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Itamaraty diz que 'traidores da pátria' devem desculpas pelo tarifaço dos EUA

Estadão Conteúdo

O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota nesta quarta-feira, 24, em que rebate as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, sobre a ausência de representantes do governo brasileiro na audiência do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, em 6 de julho, que vai discutir a adoção de novas tarifas contra produtos brasileiros.

Sem mencionar o parlamentar, o Itamaraty afirmou que a origem do tarifaço está ligada a uma "tentativa de interferência externa na justiça brasileira" e destacou que as audiências públicas sobre a Seção 301 "são espaço de atuação do setor privado e da sociedade civil".

Segundo o MRE, nem a China ou a União Europeia enviam representantes a essas reuniões. A pasta disse ainda que os "traidores da Pátria" devem desculpas pelo tarifaço.

"O governo brasileiro tem participado ativamente nessa investigação pelos canais diretos de interlocução entre governos, desde sua abertura em 15 de julho de 2025. Apresentou duas defesas escritas demonstrando que as políticas brasileiras não prejudicam o comércio com os Estados Unidos e realizou reunião de consultas governamentais com os EUA, em Washington, com delegação de alto nível. O que os traidores da Pátria devem ao Brasil é um pedido de desculpas pelas tarifas e pelos prejuízos causados a milhares de brasileiros", diz o texto, publicado no X.

Nesta terça-feira, 23, Flávio Bolsonaro confirmou que se inscreveu para participar da audiência nos Estados Unidos, com um requerimento de depoimento oral por cinco minutos. Ao mesmo tempo, ele atacou o governo por não enviar representantes, alegando suposta omissão por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

"Os Estados Unidos abriram uma audiência pública para discutir as tarifas sobre os produtos brasileiros. O prazo para contestação se encerrava ontem. E adivinha? É claro que esse governo incompetente ficou de braços cruzados", declarou.

Flávio acrescentou: "O tarifaço sustenta essa falsa narrativa de defesa da soberania do Lula, em pleno ano eleitoral. Mas, para a tristeza da companheirada, eu adianto aqui: esse truque não vai funcionar, porque, ao contrário do Lula, que joga contra o Brasil e só se preocupa em atacar o Neymar, eu me inscrevi para participar dessa audiência pública nos Estados Unidos e representar os interesses do nosso País mais uma vez".

No início deste mês, o USTR sugeriu duas novas tarifas contra o Brasil. Uma delas, de 25%, é justificada por supostas práticas desleais brasileiras e envolve temas como o Pix e desmatamento. Outra, de 12,5%, e engloba outros 60 países e a União Europeia, seria como resposta à facilitação de entrada e saída de produtos elaborados a partir de trabalho forçado.

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