Crianças e pets curtem 3º Arrastão do Pavulagem em Belém
O cortejo do Boizinho Azul, com cinco bois convidados, levou cerca de 35 mil pessoas e 1,2 mil brincantes, membros do Batalhão da Estrela, às ruas nesse domingo (28)
Diversas famílias curtiram o 3° Arrastão do Pavulagem 2026 nesse domingo (28), em Belém. Entre brincantes e espectadores, crianças, pets e idosos festejaram a cultura paraense nas ruas da capital. O cortejo levou cerca de 35 mil pessoas e 1,2 mil brincantes, membros do Batalhão da Estrela, no penúltimo dia de programação junina.
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O Arrastão iniciou às 9h, na Praça da República, com show da Roda Cantada. A pavuleira Maria Collares, de 41 anos, é parte do grupo de dança do Batalhão da Estrela e participa pela segunda vez. “É maravilhoso pela conexão com a nossa cultura da Amazônia, aquele sentimento de pertencimento. É um sonho”, disse enquanto aguardava a saída do cortejo.
Maria iniciou a jornada no Pavulagem em 2024, quando completou 40 anos e decidiu fazer algo diferente. “Ano passado não consegui [participar]. Aí, esse ano, consegui. Espero que ano que vem, assim como o Arraial fez parte dos meus 40 anos, eu faça parte dos 40 anos do Arraial”, contou. Para ela, a ancestralidade é forte durante o Arrastão.
Mirtes Barros, de 55 anos, esteve no Batalhão da Estrela pela primeira vez nesse ano. Membro do grupo de dança, ela começou a participar por influência da irmã, que atualmente está na percussão. “É terapia. Você dança, brinca e conhece novas pessoas. Muita alegria”, apontou.
Pavulagem para todos
Durante o 3º cortejo de 2026, crianças tiveram um espaço especial e seguro para brincarem e aprenderem, desde cedo, sobre a cultura paraense. Vestidos com roupas coloridas, chapéus e bois, os pequenos entraram no ritmo com alegria e concentração. A pinscher Mel, famosa por participar de diversos eventos em Belém, também esteve no Arrastão com óculos de sol e chapéu de fitas coloridas.
As amigas Carolina Costa e Flávia Valente, estudantes de 18 e 17 anos, respectivamente, prestigiam o Arrastão do Pavulagem anualmente e desejam, em 2027, ser parte do Batalhão da Estrela. “O Pavulagem é uma tradição em casa. Desde criança, minha mãe sempre incentivou muito essa cultura paraense, que é muito forte em nós. É lindo de se ver. A gente junta a família, vem no domingo. A gente sempre vem uma ou duas vezes, é sempre muito bom participar”, falou Carolina.
Flávia, que partilha da mesma paixão, destacou a vitalidade da festa: “É algo maravilhoso, a energia do Pavulagem é sensacional. Eu acho único isso e eu sempre venho, todo ano. É representatividade paraense, é o Batalhão da Estrela.” Elas escolheram esse domingo para participar do primeiro cortejo em 2026 e pretendem ir ao próximo, no dia 5 de julho.
“Desde o ano passado, eu tenho muita vontade de participar do Batalhão da Estrela. É algo único, incrível. É algo que contagia”, fala Carolina. A estudante de 18 anos conheceu mais sobre o grupo de brincantes por meio de uma influenciadora e prentende, no próximo ano, estar nele. Flávia também deseja realizar esse sonho e já recebeu o inventivo de uma amiga, que considera o momento como mágico.
Dedicação única
O músico e cofundador do Arraial do Pavulagem Júnior Soares ressaltou a alegria presente no cortejo. “Tá super tranquilo, pessoas estão felizes. É o que a gente prega sempre: traga sua família, seus amigos, vamos celebrar a cultura paraense, cultura amazônica”, falou.
Nesse ano, para Júnior, a persistência é o que marca o festejo. O maior desafio é fazer tudo de forma gratuita, inclusiva e com cuidado ao meio ambiente, segundo o músico. “É persistir, acreditar que a cultura, sim, pode transformar a vida das pessoas para o bem. Isso é uma rede de cultura, a comunidade precisa disso. Vamos fazer o nosso papel”, comentou.
Convidados especiais
O 3º Arrastão do Pavulagem recebeu cinco convidados especiais. Os bois Flor do Campo, Lapichinha, Rei de Ouro e Pai do Campo – do município de Ourém – e Boi Faceiro – da Ilha de Colares. Os grupos participaram da concentração antes do cortejo começar e, no caminho até a Praça Waldemar Henrique, integraram a caminhada. “Os Arrastões sempre foram um espaço de encontro. Receber esses bois é uma forma de celebrar a diversidade das tradições populares amazônicas e valorizar mestres, comunidades e saberes que ajudam a manter viva essa cultura”, falou Júnior Soares.
O Arrastão do Pavulagem continua no póximo domingo, 5 de julho, com mesmo roteiro. A festa começa às 9h na Praça da República, com apresentação da Roda Cantada, e segue pela avenida Presidente Vargas às 10h. Passando pela rua Municipalidade, o cortejo chega à Praça Waldemar Henrique, onde encerra com show do Arraial do Pavulagem.
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