Paraenses aproveitam atividade física ao ar livre em busca de leveza mental
Frequentadores do Portal da Amazônia explicam como a caminhada fora das academias traz benefícios para a saúde; Psicólogo clínico explica como o movimento do corpo libera substâncias que regulam o humor
A lista de benefícios proporcionados pela prática de atividades físicas parece não ter fim, e se elas acontecerem ao ar livre, melhor ainda. O papel positivo que as atividades em ambientes abertos desempenham na promoção do bem-estar emocional e mental dos jovens é crucial.
A administradora Luciana Barros foi a incentivadora do noivo Ney Lourino, profissional de educação física, para a caminhada matinal no Portal da Amazônia. Sempre optando por estar ao ar livre fazendo caminhadas, ela revela que estar em ambientes com visuais diferentes, e sem a saturação visual encontrada nas academias, faz a diferença na hora de se exercitar; esse tipo de escolha ajuda para além do físico.
“Me sinto mais leve, parece que eu estou pronta pra continuar o dia. Se eu tivesse iniciado meu dia sem uma atividade física, parece que estaria alguma coisa errada. Eu me sinto pronta, mais leve para fazer outras coisas, para trabalhar, para sair. Quem vive muito na academia já está preso ali nas mesmas imagens; estar na natureza, ao ar livre, tu tiras aquela poluição visual que tu vês todos os dias. A cor e o vento, tudo faz a diferença”, pontua a administradora.
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Estar ali fez toda a diferença para Ney Lourino: “A cabeça fica mais leve, sai dessa normalidade. Sou professor de jiu-jitsu e de judô, gosto muito e sinto um prazer na minha profissão, mas a sensação que eu estou sentindo agora é tão boa quanto quando acaba uma aula. Essa sensação de achar um outro lugar onde eu consigo me realizar tanto quanto no trabalho, a caminhada, foi especial.”
Estar em ambientes externos que estimulam as pessoas a se movimentarem pode trazer aos adeptos desses tipos de atividades físicas a possibilidade de ficar mais bem-humorado, menos ansioso, com mais bem-estar, reduzir o estresse e se sentir mais feliz. Esses pontos são destacados pelo empresário Manoel Farias, que intercala a academia com esse tipo de atividade, mas ele destaca que não abre mão dos ambientes ao ar livre.
“Eu costumo caminhar pela manhã, aos domingos principalmente, mas fazendo academia no meio da semana, para me sentir muito bem. Percebo que tira o estresse e deixa a gente mais leve. Eu sempre gosto de estar aqui, na Tamandaré, na Doca ou no Parque do Utinga”, conta.
Vito de Almeida, psicólogo clínico, explica a importância de manter a constância da atividade física, já que ajuda diretamente o corpo e o cérebro. Ele explica que, quando a pessoa se movimenta, o organismo libera substâncias ligadas ao bem-estar, como endorfina, serotonina e dopamina, que ajudam a regular o humor e reduzir a ansiedade; também há uma diminuição dos níveis de cortisol, que é um hormônio relacionado ao estresse.
“Muitas pessoas percebem efeitos logo depois do treino, como sentir o corpo mais relaxado, a mente mais clara, o humor melhora e uma sensação geral de alívio. O exercício também ajuda a gastar aquela energia acumulada pelo estado constante de alerta em que muitas pessoas ansiosas vivem no dia a dia. Outro ponto importante é que a atividade física ajuda a quebrar o ciclo do excesso de estímulos. O uso prolongado de telas mantém o cérebro acelerado, sempre recebendo informações e demandas. Quando a pessoa inclui o exercício na rotina, ela cria uma pausa desse ritmo acelerado, o que favorece o funcionamento mais equilibrado do corpo e da mente. No fim das contas, o exercício físico não é só uma prática saudável, mas é uma forma de ajudar o organismo a desacelerar, se organizar e lidar melhor com a ansiedade no cotidiano”, explica o profissional.
Como citado, o exercício físico é um dos elementos importantes para manter a saúde mental em dia. Os realizados ao ar livre potencializam outros pontos como, por exemplo, a exposição à luz solar e ao ambiente natural, que elevam a satisfação e a energia, além de aumentarem os níveis de vitamina D, que ajuda a regular substâncias como a serotonina, neurotransmissor relacionado ao humor e ao bem-estar. Essa atividade em ambientes externos pode ser uma aliada para o tratamento de diagnósticos relacionados à saúde mental, mas é importante estar alerta aos sintomas e procurar a ajuda de um médico. Muitas vezes, qualquer nervosismo é rotulado como ansiedade, o que pode levar à banalização do termo; é necessário entender a distinção entre um estresse comum e a patologia.
“A ansiedade faz parte da vida. Todo mundo sente ansiedade em algum momento, principalmente diante de algo novo, importante ou desafiador. Essa ansiedade do dia a dia é uma resposta natural do corpo e costuma passar depois que a situação se resolve. A crise de ansiedade é diferente: ela acontece quando a resposta do corpo fica intensa demais, o organismo entra em um estado de alerta muito alto, como se estivesse diante de um perigo, mesmo quando não há uma ameaça real naquele momento. Enquanto no estresse ou no susto o corpo reage e depois se acalma, na crise de ansiedade essa ativação demora mais para diminuir. Nesses momentos, é comum a pessoa sentir o coração acelerar, falta de ar, aperto no peito, tremores, suor excessivo, tontura e muita tensão no corpo. Emocionalmente, aparecem sensações de medo intenso, angústia, perda de controle ou a impressão de que algo grave vai acontecer. Não é exagero e nem fraqueza; é o corpo reagindo de forma real e intensa, e isso precisa ser levado a sério”, finaliza Vito de Almeida.
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