CONTINUE EM OLIBERAL.COM
X

'Plataformas produzem poluição social', diz presidente da ANJ sobre big techs e jornalismo

Presidente-executivo da associação, Marcelo Rech afirma que empresas de tecnologia devem compensar veículos de imprensa pelo uso de conteúdo e pelo combate à desinformação

Jéssica Nascimento
fonte

A necessidade de remuneração do conteúdo jornalístico por plataformas digitais e os impactos da inteligência artificial sobre a sustentabilidade da imprensa estiveram no centro da entrevista concedida por Marcelo Rech, presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais (ANJ), ao Grupo Liberal. Segundo ele, empresas de tecnologia devem pagar aos veículos de comunicação pelo uso de conteúdos e pelo papel desempenhado no enfrentamento à desinformação, tema que ainda enfrenta dificuldades para avançar no Brasil. 

Jornalismo como “despoluição social”

Ao defender a remuneração do jornalismo pelas plataformas digitais, Marcelo Rech comparou os efeitos da desinformação nas redes a uma espécie de “poluição social”, afirmando que o jornalismo profissional atua na verificação de fatos e no combate às fake news.

“As grandes plataformas de tecnologia, mesmo que involuntariamente, produzem uma chamada poluição social, caracterizada pelo discurso de ódio e pela difusão de desinformação”, afirmou.

Segundo ele, cabe aos veículos jornalísticos “fazer a despoluição dessa sujeira social”, verificando informações e oferecendo contexto ao público.

Na avaliação do presidente da ANJ, é justo que empresas de tecnologia contribuam financeiramente para esse processo. “Nada mais justo que o poluidor pague pela limpeza, ou pelo menos por parte do trabalho de limpeza daquela poluição”, declarou.

VEJA MAIS

image Remuneração, desinformação e IA: ANJ defende pagamento do jornalismo por plataformas digitais
Presidente-executivo da Associação Nacional de Jornais, Marcelo Rech afirma que empresas de tecnologia devem compensar financeiramente veículos de imprensa pelo uso de conteúdos e alerta para impactos da inteligência artificial na sustentabilidade do jornalismo

Brasil “engatinha” enquanto outros países avançam

Rech afirmou que o debate sobre a monetização do conteúdo jornalístico ainda avança lentamente no Brasil, enquanto países como Austrália, Canadá e nações europeias já possuem mecanismos mais consolidados de negociação entre plataformas digitais e veículos de comunicação.

Ele citou a experiência australiana, onde há obrigatoriedade de negociação entre empresas de tecnologia e meios de comunicação, o que, segundo ele, ajudou a fortalecer o jornalismo local.

“Dezenas e dezenas de jornalistas estão sendo contratados para ocupar essas vagas que voltaram depois desse processo de negociação”, disse.

O dirigente também alertou para os riscos da perda de sustentabilidade da imprensa regional. Segundo ele, a ausência de veículos locais pode abrir espaço para desinformação e comprometer o debate público. “No Brasil, nós ainda estamos engatinhando e a situação tende a se agravar no mundo e no Brasil com o surgimento da inteligência artificial”, concluiu.

Assine O Liberal e confira mais conteúdos e colunistas. 🗞
Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Política
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

RELACIONADAS EM POLÍTICA

MAIS LIDAS EM POLÍTICA