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Renan Santos promete ‘desmantelar facções’ e diz que Belém terá ‘combate ao crime e desfavelização’

Pré-candidato do partido Missão defende endurecimento penal, uso de reconhecimento facial e exploração da Margem Equatorial; propõe mudanças no Bolsa Família, reforma trabalhista e afirma que “eleição é guerra”

Jéssica Nascimento
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O pré-candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, afirmou nesta sexta-feira (19), em entrevista exclusiva ao Grupo Liberal, que sua principal prioridade nos primeiros meses de governo seria o combate às facções criminosas, com foco no desmantelamento de organizações como o Comando Vermelho e o PCC. 

Segundo ele, o objetivo imediato é fazer com que a população volte a se sentir segura nas ruas do país. Para Belém, disse que os efeitos seriam visíveis desde o início, com reforço no enfrentamento ao crime organizado e, ao longo do mandato, um amplo processo de urbanização e reestruturação de áreas precárias.

Na entrevista, Renan defendeu aumento de penas, implantação de câmeras com reconhecimento facial e uma legislação específica para facções criminosas. Também afirmou ser favorável à exploração da Margem Equatorial, propôs mudanças estruturais no Bolsa Família com foco em inserção no trabalho, criticou a escala 6x1 e disse que pretende liderar uma reforma fiscal e trabalhista profunda no país.

“Belém vai sentir o combate ao crime”, diz candidato

Ao ser questionado sobre as primeiras ações de governo em relação a Belém, Renan Santos afirmou que a principal mudança seria no campo da segurança pública.

“O que Belém especificamente vai enxergar é o combate ao crime, o desmantelamento das facções criminosas”, declarou.

Ele afirmou ainda que a presença de organizações criminosas no estado exigiria ação imediata do governo federal:

“O Pará hoje é dominado pela facção conhecida como Comando Vermelho”, disse, ao defender uma política nacional de enfrentamento ao crime organizado.

Metas de segurança: ‘Andar com o celular na rua sem medo’

Renan apresentou como objetivo nacional a redução drástica da criminalidade no curto prazo:

“Eu tenho como meta fazer as pessoas, nos seis primeiros meses, se sentirem à vontade de andar com o celular na rua no Brasil”, afirmou.

Para isso, defendeu o aumento de penas e o uso de tecnologia de vigilância:

“Temos que ter câmeras com reconhecimento facial. Não temos que ter medo de falar nisso.”

Segundo ele, o crime deve ser tratado como uma cadeia estruturada:

“A escala do crime no Brasil se dá como se fosse uma indústria”, disse, ao explicar que roubos de celulares, veículos e outros itens estariam conectados a redes organizadas e receptadores.

image (Foto: Carmem Helena)

Combate às facções e ‘recuperação de territórios’

O pré-candidato defendeu uma estratégia em duas frentes: ataque ao modelo de negócios das facções e retomada territorial.

“A primeira coisa é aumentar as penas ligadas a crimes violentos e tráfico de drogas”, afirmou.

Ele também defendeu uma legislação específica:

“Vai ter uma legislação especial para o faccionado, inspirada no direito penal do inimigo, para agir rápido e destruir a facção.”

Renan disse ainda que o objetivo é eliminar o poder dessas organizações no imaginário social:

“A ideia de facção tem que ser destruída”, declarou.

Margem Equatorial: ‘Tem que explorar com cuidado’

Sobre a exploração da margem equatorial, Renan se posicionou a favor da atividade econômica na região.

“Eu acho que tem que explorar. Dá para fazer tudo com muito cuidado, respeitando normas internacionais”, disse.

Ele criticou o que chamou de contradições no debate ambiental:

“Eu acho esse discurso esquizofrênico. Se pode no Rio de Janeiro, por que não aqui?”

O candidato afirmou que a exploração pode gerar empregos e desenvolvimento regional:

“Estamos falando de uma cadeia de milhares de empregos e de uma região como o Marajó com infraestrutura e logística melhores.”

Bolsa Família: ‘Precisamos de cultura de trabalho’

Renan afirmou que manteria o Bolsa Família, mas com mudanças estruturais.

“Eu faria muitas mudanças. Manter como está não é suficiente”, disse.

Ele defendeu diferenciação entre perfis de beneficiários:

“Uma mãe com filhos pequenos precisa ser amparada. Agora, um homem de 20 anos não tem que receber sem contrapartida de trabalho.”

O pré-candidato propôs integração com políticas de emprego:

“Ou vai para frente de trabalho, ou contrato temporário. Se não quiser, não recebe o benefício.”

Segundo ele, o objetivo é reduzir a dependência do programa:

“O aumento do Bolsa Família significa que o país não está indo bem.”

image (Foto: Carmem Helena)

Reforma econômica e trabalhista

Renan afirmou que pretende promover uma ampla reforma fiscal e trabalhista.

“Nós precisamos de uma liberalização do mercado de trabalho brasileiro”, disse.

Ele criticou a legislação atual e defendeu mudanças na estrutura da CLT:

“O modelo da CLT não funciona mais. A solução é flexibilizar a contratação e reduzir a carga sobre a folha de pagamento.”

Sobre a escala 6x1, afirmou:

“É um projeto populista. O trabalhador precisa poder vender sua hora de trabalho.”

Posições radicais sobre sistema penal

O candidato também defendeu endurecimento extremo das penas em casos específicos.

“Um estuprador em série ou pedófilo em série não deve voltar à sociedade”, afirmou.

Ele disse ser favorável à prisão perpétua e até à pena de morte em situações excepcionais:

“Em crimes hediondos e inequívocos, deve existir a possibilidade de pena de morte.”

Renan, no entanto, reconheceu limites constitucionais:

“Nossa Constituição não permite isso hoje, então seria necessária uma constituinte.”

Eleição como ‘guerra’ e discurso político

Ao falar sobre o cenário eleitoral, Renan adotou tom de confronto.

“A eleição é guerra. Quem acha que vai perder, perde”, afirmou.

Ele disse que não pretende fazer alianças políticas:

“Eu não quero sentar em mesa com Lula ou com Flávio. Eu quero fazer o que eu acredito.”

Críticas ao bolsonarismo

O pré-candidato criticou a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, apesar de reconhecer apoio inicial no segundo turno de 2018.

“Foi um governo confuso, sem projeto e sem direção”, disse.

Ele afirmou que o bolsonarismo não construiu uma visão positiva de país:

“Era um modelo ressentido, baseado em vingança política.”

Legitimidade política e ausência de cargo eletivo

Questionado sobre nunca ter ocupado cargo público, Renan respondeu que liderança é o principal critério.

“O presidente é um líder político e simbólico, não apenas um gestor”, afirmou.

Ele disse ter trajetória política de mais de uma década:

“Eu liderei manifestações, fundei um campo político e formei milhares de pessoas.”

Projeto de país e classe média

Ao encerrar a entrevista, Renan definiu seu projeto como voltado à classe média.

“Minha aliança é com a classe média e com os mais pobres para transformá-los em classe média”, declarou.

Ele criticou a estrutura social atual: “Hoje existe uma aliança entre elite e base que pressiona a classe média.”

Segundo o pré-candidato, sua proposta busca reorganizar o país em torno da produção e do trabalho.

“Um país de classe média é um país que trabalha, produz e vive melhor”, concluiu.

 

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