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PT pede investigação se orçamento de 'Dark Horse' virou caixa 2 da campanha de Flávio

"Dark Horse" pode ter usado emendas parlamentares e visado promover a família Bolsonaro em período eleitoral

Estadão Conteúdo

O Partido dos Trabalhadores pediu nesta quarta-feira, 10, investigações contra a produção do filme "Dark Horse", que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro, junto à Polícia Federal (PF) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Advogados do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva querem que as autoridades investiguem se houve abuso de poder econômico e desvio de recursos para o financiamento clandestino à pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, além de outros possíveis ilícitos.

Na denúncia enviada à PF, o partido pede apuração sobre a origem, a circulação e a destinação de recursos financeiros relacionados ao filme, assim como a atuação de políticos, empresas e outras pessoas envolvidas no projeto.

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Já na ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) protocolada junto ao STF, o PT quer uma investigação sobre o envolvimento de emendas parlamentares e a destinação de recursos financeiros ao filme.

Por trás das denúncias está o pedido feito por Flávio a Daniel Vorcaro, então dono do banco Master, de US$ 24 milhões (R$ 134 milhões em valores à época) para produtor "Dark Horse". Vorcaro pagou US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões) entre fevereiro e maio de 2025.

Ao menos parte do dinheiro foi transferida pela Entre Investimentos e Participações (que atuava em parceria com empresas de Vorcaro) para o fundo Havengate Development Fund LP, ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro no Texas, Paulo Calixto.

Flávio declarou que o dinheiro foi usado integralmente para a produção do filme, mas a PF já abriu uma apuração para descobrir se os recursos foram destinados a custear a permanência de Eduardo nos Estados Unidos.

"Como ponto central dos potenciais ilícitos praticados neste âmbito se encontra a destinação de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, de Karina Ferreira Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, que produziu a cinebiografia 'Dark Horse', bem como a possível ocorrência do delito previsto no art. 350 do Código Eleitoral (caixa dois) e de abuso de poder econômico", diz a notícia de fato enviada à PF.

O PT alega que o projeto não se trata de apenas uma produção cinematográfica, mas um meio de promover Bolsonaro e o próprio Flávio, que é interpretado pelo ator Marcus Ornellas, em plena campanha eleitoral neste ano. "Dark Horse" tinha previsão de estreia em 11 de setembro, a menos de um mês do pleito.

Os advogados argumentam que Flávio é o beneficiário final do dinheiro pedido a Vorcaro, uma vez que negociou "ativamente" o investimento, destinado a um fundo que "serve à articulação política internacional em benefício da candidatura de Flávio".

"Sob essa perspectiva, a destinação de dezenas de milhões de reais para uma obra concebida para exaltar a figura central de um grupo político, com lançamento programado para o ápice da campanha eleitoral de 2026, apresenta inequívoca aptidão para interferir na formação da vontade do eleitorado e desequilibrar a disputa democrática", diz a ação.

Além da questão do financiamento, o PT quer um pente-fino na produção do longa. O partido diz ser necessário checar os registros regulatórios audiovisuais junto à Agência Nacional do Cinema (Ancine), além de documentação do U.S. Copyright Office e da Biblioteca Nacional.

Também quer que a PF averigue a situação migratória e trabalhista dos profissionais estrangeiros que atuaram no filme, como o ator que interpretou Bolsonaro, Jim Caviezel, e o diretor Cyrus Nowrasteh, incluindo se eles têm vistos de trabalho artístico e contratos regularizados e recolhimento de impostos do setor do audiovisual.

Outro pedido feito foi a verificação junto ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos da eventual incidência do "Foreign Agents Registration Act" sobre as atividades políticas e informativas desenvolvidas pela rede de Eduardo no Texas em favor do grupo político da família Bolsonaro, por meio de cooperação jurídica internacional.

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