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Mendonça autoriza transferência de Daniel Vorcaro para Penitenciária Federal em Brasília

No pedido encaminhado ao STF, a polícia argumentou que a transferência para o sistema penitenciário federal é necessária para garantir a efetividade da prisão preventiva

Estadão Conteúdo
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira, 5, a transferência do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a Penitenciária Federal em Brasília. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal (PF), que apontou riscos à segurança pública e à condução das investigações caso o investigado.

Segundo a PF, Vorcaro possui "significativa capacidade de articulação e influência sobre diversos atores situados em diferentes esferas do poder público e do setor privado", o que poderia interferir no andamento das apurações ou no cumprimento de decisões judiciais.

No pedido encaminhado ao STF, a polícia argumentou que a transferência para o sistema penitenciário federal é necessária para garantir a efetividade da prisão preventiva, mitigar riscos institucionais associados à elevada sensibilidade da investigação e preservar a integridade física do próprio preso.

"A Penitenciária Federal em Brasília apresenta condições institucionais que permitem monitoramento mais próximo da execução da custódia, considerando a localização da unidade em relação aos órgãos responsáveis pela condução da investigação e pela supervisão judicial das medidas cautelares adotadas no âmbito desse Supremo Tribunal Federal", argumentou a corporação.

A PF prendeu Vorcaro nesta quarta-feira, 4, na terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do banco. Foi a primeira ação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça depois que assumiu a relatoria do caso.

A corporação aponta que o banqueiro faz parte de uma "organização criminosa" de "profissionais do crime", chamada de "A Turma", que usa violência e coação como uma "milícia privada". Foram cumpridos nesta quarta outros três mandados de prisão - um contra o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel - e quinze mandados de busca e apreensão.

Influência no poder público e privado

As conversas de Vorcaro com a namorada Martha Graeff revelam uma reunião ocorrida na noite do dia 19 de março do ano passado em que pessoas de nome "Hugo" e "Ciro" se encontraram em sua casa para conversar com um homem de nome "Alexandre".

Em mensagens trocadas anteriormente com a companheira, Vorcaro relatou outros encontros com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Além disso, um contrato de R$ 129 milhões do Master com a mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, previa que o escritório da família trabalhasse na defesa dos interesses da instituição e de Daniel Vorcaro no Banco Central, na Receita Federal e no Congresso Nacional. A informação foi publicada pela jornalista Malu Gaspar, de O Globo.

Moraes não foi o único ministro com citações no caso. Dias Toffoli admitiu que é sócio anônimo da empresa Maridt, dirigida por seus dois irmãos e que tinha participação em dois resorts da rede Tayayá. A empresa vendeu sua fatia no negócio de hospedagem no Paraná a fundos de investimentos que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

Toffoli era o relator do caso, mas o deixou uma reunião reservada com outros ministros, que foi marcada depois de a PF revelar menções a ele no celular de Vorcaro.

Vorcaro também relatou à namorada que esteve em Brasília em agosto de 2025 para encontrar o "governador", em meio às negociações para o Banco de Brasília (BRB) comprar o Master. O governador do Distrito Federal é Ibaneis Rocha (MDB).

O banqueiro também foi recebido pelo presidente Lula em 2024. Vorcaro disse na ocasião que encontro foi 'ótimo' Na ocasião, o banqueiro estava acompanhado do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que foi conselheiro do Master, e de seu ex-sócio, Augusto Lima.

Servidores do BC recebiam 'mesada' de Vorcaro

O forte crescimento do Banco Master, de 2019 a 2025, só foi possível porque, segundo as investigações, dentro do Banco Central havia dois servidores cooptados pelo banqueiro Daniel Vorcaro para ajudar a instituição financeira a burlar a fiscalização do órgão regulador.

De acordo com a Polícia Federal, Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão bancária, receberam "mesada" para trabalhar em conjunto como "consultores informais" do banco. Procurados, Souza e Santana não se manifestaram.

Dessa forma, enquanto deveriam vigiar e fiscalizar o Master, passaram a ajudá-lo a esconder inconsistências técnicas, contornar as regras e até atrasar o envio de documentos exigidos pela Polícia Federal durante as investigações. Eles chegaram a participar de um grupo de troca de mensagens para facilitar a comunicação direta com Vorcaro.

Milícia privada

A PF afirmou que a organização criminosa liderada por Vorcaro usa violência e coação como uma "milícia privada". O esquema tinha quatro núcleos de atuação.

Segundo as investigações, havia um "núcleo financeiro", responsável pela estruturação das fraudes contra o sistema financeiro. Também um "núcleo de corrupção institucional", voltado à cooptação de servidores públicos do Banco Central.

Os outros dois referiam-se ao "núcleo de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro", com utilização de empresas interpostas, e ao "núcleo de intimidação e obstrução de Justiça", responsável pelo monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

Faziam parte do grupo Vorcaro, Zettel, o policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, a quem a PF chama de "Sicário", ou seja, assassino de aluguel. Todos foram presos nesta quarta.

O "Sicário" de Daniel Vorcaro, se suicidou enquanto estava sob custódia dos federais na Superintendência Regional do órgão em Minas Gerais.

O advogado dele contestou informações divulgadas pela Polícia Federal de Minas Gerais e afirmou que não foi aberto protocolo de morte cerebral para o cliente. Apesar disso, a defesa classificou o estado de saúde de Mourão como grave.

A PF informou que será aberto procedimento apuratório para esclarecer as circunstâncias do fato.

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