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Por que jogar ovo e trigo em calouros virou prática comum nos trotes universitários? Entenda!

Costume faz parte do chamado trote sujo, ligado à tradição de humilhação pública, e hoje é alvo de críticas

O Liberal

O hábito de jogar ovo em calouros durante trotes universitários é uma variação mais recente do chamado trote sujo. A prática também pode incluir tinta, farinha, lama e outros produtos. Diferentemente da raspagem de cabelo, que tem registros históricos mais claros, o uso do ovo não possui origem específica documentada. No entanto, segue a lógica de exposição e humilhação pública do novato como forma simbólica de “batismo” no ambiente acadêmico.

Esta prática se consolidou ao longo do tempo como parte dos rituais informais de recepção em universidades brasileiras. É frequentemente associada à ideia de que o calouro precisa passar por uma situação constrangedora para ser aceito pelo grupo de veteranos.

Por que o ovo é usado nos trotes?

O ovo passou a ser utilizado principalmente por ser um produto barato e fácil de obter. Ele causa sujeira visível, além de um cheiro forte. Esses fatores aumentam o impacto da exposição pública, reforçando o constrangimento do estudante submetido ao trote.

Dentro desse contexto, o ovo integra o mesmo conjunto de substâncias usadas nos chamados “banhos” de trote, como farinha, tinta e lama. O objetivo simbólico é marcar o corpo do calouro como alguém que já “passou” pelo ritual de entrada na universidade.

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Relação com a tradição do trote universitário

Estudos sobre a história do trote no Brasil apontam que sujar calouros com tinta, farinha, lama e ovos aparece de forma recorrente entre as práticas tradicionais de recepção. Isso ocorre ao lado da raspagem de cabelo. Todas essas ações compartilham a mesma lógica de hierarquia e submissão temporária.

Assim como a raspagem de cabelo foi associada, ao longo da história, a ideias de purificação e perda momentânea de identidade, o uso do ovo reforça o caráter de ridicularização pública. Esta é vista como etapa simbólica de aceitação no grupo universitário.

Críticas, riscos e enquadramento legal

Atualmente, jogar ovo, farinha ou outras substâncias em calouros é apontado por especialistas como uma possível forma de agressão ou até de injúria real, especialmente quando há coação. Dependendo do caso, a prática pode resultar em processos disciplinares dentro das instituições e até em responsabilização criminal.

Também há registros de problemas de saúde associados a esses trotes, como alergias, irritações na pele e infecções. Esses riscos levaram muitas universidades a proibir explicitamente trotes que envolvam o uso de ovo, farinha ou produtos semelhantes.

Mudança de postura nas universidades

Não existe um marco histórico que indique quando o ovo passou a fazer parte do trote universitário. O que se observa é a consolidação dessa prática como mais um elemento do trote sujo, em continuidade à tradição de sujeira e humilhação.

Diante das críticas e dos riscos envolvidos, muitas faculdades têm buscado substituir esse tipo de recepção por trotes solidários ou simbólicos. Estas novas abordagens evitam a exposição e a violência, priorizando ações de integração sem constrangimento dos novos estudantes.