às vezes chego triste, mas saio renovada”, afirmou.

Outra frequentadora é a dona de casa Dolores Alves Garcia, de 69 anos, que participa das atividades há 14 anos. “Estar aqui é tudo na minha vida. Alegria, paz. Aqui é tudo de bom”, disse. Ela participa de atividades como musicoterapia, fisioterapia e eventos culturais promovidos pela associação, como concursos e festas juninas. “Saio daqui renovada”, resumiu. Dolores também destacou a importância de manter uma atitude positiva: “Tenho 69 anos, mas não me considero velha. Pensamento positivo é o que temos que ter”, afirmou.

Como ajudar:

A AVAO recebe doações de fraldas, roupas e cestas básicas.

Interessados em contribuir podem entrar em contato pelo telefone (91) 3249-8450, pelo e-mail avaonet@hotmail.com ou via Pix, utilizando a chave CNPJ 03114293000126.

A sede funciona de segunda a sexta-feira, das 7 às 14h, na travessa 14 de Abril, nº 1472, no bairro de São Brás, em Belém

 

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