PSL defende novo regime para Previdência como "poupança garantida"

Parlamentares estiveram reunidos com ministro Paulo Guedes

Reuters

Parlamentares do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, defenderam um novo regime para Previdência como uma "poupança garantida" após reunião com o ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizando que a estratégia do governo será de tentar vencer as resistências à introdução do sistema de capitalização com o uso da expressão.

"O que a gente vai falar agora é da poupança garantida. O que está muito claro que o ministro Paulo Guedes conseguiu passar ... é que o novo sistema, a nova Previdência, é a Previdência da poupança garantida", disse a deputada Bia Kicis (PSL-DF).

"Tem uma ideia sobre capitalização que remete a banco, (mas) não tem banco envolvido. Vão ser gestores de Previdência e cada jovem que entrar, que tiver seu primeiro emprego, terá a liberdade de escolher onde quer aplicar o seu dinheiro. Na verdade é um sistema de poupança. E todo mundo sabe que poupança é o que faz o país crescer", acrescentou.

A jornalistas, ela afirmou que, aprovado o texto da reforma previdenciária na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, o que muda agora é o engajamento maior dos parlamentares com o projeto para fazê-lo avançar na comissão especial. A reunião com Guedes, segundo ela, foi para tirar dúvidas e "preparar a tropa de choque".

Na saída do encontro, o líder do PSL na Câmara, delegado Waldir (PSL-GO), também se referiu à nova Previdência como "poupança garantida", defendendo a diminuição de encargos para empresários para geração de empregos.

"Estamos falando aquilo que é verdadeiro, nós não estamos inventando um mantra. Simplesmente estamos dizendo 'é uma nova Previdência, não é uma reforma' e é uma poupança que cada trabalhador vai poder fazer", afirmou.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do governo muda as regras do regime previdenciário atual, de repartição, e dá aval para que o regime de capitalização possa ser introduzido, condicionando sua entrada em vigor à aprovação de um posterior projeto de lei a respeito.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem feito uma enfática defesa da capitalização, que, na sua visão, deve ser acompanhada do fim de encargos trabalhistas para empregadores para impulsionar a geração de empregos no país. O tema, contudo, é visto com forte resistência pelo Congresso, com muitos parlamentares apontando que o governo está pedindo um cheque em branco ao Parlamento ao não delinear exatamente como fará a transição para a capitalização.

Guedes já afirmou que não lançará a capitalização se a PEC da Previdência render economia inferior a 1 trilhão de reais em 10 anos.

No sistema de capitalização, cada trabalhador contribui para uma conta individual e retira daí os proventos de sua aposentadoria. Descontado do salário, o dinheiro é administrado por gestores em fundos de pensão.

No atual sistema de repartição, as contribuições dos trabalhadores na ativa são utilizadas para bancar os benefícios dos aposentados. O modelo está em franco desequilíbrio devido ao envelhecimento acelerado da população e ao fato de as famílias terem cada vez menos filhos.

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