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Medir pressão regularmente é a principal forma de diagnosticar hipertensão arterial de forma precoce

O processo de desenvolvimento do quadro é lento e silencioso

Ayla Ferreira e Bruno Roberto | Especial para O Liberal

Neste domingo (26), é comemorado o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. A pressão arterial é o nome dado à força que o sangue exerce contra as paredes das artérias, um processo natural, que faz com que o sangue circule em todo o corpo. Quando a pressão se mantém elevada de forma persistente, ela ganha outro nome: hipertensão arterial. De 2006 a 2024, o Brasil registrou um aumento de 31% no número de adultos com hipertensão, de acordo com dados do Vigitel 2025.

Segundo o médico cardiologista Antonio Monteiro, a hipertensão acontece porque os vasos se tornam mais rígidos, oferecendo uma maior resistência à passagem do sangue e reduzindo a capacidade de se adaptar às novas pressões. Em alguns casos, também há aumento do volume sanguíneo circulante. “O problema é que esse processo é lento, silencioso e, ao longo do tempo, começa a causar lesão em órgãos como coração, cérebro e rins”, alerta o médico.

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Na maioria das vezes, a pressão alta não apresenta sintomas. Quando surgem alguns sinais, como dor de cabeça, tontura, zumbido ou visão turva, por exemplo, é sinal de que o quadro já está em um nível elevado ou descontrolado. Uma das principais recomendações do cardiologista é não esperar que surjam sintomas para investigar.

A aposentada Lêda Diamantina de Oliveira, de 69 anos, conta que se tornou hipertensa e diabética já na terceira idade, assim como a mãe. Ao longo da vida, ela praticou esportes, como ioga e dança, mas parou por volta dos 40 anos. Quando veio o diagnóstico de hipertensão, Lêda não sentiu medo: “não senti medo, procurei médico e faço uso do medicamento até hoje. Nunca mais minha pressão arterial aumentou.”

Além dos cuidados, como o uso de medicamentos, a aposentada também busca cuidar da saúde mental, evitando guardar rancor e sentir raiva ou ódio das pessoas, além de evitar o estresse. 

“Para quem acabou de receber o diagnóstico, eu diria para viver alegre, comer de tudo com discernimento, pois morar na cidade com a maior gastronomia e não comer é bobagem. Devemos cuidar da alimentação, mas também não descuidar de sentimentos contrários, que só contribuem para depressão e síndrome do pânico. Não abra mão dos amigos e das boas gargalhadas”, aconselha a aposentada.

Fatores

“A hipertensão pode surgir em qualquer idade, porém é mais frequente a partir dos 40 anos. É um dos maiores fatores de risco para infarto, AVC, insuficiência cardíaca e doença renal.
Ou seja, não é uma condição isolada, ela aumenta o risco de complicações graves ao longo do tempo”, explica o médico. Além disso, homens tendem a desenvolver a hipertensão de forma mais precoce. No caso das mulheres, o risco aumenta após a menopausa, quando há perda do efeito protetor hormonal.

No caso das pessoas idosas, o cardiologista Rodrigo Souza explica que ocorre um processo natural de envelhecimento vascular. “As artérias perdem elasticidade com o tempo, ficam mais rígidas, e isso eleva especialmente a pressão sistólica (aquele número de cima da medida)”.

O Ministério da Saúde também indica que há uma alta incidência de hipertensão na população negra, o que o cardiologista Rodrigo Souza ressalta que a explicação é mais complexa, pois envolve biologia e o contexto social. Do ponto de vista fisiológico, há evidências de que esse grupo de pessoas tende a ter maior sensibilidade ao sódio e menor atividade de certos sistemas reguladores da pressão, o que favorece a hipertensão. Já o contexto social também deve ser considerado, isto é, a maior exposição ao estresse crônico, o menor acesso histórico a serviços de saúde, o diagnóstico tardio e a dificuldade de manter acompanhamento contínuo.

Alimentação

O sal é um dos ingredientes mais associados ao quadro de hipertensão. Isso porque, quando utilizado em excesso, faz com que o organismo passe a reter mais líquido, aumentando o volume de sangue e, consequentemente, a pressão nas artérias. “Mas não é só isso. Sedentarismo, ganho de peso, consumo de álcool, tabagismo, estresse e sono ruim também contribuem para o desenvolvimento da hipertensão”, diz Antonio Monteiro.

Existem alguns fatores específicos da alimentação e hábitos da região Norte que podem favorecer o diagnóstico. Entre eles, estão a alimentação com alto teor de sal, advindas de alguns alimentos bastante consumidos, como peixe, camarão salgado, charque e embutidos. Além da alimentação, o aumento do sedentarismo e da obesidade também trazem impactos, além da dificuldade de acesso regular a acompanhamento em algumas áreas de difícil acesso.

Cuidados

O tratamento da hipertensão se baseia na mudança de hábitos, como redução do sal, alimentação equilibrada, atividade física e controle do peso. Quando essas medidas não são suficientes, entram os medicamentos, que devem ser usados de forma contínua, ao longo de toda a vida.

“O principal ponto ainda é o diagnóstico precoce. A hipertensão continua sendo uma doença muito subdiagnosticada, muita gente tem pressão alta e simplesmente não sabe.
Depois disso, vem o controle. Mesmo entre os pacientes que já têm diagnóstico, uma parcela importante não mantém a pressão bem controlada, seja por dificuldade de acesso, seja por baixa adesão ao tratamento”, diz Antonio Monteiro.

Outro ponto crítico é a percepção de risco. Como, na maioria das vezes, a doença não causa sintomas, o paciente tende a negligenciar, abandona o acompanhamento, interrompe medicação, subestima o problema. “No centro da discussão precisa estar algo muito básico, mas ainda pouco valorizado: medir a pressão regularmente, facilitar o acesso ao cuidado e reforçar que tratamento de hipertensão não é temporário, é contínuo”, avalia o cardiologista.

Na visão do médico, é preciso avançar em três pilares: diagnóstico, adesão e educação, para garantir um impacto significativo na redução de infarto, AVC e mortalidade cardiovascular.

Veja quais são os seis hábitos essenciais para evitar a hipertensão

1. Reduzir o consumo de sal
2. Manter uma alimentação equilibrada
3. Praticar atividade física regularmente, pelo menos 150 min por semana
4. Controlar o peso
5. Evitar cigarro e excesso de álcool
6. Dormir bem e cuidar do estresse
Fonte: Antonio Monteiro, médico cardiologista

*Ayla Ferreira, estagiária de Jornalismo, sob supervisão de Fabiana Batista, coordenadora do Núcleo de Atualidades