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Dia Nacional de Combate ao Fumo: veja dicas de como abandonar o uso do cigarro

Em Belém, funciona o Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante, da Sespa, que oferece tratamento gratuito para quem quer abandonar o uso do cigarro

Dilson Pimentel

O Dia Nacional de Combate ao Fumo é celebrado nesta sexta-feira (29). A data foi criada em 1986 pela Lei nº 7.488, com o objetivo de conscientizar a população sobre os males do tabaco e incentivar a mobilização contra o tabagismo. A iniciativa busca alertar sobre os danos à saúde, à economia e ao meio ambiente provocados pelo uso do fumo, além de estimular a adesão a programas de tratamento e apoio para quem deseja abandonar o vício.

Em Belém, funciona o Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (Craft), serviço da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) que oferece tratamento gratuito. No local, o atendimento pode ser feito tanto por encaminhamento médico quanto por demanda espontânea. Em 21 anos de atividade, o Craft já atendeu mais de 6,5 mil pessoas e registra a média de 30 pacientes procurando atendimento a cada mês.

No centro, o tratamento inicia com os exames que vão identificar a trajetória tabagística do paciente e prossegue com a admissão da pessoa em um grupo com outros fumantes para o início do tratamento, que consiste na abordagem cognitiva comportamental. Entre os materiais usados no centro está uma boneca, que faz uma simulação de como é a passagem da fumaça pelo pulmão. Existe um filtro no meio dessa parte transparente que retém todas as impurezas do cigarro. Como parte do tratamento também é aplicado um adesivo no corpo da pessoa.O adesivo libera a substância gradualmente através da pele, aliviando a abstinência, mas seu uso deve ser orientado por um médico.

Psicóloga do Craft, Adriene Robert explica como funciona o serviço: “O nosso funcionamento é porta aberta, é demanda espontânea, tanto por encaminhamento de alguns médicos ou outros profissionais, quanto daqueles que procuram de forma espontânea. No primeiro momento, eles são acolhidos, recebem orientações sobre como ocorre o tratamento e fazem a inscrição”, disse. “Em seguida, passam por uma avaliação clínica, na qual verificamos o histórico de saúde e eventuais comorbidades, como alcoolismo ou transtornos psiquiátricos. Depois disso, avaliamos se o paciente tem perfil para o grupo ou para atendimento individual, mas a base do nosso trabalho é o grupo terapêutico”, afirmou.

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Segundo Adriene Robert, o método adotado é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), realizada em quatro encontros semanais, que funcionam como espaço terapêutico e também de orientação. Os temas abordados incluem estratégias de controle da compulsão, redução do consumo e diferentes formas de cessação do cigarro, seja de maneira brusca ou gradual.

Após essa etapa, quem consegue parar de fumar é direcionado para o grupo de manutenção, que acompanha os pacientes de forma contínua, inicialmente a cada 15 dias e, posteriormente, com intervalos mensais, semestrais e anuais. “Não existe alta para o tabagismo. Ele é uma doença, uma dependência, e o monitoramento deve ser feito por toda a vida”, destacou a psicóloga.

“Canseira e dificuldade para respirar”, relata aposentado

O aposentado José Cristovam de Souza Barreira, de 69 anos, começou a fumar ainda na juventude, aos 17 anos. Procurou atendimento no centro ao perceber os impactos do vício na saúde: “Já estava me prejudicando demais, com canseira, dificuldade para respirar e até para dormir. Tomei a decisão de lutar para parar de fumar. Não é fácil, porque o cigarro vira um companheiro em todos os momentos, mas é um inimigo. Com a ajuda das doutoras (do Craft), eu vou conseguir”, afirmou.

Outro paciente em tratamento é o pedreiro Edvaldo Modesto, de 64 anos, que também começou a fumar aos 17, por influência de amigos: “A gente só percebe os males depois, com exames e os sintomas. Senti falta de apetite, dificuldades para dormir e problemas respiratórios. Comecei o tratamento há pouco tempo, já estou há oito dias sem acender um cigarro e percebo melhoras. Passei a sentir mais o sabor dos alimentos e a dormir melhor. A meta é parar de fumar de vez, nunca mais”, afirmou.

Especialista alerta para riscos do cigarro eletrônico, especialmente entre jovens

Os cigarros eletrônicos, apesar de proibidos no Brasil, continuam sendo consumidos, sobretudo entre os mais jovens, que são alvo direto da indústria tabagista. A dentista Isabelle Alves, técnica do Centro de Referência em Abordagem e Tratamento do Fumante (Craft), alerta para os graves riscos do uso desses dispositivos.

Segundo ela, os cigarros eletrônicos não são regulamentados e apresentam altas concentrações de nicotina, além de outros componentes nocivos. “Os jovens são praticamente o público-alvo da indústria tabagista, que utiliza aditivos, aromas e sabores para mascarar o cheiro e tornar o produto mais atraente. Muitos acreditam que os eletrônicos são menos prejudiciais, mas, na verdade, eles são muito nocivos”, disse.

Isabelle explicou que os efeitos nocivos surgem mais rapidamente do que no cigarro tradicional. “Um dispositivo pode equivaler a 100 cigarros - cerca de cinco carteiras - em apenas três horas de uso. Enquanto o cigarro comum pode levar 15 a 20 anos para causar doenças graves, os eletrônicos já provocam inflamações sérias nos pulmões em menos de um ano de uso”, afirmou.

O tratamento para quem deseja parar de usar cigarros eletrônicos é diferenciado. Além do acompanhamento em grupo e do apoio psicológico, é necessário um plano medicamentoso, acordado com a equipe médica, para reduzir gradualmente o consumo. “Muitos relatam que já acordam utilizando o dispositivo. Por isso, precisamos de um processo escalonado, associado a terapias de apoio, para que consigam vencer a dependência”, explicou a dentista.

Dicas para o abandono do tabaco:

Buscar por apoio profissional, orientação médica e ingresse em programas de cessação do tabagismo, que oferecem suporte especializado e estratégias eficazes para deixar o cigarro

Identificar e evitar gatilhos, e reconhecer os momentos, atividades ou emoções que costumam desencadear o desejo de fumar e encontrar alternativas para lidar com essas situações.

Manter-se ativo. A prática regular de exercícios físicos ajuda a reduzir a vontade de fumar, mas também entra como outra alternativa de prazer, melhora o humor e promove o bem-estar geral.

Adotar uma alimentação saudável, priorize alimentos ricos em nutrientes, de baixa calorias, evitando o consumo de alimentos ultra processados e ricos em açúcares e gorduras saturadas.

Encontrar suporte social, compartilhar programas com amigos, familiares ou grupos de apoio, encontrando conforto e motivação na companhia de pessoas que compreendem seus desafios.

Serviço:

Para ter acesso ao Craft, basta procurar o centro ao lado da URE da Presidente Vargas, em Belém, na avenida Presidente Vargas, n.º 513, entre as travessas Aristides Lobo e Osvaldo Cruz. Atendimento de segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 17h.

FONTE: SESPA