'Um erro não justifica o outro', diz Helder sobre ataque contra a Venezuela

O governador do estado do Pará classificou como retrocesso histórico

Gabi Gutierrez
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O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), afirmou que “um erro não justifica o outro” ao comentar o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, nas suas redes socias. Em pronunciamento, o chefe do Executivo paraense criticou a intervenção de uma potência estrangeira em um país soberano e afirmou que a ação representa um retrocesso histórico e uma violação da ordem internacional.

Helder destacou que, apesar das críticas ao regime de Nicolás Maduro, especialmente após o que classificou como uma ratificação autoritária no poder, isso não legitima o uso da força externa. Segundo ele, a permanência do presidente venezuelano gera repulsa entre defensores da democracia, mas a questão central é se os fins podem justificar os meios.

No pronunciamento, o governador afirmou que a comunidade internacional levou séculos para construir um arcabouço baseado no direito internacional, cuja premissa é a autodeterminação dos povos e o multilateralismo. Para ele, esse conjunto de princípios é colocado em risco quando uma potência estrangeira interfere diretamente na soberania de outro país.

“O sequestro ou captura do chefe de Estado de um país soberano configura uma agressão à toda ordem internacional”, afirmou Helder, ao questionar se a América Latina ainda é tratada como colônia, como ocorreu durante os períodos de dominação europeia.

O governador avaliou ainda que a violência promovida por uma nação estrangeira nas fronteiras do continente se soma a uma sequência histórica de agressões sofridas pela América do Sul, agravando um cenário já marcado pela ditadura venezuelana. “Um erro não justifica o outro e dois erros não fazem um acerto”, reforçou.

Ao final do pronunciamento, Helder Barbalho manifestou solidariedade ao povo venezuelano e afirmou esperar que a evolução dos acontecimentos permita uma solução baseada no respeito a princípios democráticos, e não apenas no uso da força. Ele encerrou citando o educador e humanista venezuelano Andrés Bello: “Só a unidade do povo e a solidariedade de seus dirigentes garantem a grandeza das nações”.

Leia na íntegra:

A América do Sul vive um retrocesso histórico no dia de hoje. Demoramos, como civilização, séculos para construir um arcabouço chamado direito internacional, cuja premissa é a autodeterminação dos povos e o multilateralismo.

A permanência inadmissível de Nicolas Maduro - e sobretudo sua última ratificação autoritária no poder - levantou todos os piores sinais de aversão e repulsa daqueles que cultuam a democracia plena na Venezuela e no mundo.

Que Maduro não deveria nem poderia mais permanecer, como ditador, não há dúvida. A questão não é essa. A questão é se os fins justificam os meios e se somos na América Latina meras colônias como quando os primeiros europeus chegaram por aqui.

A resposta é não!

Quando uma potência estrangeira - qualquer uma! - captura e sequestra o chefe de Estado de um país soberano estamos diante de uma agressão à toda ordem internacional.

A violência extrema de uma nação estrangeira nas fronteiras de nosso continente é também uma agressão sobre outra agressão, a da ditadura de Maduro, mais uma na histórica da sofrida América do Sul.

Um erro não justifica outro e dois erros não fazem um acerto. Esperemos que a evolução dos acontecimentos permita que uma solução baseada no respeito a princípios, e não só à força, prevaleça no final.

Nossa solidariedade ao povo venezuelano e nossa firme esperança de que nestas horas de agonia e preocupação as palavras do grande humanista e educador venezuelano Andrés Bello, estejam mais presentes do que nunca:

“Só a unidade do povo e a solidariedade de seus dirigentes garantem a grandeza das nações”

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