'Jornais impressos são um reflexo de suas comunidades', diz presidente da ANJ
Para Marcelo Rech, nenhum deles conseguiria estabelecer uma relação de décadas, como O Liberal que chega à marca dos 74 anos, se não estivesse 'profundamente entrelaçado à alma da sociedade a que ele se dirige'
Os jornais impressos são um reflexo de suas comunidades. E nenhum deles conseguiria estabelecer uma relação de muitas décadas, como O Liberal que chega à marca dos 74 anos de atividades ininterruptas, se não estivesse profundamente entrelaçado à alma da sociedade a que ele se dirige. Essa relação longeva ultrapassa o limite de reproduzir o que ocorre na sociedade. Já é uma relação de troca constante entre sociedade e veículo, fundamental para o debate de temas polêmicos.
De forma ética, o jornal impresso contribui para elucidar, desmistificar e promover a compreensão do "diferente", incentivar a reflexão e dar subsídios para o respeito àquilo que antes talvez tenha sido objeto de desprezo e preconceito. Essa análise é do presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ), Marcelo Rech, em entrevista a O Liberal sobre a contribuição dos jornais impressos do Brasil para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
"Vejo os jornais cada vez mais como pontes entre essas bolhas de polarização, aproximando universos digitais que vivem isolados e estimulando o diálogo, o respeito e a empatia com posições distintas, para que se chegue a um denominador comum que represente avanços na marcha da civilização. Nem sempre os jornais são compreendidos, porque muitos consideram isenção aquele apenas conteúdo que endossa seu pensamento. Os jornais, porém, não estão no ramo de agradar a todos, mas sim no ramo da confiança, da busca da verdade, da pluralidade de ideias e do respeito a opiniões contrárias, que são princípios permanentes do jornalismo em todo o mundo", analisa. Confira a entrevista:
Os jornais impressos apenas refletem a realidade da sociedade como ela é, ou influencia quem somos e como pensamos?
Em grande medida, os jornais são reflexos de suas comunidades. Nenhum jornal conseguiria estabelecer uma relação de muitas décadas se não estivesse profundamente entrelaçado à alma da sociedade a que ele se dirige. Como ele é parte da comunidade, é natural que espelhe anseios e manifeste também suas posições, em uma relação de troca constante. Creio que a cultura local tem um peso preponderante nesta troca constante entre o veículo e a comunidade. Ou seja, ele tanto é influenciado como também influencia, pois vive todas as emoções, conquistas, desafios e, por vezes, até as próprias contradições de cada sociedade, mas em processo de avanço constante.
Os jornais também tem responsabilidade na construção de uma sociedade sem preconceitos?
Sem dúvida, mas não basta apenas condenar ou denunciar o preconceito. É preciso ir além e mostrar por que e como atitudes ou culturas preconceituosas representam um atraso e prejudicam toda a sociedade, inclusive os que eventualmente, ainda que silenciosamente, possam agir de forma discriminatória. Qualquer CEO de grande empresa sabe hoje que equipes de alta performance são criadas com times diversificados. O mesmo ocorre na sociedade. A inclusão não é apenas uma óbvia questão moral ou social: é mandatória caso queiramos avançar e nos desenvolver em nossas cidades, Estados e países.
Estamos vivendo um momento em que a sociedade está dividida politicamente e isso provoca debates acalorados e extremistas sobre questões de raça, de gênero, de religião, entre outros. Qual deve ser a condução destes temas pelos jornais?
Em parte respondida acima. Um aspecto adicional é mostrarmos também os bons exemplos. Conquistas individuais e coletivas, casos de inclusão e superação, além dos benefícios concretos para todos da diversidade, podem gerar mais efeito transformador do que discursos radicalizados e que por vezes produzem, no outro extremo, atitudes defensivas ou surdas à mudança de comportamento.
Dependendo da região do País, esses conflitos são mais intensos. Qual o papel dos jornais impressos locais na construção de uma sociedade mais justa e igualitária e sem preconceitos e discriminação e com mais respeito ao próximo e ao diferente?
Vejo os jornais cada vez mais como pontes entre essas bolhas de polarização, aproximando universos digitais que vivem isolados e estimulando o diálogo, o respeito e a empatia com posições distintas, para que se chegue a um denominador comum que represente avanços na marcha da civilização. Nem sempre os jornais são compreendidos, porque muitos consideram isenção aquele apenas conteúdo que endossa seu pensamento. Os jornais, porém, não estão no ramo de agradar a todos, mas sim no ramo da confiança, da busca da verdade, da pluralidade de ideias e do respeito a opiniões contrárias, que são princípios permanentes do jornalismo em todo o mundo.
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