Vereador do PL chama professores de “vagabundos” durante votação de reajuste salarial

Confusão tomou conta do plenário após falas ofensivas direcionadas a profissionais da educação em greve

O Liberal

A votação do Projeto de Lei 354/2026, que trata do reajuste salarial dos servidores municipais de São Paulo, foi marcada por confusão e troca de acusações na última quarta-feira (13). O clima de tensão aumentou após o vereador Lucas Pavanato (PL) utilizar termos ofensivos para se referir aos professores e profissionais da educação que participavam de uma greve contra a proposta apresentada pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Durante a defesa do projeto enviado pelo Executivo, o parlamentar chamou os manifestantes de “vagabundos” e “burros”, provocando indignação entre os presentes e parlamentares da oposição. Diante da repercussão e do tumulto no plenário, a sessão acabou sendo suspensa.

“Quem faz greve não trabalha, é vagabundo. E se a carapuça serviu, o problema é de vocês”, declarou o vereador durante o debate.

A fala gerou reação imediata entre parlamentares oposicionistas, entre eles a vereadora Silvia Ferraro (PSOL), que confrontou o discurso do colega. Nas galerias da Câmara, manifestantes responderam com gritos e críticas ao parlamentar, incluindo frases como “você nunca trabalhou na vida”.

As bancadas do PT e do PSOL criticaram o índice de reajuste proposto pela Prefeitura de São Paulo, classificando o percentual como insuficiente por ficar abaixo da inflação acumulada. O Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo (Sinpeem) também afirmou que a proposta representa perdas salariais e prejuízos para a carreira dos docentes, além de confirmar a continuidade da greve da categoria.

A revolta dos servidores também foi impulsionada pela comparação entre o reajuste oferecido aos funcionários municipais e o aumento aprovado anteriormente pelos próprios vereadores.

Pela proposta em discussão, os servidores terão reajuste de 3,51%, parcelado até 2027. Já os vereadores aprovaram, em 2024, um aumento de 37% nos próprios salários, elevando os vencimentos para mais de R$ 26 mil a partir de 2025.

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