Temer diz que Trump perguntou a ele: 'Quando é que vocês vão invadir a Venezuela?'
Em entrevista ao Estadão, o ex-presidente lembrou uma passagem que teve com Trump, pouco mais de um ano após a deposição de Dilma, para descrever as idas e vindas do americano
Se pudesse dar um conselho ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a relação com Donald Trump, Michel Temer recomendaria ao petista amenizar as palavras. Mas, desde o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, Temer e Lula não conversaram mais.
Em entrevista ao Estadão, o ex-presidente lembrou uma passagem que teve com Trump, pouco mais de um ano após a deposição de Dilma, para descrever as idas e vindas do americano.
A sopa de cenoura com gengibre e carneiro ainda estava fumegando naquele jantar de gala, em Nova York, quando o presidente dos Estados Unidos, à época em seu primeiro mandato, fez uma pergunta que deixou os interlocutores desconcertados. Quando é que vocês vão invadir a Venezuela?, disparou Trump, sem rodeios nem meias-palavras.
A cena ocorreu em 18 de setembro de 2017, na véspera da abertura da Assembleia-Geral da ONU. A indagação de Trump foi dirigida a Temer e a seus colegas da Argentina, da Colômbia e do Panamá. O americano parecia nervoso.
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Foi a primeira pergunta que ele fez, contou Temer. Houve um certo constrangimento, mas cada um disse: Olha, presidente, nós estamos tomando providências de natureza diplomática.
Trump foi ouvindo um a um. À mesa, muitos destacaram o bom relacionamento com a Venezuela e o povo venezuelano, embora não admitissem o regime de Nicolás Maduro. Argumentaram que, por isso mesmo, a Venezuela havia sido suspensa do Mercosul.
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No discurso para todos os convidados, Trump afirmou que os EUA estavam prontos para adotar ações adicionais contra a ditadura de Maduro. Na conversa com os presidentes latino-americanos, porém, ele concordou que o melhor era agir pela via diplomática, e não fazer uma intervenção militar.
É por isso que eu digo: Quando ele (Trump) diz uma coisa lá, se nós respondermos agressivamente aqui, vamos piorar a relação, insistiu Temer ao ser questionado sobre o risco de Trump usar a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas para também intervir no Brasil.
Na prática, porém, o tom cada vez mais inflamado do governo contra as investidas de Trump - da ameaça de novo tarifaço ao carimbo do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas - serve sob medida à campanha de Lula. Tanto é assim que a defesa da soberania entrou até no programa de governo do PT.
De qualquer forma, como o que Trump fala não se escreve, quase nove anos depois daquele jantar de sinais trocados em Nova York, a invasão da Venezuela saiu do papel.
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