Aluno da UFPA desenvolve madeira biossintética

Projeto é ecologicamente correto

Dilson pimentel

O aluno da Universidade Federal do Pará Melquizedec Negrão Jr desenvolveu uma madeira biossintética a partir de resíduos plásticos recicláveis e caroços de açaí. Graduando em Engenharia de Bioprocessos pela UFPA, ele estudou o açaí durante três anos, em sua iniciação científica, e viu a potencialidade de aplicar o resíduo do caroço, depois que bate o fruto, transformando-o em um novo tipo de material. "E, a partir disso, eu desenvolvi essa madeira biossintética e, posteriormente, eu submeti ao Desafio Inove+ 2017 - maior evento de empreendedorismo universitário do Pará, organizado pela Agência de Inovação Tecnológica da UFPA. E foi quando eu conheci o Renan (Renan Brandão), que é mestre em Ciências Econômicas aplicada ao setor moveleiro. Em 2017, a gente ganhou aquele desafio Desafio Inove+ 2017. E, a partir disso, nasceu a Madtech Startup, que produz matéria biossintética. É a primeira indústria de impacto da Amazônia", disse. "Produzimos a matéria biossintética a partir de resíduos plásticos recicláveis e caroços de açaí. E desenvolvemos um filamento para impressão em 3 D. E, desse filamento, a gente imprime móveis sustentáveis", explicou.

Segundo ele, o grande objetivo é conseguir substituir a madeira extrativa por essa madeira biossintética. "Contudo, a gente sabe que a madeira é, muitas das vezes, proveniente do desmatamento, porque a legislação não é eficiente em estar monitorando de onde vem essas remessas de madeira. Nosso objetivo é conseguir substituir a madeira extrativa pela nossa madeira, que tem as mesmas aplicações: você pode cortar, envernizar, serrar. O diferencial é porque ela não absorve umidade, é livre de praga, é mais leve, fácil de limpar. Temos o material similar à madeira, só que melhorado", afirmou. A Madtech é um Startup que começou em 2017.

Empresa gera renda para catadores de materiais recicláveis

Ele e Renan já estão produzindo. "Já temos uma primeira linha de móveis ecológicos exclusivos para casa e escritório, composto por banquinhos, mesas. E já estamos preparando uma segunda linha para móveis corporativos. Já temos uma unidade-piloto e a gente vai começar a desenvolver a nossa própria indústria local, na região. A gente já está comercializando os móveis pelo nosso site, e pelas redes sociais. E, também, pelo aplicativo Cycla, que permite você trocar seus resíduos plásticos, acumular uma pontuação e trocar pelos nossos móveis", afirmou.

Melquizedec disse que a receptividade está sendo muito boa, por ser uma novidade. "As pessoas não conheciam a madeira biossintética. A partir do momento em que elas conhecem, entendem a proposta, a funcionalidade, compreendem que é um bem para o meio ambiente. E, por isso, elas estão aceitando de uma forma bem positiva. Estamos tendo grandes vendas. E também estamos tendo parcerias com o governo do Estado, com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Profissional e Tecnológica (Sectet), que já mostrou interesse em adquirir os móveis para a mobília das escolas técnicas do Estado. Tanto o setor civil quanto o governo estão muito interessados em nosso material", afirmou. Melquizedec contou que a Madtech capacita catadores de materiais recicláveis para que coletem os resíduos que eles utilizam na produção da madeira biossintética. "Posteriormente, a gente adquire isso de associações a um preço justo, com o objetivo também de aumentar a renda dos catadores. Tem, aí, o papel social. Depois, esse resíduo é processado, pigmentado, passa por um processo de extrusão até formar a madeira biossintética. A gente coloca outros tipos de compostos e, a partir disso, a gente produz o filamento. Vai para a nossa impressora (que é especial, modificada pra gente) e já começam a sair os conectores e toda a parte do móvel para ser vendido posteriormente", explicou.

Belém tem problema com caroço de açaí, diz aluno

Dura aproximadamente um dia e meio a produção do móvel, porque a empresa está iniciando. "O objetivo é dar escala, adquirir impressoras maiores e a gente conseguir produzir peças grandes, inteiras, e também não apenas no nicho de móveis, mas também a gente quer ir para a construção civil, que tem potencial também, novas embalagens. Já estamos sendo sondados por outras empresas, grandes empresas, que querem adquirir a nossa solução", disse. Melquizedec afirmou que o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo. Ele observou que Belém "tem um problema muito grande com caroço de açaí. Socialmente, o Brasil ganha e o mundo inteiro ganha porque a gente está retirando esse resíduo do meio ambiente e transformando ele em um produto de alto valor agregado, reinsere ele no ciclo produtivo. A mesma coisa o caroço de açaí. Muitas das vezes, ele é jogado nas ruas ou é queimado. Mas a gente consegue transformar um problema em uma solução inteligente, ecologicamente correta e economicamente viável. Socialmente, o benefício é muito grande. As pessoas têm, agora, para onde mandar o seu resíduo. E a gente consegue entregar para ela um novo material. Ambientalmente também, porque, além de contribuir para a diminuição da poluição, a gente também está contribuindo para a diminuição do desmatamento", acrescentou.

Hoje, Melquizedec e Renan trabalham em um galpão em Benevides, na região metropolitana de Belém. "Mas, inicialmente, montei um laboratório no meu quarto e o Renan, no quarto dele. Era um projeto até virar Startup. E, agora, que já ganhamos diversos prêmios nacionais e internacionais, pela ONU também, já adquirimos recursos para montar uma unidade-piloto, que está sendo instalada aqui no galpão, e posteriormente a gente está em busca de mais recursos para montar a nossa fábrica", afirmou. Ainda segundo ele, trata-se de projeto pioneiro. "Não existe nada parecido, porque trabalhamos com resíduos agroindustriais, e isso é um diferencial muito grande. Porque somos também a primeira empresa que está produzindo móveis em 3 D. A gente conseguiu pegar essa madeira e acrescentá-la na indústria 4.0, que é a principal via industrial da industrialização atual".

 

Projeto ganhou visibilidade internacional

O projeto ganhou visibilidade nacional e internacional. Tanto que Melquizedec irá para Harward. Ele foi escolhido como embaixador da Brazil Conference at Harvard & MIT, que é um evento que ocorre anualmente em Harvard. O evento é organizado pela comunidade brasileira de estudantes na região de Boston, nos Estados Unidos, e busca proporcionar, por meio de palestras e de fórum de debates, discussões sobre como solucionar os principais problemas do Brasil. "Eles escolhem dez personalidades, dez jovens líderes do futuro, para irem à universidade e discutirem os problemas sociais do Brasil. Este ano, fui escolhido, representando o Pará e a região Norte. Vou para lá levantando a bandeira da sustentabilidade e da reciclagem, principalmente. Vamos para a melhor universidade do mundo e vamos ter acesso a laboratórios e nos encontrar com grandes líderes do Brasil", disse.

Esse evento vai ocorrer nos dias 3 e 4 de abril deste ano. "Mas, além dos dias do evento, que são patrocinados, eu vou passar mais duas semanas lá, fazendo cursos para aperfeiçoar essa tecnologia que eu desenvolvi. Essas duas semanas é por conta própria. E estou em uma campanha para arrecadar recursos para poder me manter, porque o custo é altíssimo", disse. Quem puder ajudá-lo, o contato é (91) 99629-6330. Outros contatos: MadTech: @madtechstartup (Instagram e Facebook) e email: team.madtech@gmail.com

A startup Madtech foi vencedora do Prêmio AmazôniaUP de Empreendedorismo Sustentável. A Madtech foi finalista mundial do Marine Plastics Innovation Challenge, competição de startups sobre inovação em reutilização de plásticos marinhos realizada pela ONU Meio Ambiente em parceria com a Think Beyond Plastic. A Madtech foi vencedora do Prêmio AmazôniaUP de Empreendedorismo Sustentável. O prêmio, de repercussão nacional, é resultado do Programa AmazôniaUP de Pré- aceleração de negócios focados em soluções ecoinovadoras desenvolvidas na Amazônia. O Programa é uma iniciativa do Centro de Empreendedorismo da Amazônia em parceria com a multinacional Natura.

 

 

 

 

 

 

Belém
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