Renan Santos promete ‘desmantelar facções’ e diz que Belém terá ‘combate ao crime e desfavelização’
Pré-candidato do partido Missão defende endurecimento penal, uso de reconhecimento facial e exploração da Margem Equatorial; propõe mudanças no Bolsa Família, reforma trabalhista e afirma que “eleição é guerra”
O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou nesta sexta-feira (19), em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, que sua principal prioridade nos primeiros meses de governo seria o combate às facções criminosas, com foco no desmantelamento de organizações como o Comando Vermelho e o PCC.
Segundo ele, o objetivo imediato é fazer com que a população volte a se sentir segura nas ruas do país. Para Belém, disse que os efeitos seriam visíveis desde o início, com reforço no enfrentamento ao crime organizado e, ao longo do mandato, um amplo processo de urbanização e reestruturação de áreas precárias.
Na entrevista, Renan defendeu aumento de penas, implantação de câmeras com reconhecimento facial e uma legislação específica para facções criminosas. Também afirmou ser favorável à exploração da Margem Equatorial, propôs mudanças estruturais no Bolsa Família com foco em inserção no trabalho, criticou a escala 6x1 e disse que pretende liderar uma reforma fiscal e trabalhista profunda no país.
“Belém vai sentir o combate ao crime”, diz candidato
Ao ser questionado sobre as primeiras ações de governo em relação a Belém, Renan Santos afirmou que a principal mudança seria no campo da segurança pública.
“O que Belém especificamente vai enxergar é o combate ao crime, o desmantelamento das facções criminosas”, declarou.
Ele afirmou ainda que a presença de organizações criminosas no estado exigiria ação imediata do governo federal:
“O Pará hoje é dominado pela facção conhecida como Comando Vermelho”, disse, ao defender uma política nacional de enfrentamento ao crime organizado.
Metas de segurança: ‘Andar com o celular na rua sem medo’
Renan apresentou como objetivo nacional a redução drástica da criminalidade no curto prazo:
“Eu tenho como meta fazer as pessoas, nos seis primeiros meses, se sentirem à vontade de andar com o celular na rua no Brasil”, afirmou.
Para isso, defendeu o aumento de penas e o uso de tecnologia de vigilância:
“Temos que ter câmeras com reconhecimento facial. Não temos que ter medo de falar nisso.”
Segundo ele, o crime deve ser tratado como uma cadeia estruturada:
“A escala do crime no Brasil se dá como se fosse uma indústria”, disse, ao explicar que roubos de celulares, veículos e outros itens estariam conectados a redes organizadas e receptadores.
Combate às facções e ‘recuperação de territórios’
O pré-candidato defendeu uma estratégia em duas frentes: ataque ao modelo de negócios das facções e retomada territorial.
“A primeira coisa é aumentar as penas ligadas a crimes violentos e tráfico de drogas”, afirmou.
Ele também defendeu uma legislação específica:
“Vai ter uma legislação especial para o faccionado, inspirada no direito penal do inimigo, para agir rápido e destruir a facção.”
Renan disse ainda que o objetivo é eliminar o poder dessas organizações no imaginário social:
“A ideia de facção tem que ser destruída”, declarou.
Margem Equatorial: ‘Tem que explorar com cuidado’
Sobre a exploração da margem equatorial, Renan se posicionou a favor da atividade econômica na região.
“Eu acho que tem que explorar. Dá para fazer tudo com muito cuidado, respeitando normas internacionais”, disse.
Ele criticou o que chamou de contradições no debate ambiental:
“Eu acho esse discurso esquizofrênico. Se pode no Rio de Janeiro, por que não aqui?”
O candidato afirmou que a exploração pode gerar empregos e desenvolvimento regional:
“Estamos falando de uma cadeia de milhares de empregos e de uma região como o Marajó com infraestrutura e logística melhores.”
Bolsa Família: ‘Precisamos de cultura de trabalho’
Renan afirmou que manteria o Bolsa Família, mas com mudanças estruturais.
“Eu faria muitas mudanças. Manter como está não é suficiente”, disse.
Ele defendeu diferenciação entre perfis de beneficiários:
“Uma mãe com filhos pequenos precisa ser amparada. Agora, um homem de 20 anos não tem que receber sem contrapartida de trabalho.”
O pré-candidato propôs integração com políticas de emprego:
“Ou vai para frente de trabalho, ou contrato temporário. Se não quiser, não recebe o benefício.”
Segundo ele, o objetivo é reduzir a dependência do programa:
“O aumento do Bolsa Família significa que o país não está indo bem.”
Reforma econômica e trabalhista
Renan afirmou que pretende promover uma ampla reforma fiscal e trabalhista.
“Nós precisamos de uma liberalização do mercado de trabalho brasileiro”, disse.
Ele criticou a legislação atual e defendeu mudanças na estrutura da CLT:
“O modelo da CLT não funciona mais. A solução é flexibilizar a contratação e reduzir a carga sobre a folha de pagamento.”
Sobre a escala 6x1, afirmou:
“É um projeto populista. O trabalhador precisa poder vender sua hora de trabalho.”
Posições radicais sobre sistema penal
O candidato também defendeu endurecimento extremo das penas em casos específicos.
“Um estuprador em série ou pedófilo em série não deve voltar à sociedade”, afirmou.
Ele disse ser favorável à prisão perpétua e até à pena de morte em situações excepcionais:
“Em crimes hediondos e inequívocos, deve existir a possibilidade de pena de morte.”
Renan, no entanto, reconheceu limites constitucionais:
“Nossa Constituição não permite isso hoje, então seria necessária uma constituinte.”
Eleição como ‘guerra’ e discurso político
Ao falar sobre o cenário eleitoral, Renan adotou tom de confronto.
“A eleição é guerra. Quem acha que vai perder, perde”, afirmou.
Ele disse que não pretende fazer alianças políticas:
“Eu não quero sentar em mesa com Lula ou com Flávio. Eu quero fazer o que eu acredito.”
Críticas ao bolsonarismo
O pré-candidato criticou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, apesar de reconhecer apoio inicial no segundo turno de 2018.
“Foi um governo confuso, sem projeto e sem direção”, disse.
Ele afirmou que o bolsonarismo não construiu uma visão positiva de país:
“Era um modelo ressentido, baseado em vingança política.”
Legitimidade política e ausência de cargo eletivo
Questionado sobre nunca ter ocupado cargo público, Renan respondeu que liderança é o principal critério.
“O presidente é um líder político e simbólico, não apenas um gestor”, afirmou.
Ele disse ter trajetória política de mais de uma década:
“Eu liderei manifestações, fundei um campo político e formei milhares de pessoas.”
Projeto de país e classe média
Ao encerrar a entrevista, Renan definiu seu projeto como voltado à classe média.
“Minha aliança é com a classe média e com os mais pobres para transformá-los em classe média”, declarou.
Ele criticou a estrutura social atual: “Hoje existe uma aliança entre elite e base que pressiona a classe média.”
Segundo o pré-candidato, sua proposta busca reorganizar o país em torno da produção e do trabalho.
“Um país de classe média é um país que trabalha, produz e vive melhor”, concluiu.
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