PSDB em decadência isola Igor Normando nacionalmente, diz analista
Prefeito de Belém formaliza entrada na legenda nesta quarta-feira (20), em Brasília, como único gestor de capital no país
A filiação de Igor Normando ao PSDB, que ocorre nesta quarta-feira (20), às 17h, na sede nacional da legenda, em Brasília, reflete a decadência e o isolamento político do partido no cenário nacional, segundo a análise do cientista político Rodolfo Marques. Embora o movimento seja conduzido pelo deputado federal Aécio Neves, sob a justificativa de reorganizar o chamado “novo PSDB”, a mudança deixa o prefeito de Belém na posição de único gestor de capital filiado à sigla em todo o país. O fato ocorre após a saída de prefeitos, como JHC (Maceió) e Tião Bocalom (Rio Branco), para disputar governos estaduais, expondo o severo encolhimento de uma agremiação que vem perdendo espaço histórico no Congresso Nacional e no comando de estados estratégicos.
Para o analista Rodolfo Marques, o PSDB vem perdendo protagonismo de forma contínua desde a eleição presidencial de 2014, quando Aécio Neves foi derrotado por Dilma Rousseff por uma pequena diferença de votos. O cientista político aponta que o enfraquecimento da sigla é acentuado pela perda recente de seus únicos dois governadores, Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Raquel Lyra, de Pernambuco, que migraram para o PSD.
"Em nível nacional, o Aécio Neves reassumiu as articulações políticas do partido. Eu acho que é um processo de reposicionamento, tanto do prefeito de Belém quanto do partido, mas, de fato, hoje o PSDB passa por um certo isolamento político e por um desafio de tentar se reconhecer. Colocar no mercado partidário, digamos assim", declarou Marques à Redação Integrada de O Liberal.
Cenário político
No contexto do Pará, o PSDB vive uma realidade distante do período em que governou o estado por 20 anos com Almir Gabriel e Simão Jatene. Rodolfo Marques relembra que, após o falecimento de Almir Gabriel há mais de uma década e o afastamento de Simão Jatene, que encerrou seu último mandato em 2018 e não integra mais a estrutura partidária, a legenda perdeu força pelo desaparecimento de seus líderes.
Mesmo com a mudança de partido, Igor Normando informou que mantém o alinhamento político com o grupo liderado por Helder Barbalho, de quem possui parentesco em um círculo familiar mais amplo. A tendência é que o prefeito continue integrado ao projeto majoritário governista para 2026.
Diante da forte polarização nacional, Rodolfo Marques contesta a tese da assessoria do prefeito de que a mudança constrói uma "frente de centro" com força nacional, destacando que o PSDB não figura atualmente entre os seis ou sete principais partidos do país, grupo composto por PT, PL, MDB, Progressistas e União Brasil. De acordo com o analista, o horizonte da sigla aponta mais para a perda de relevância ou para uma eventual fusão com legendas como o PSD.
Histórico
Aos 37 anos, Igor Normando tornou-se o prefeito mais jovem da história recente da capital paraense ao ser eleito em 2024 pelo MDB, após passagens como vereador, deputado estadual e secretário de Cidadania. Para Marques, trocar a maior força política do estado por uma sigla em declínio nacional envolve riscos, embora o PSDB ainda conserve tempo de televisão e relevância no debate público.
Historicamente, o PSDB surgiu entre o fim dos anos 1980 e o início dos anos 1990 como uma dissidência à esquerda do MDB, com uma proposta social-democrata consolidada em São Paulo por intelectuais da USP liderados por Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Geraldo Alckmin — atual vice-presidente da República, que migrou para o PSB. Diante desse resgate histórico, Marques aponta que o partido agora passa por um processo de reintegração direta ou indireta ao próprio MDB. Essa perda de musculatura institucional fica evidente no histórico eleitoral da bancada tucana no Pará, que já dominou o cenário estadual e hoje enfrenta o esvaziamento completo de seus quadros parlamentares tanto em nível federal quanto na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa).
Bancada de deputados federais do PSDB no Pará:
- Eleições 2014: um deputado federal eleito;
- Eleições 2018: dois deputados federais eleitos;
- Eleições 2022: nenhum deputado federal eleito pelo partido no estado.
Bancada de deputados estaduais do PSDB na Alepa:
- Eleições 2014: sete deputados eleitos;
- Eleições 2018: cinco deputados eleitos;
- Cenário atual: nenhum deputado estadual em exercício na Assembleia Legislativa do Pará.
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