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Veja dicas para aproveitar as férias escolares em família

Segundo a psicóloga Larissa Sales, as programações familiares sem uso de telas evitam afastamento entre os membros

Lívia Ximenes

As férias escolares de crianças e adolescentes alteram, em grande parte, a dinâmica familiar. Com mais tempo livre, a busca por alternativas para ocupar o dia a dia é constante, independente da faixa etária. Em muitos casos, pais e responsáveis optam por atividades em praças e parques, garantindo o contato com a natureza — ação recomendada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que indica o acesso diário de, pelo menos, 1 hora, para o desenvolvimento pleno da saúde física, mental, emocional e social.

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Christian e Beatriz Cerbino, pais de Lorenzo (4 anos) e Antonela (2 anos), decidiram levar as crianças à Praça da República no último domingo (28) como uma maneira de distraí-las. Ele afirma que, apesar de incluir os pequenos nas tarefas de casa, é necessário descobrir outros meios para entrete-las. “A gente tem que inventar ocupação para eles”, diz o pai.

“Tem piscina, tem aqui a praça e bicicleta, para eles realmente cansarem. Porque, se ficarem dentro de casa, fica aquela danação e é até mais difícil para a gente conseguir conter”, conta Christian. A psicóloga Larissa Sales explica que, na primeira infância — período do nascimento aos 6 anos —, as crianças costumam ser mais complexas, com necessidade de atenção extrema e muita aceitação. Por isso, recomenda-se que os responsáveis sempre acolham os pequenos e estabeleçam regras, ajudando no desenvolvimento da autonomia, como Christan e Beatriz fazem.

Observação e conexão

Os momentos de brincadeiras com Lorenzo e Antonela são uma experiência única para os pais. “É bom, é onde a gente aproveita mesmo para curtir eles, observar a evolução deles, fazer umas fotos para a gente guardar de recordação”, fala o pai. Christian também conta que as expectativas para as próximas férias são de viagens, principalmente sem o suporte de outras pessoas, para aproveitarem mais o núcleo familiar.

“É essencial que se possa conversar entre os membros da família para conhecer o que cada um gosta de fazer, com isso se torna mais fácil alinhar e definir um roteiro. A conexão vai se estabelecendo conforme a conversa vai fluindo, os gostos e as afinidades irão se estreitando. Mas, fundamentalmente, o desejo pela presença física, as trocas afetivas e intelectuais que serão feitas nesse meio familiar é o que vai fazer com que qualquer atividade seja prazerosa”, aponta a psicóloga.

Adolesência em pauta

Em famílias com adolescentes, que vivem uma fase cheia de transformações, é comum que conflitos surjam com mais frequência. Larissa, então, destaca o poder da conversa e recomenta algumas atitudes: “Um diálogo que possa ser aberto, acolhido sem julgamentos e punições, respeitoso, evitando comparações. Por parte dos adolescentes, ter uma escuta empática, isenta de atitudes agressivas ou impulsivas.”

Esse é o caso de Luna Nascimento, mãe de Alan (16 anos) e Luan (10 anos). Ao lado do companheiro, Rafael Silva, ela busca incluir os meninos nas atividades cotidianas da casa, assim como se interessa em conhecer aquilo que eles gostam. “A gente sempre tenta estar juntos. Eu jogo videogame com eles, às vezes vão ao supermercado comigo. A gente tenta fazer joguinhos”, relata.

Durante um piquenique na praça, a família aproveitou para levar jogos de cartas e, dessa forma, gerar mais conexões. O fortalecimento desses vínculos é importante nas férias, de acordo com Larissa, visto que o cotidiano tem sido cada vez mais acelerado com a carga horária de trabalho, estudos e demandas domésticas.

Olho no olho

“O uso das telas tem impactado fortemente as dinâmicas familiares atualmente e o resultado disso é, inevitavelmente, o afastamento entre os membros e a escassez do contato, da presença física, afetiva e do diálogo. Deixar a tela de lado por alguns instantes é um gesto de demonstração que você também preza pela presença do outro na sua vida”, ressalta a psicóloga. Para Luna, que também é professora, passeios em parques e praias são uma prioridade durante o recesso escolar, visto que as obrigações diárias ocupam a agenda nos outros períodos.

Larissa Sales destaca que cada família possui uma dinâmica peculiar de funcionamento e, mesmo assim, as discordâncias podem surgir. Por isso, a psicóloga sugere que os responsáveis organizem atividades diferentes, que incluam novos lugares e ações inéditas. “A saúde mental perpassa por todas essas questões, desde quando os familiares estão decidindo por quais passeios irão fazer até a pós-diversão. É válido que esses momentos de lazer e interação afetiva não necessariamente precise ser feita com gastos exorbitantes. Atividades simples também podem ser muito significativas”, conclui.