Itália anula extradição e Carla Zambelli vai ser solta
Zambelli foi condenada em dois processos distintos no Brasil, ambos já com trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso
A Corte de Cassação de Roma, última instância da Justiça italiana, anulou a decisão da Corte de Apelação que autorizava a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. Segundo o advogado de defesa da ex-parlamentar, Fabio Pagnozzi, a Suprema Corte italiana identificou erros na decisão anterior durante o julgamento realizado nesta sexta-feira (22).
Com a decisão, Zambelli poderá deixar a prisão na Itália e aguardar em liberdade um novo procedimento relacionado ao pedido de extradição apresentado pelo Brasil.
A Corte de Cassação analisou recursos contra duas decisões da Corte de Apelação de Roma favoráveis à extradição da ex-deputada. Os processos envolvem as condenações pela invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e por porte ilegal de arma de fogo.
Ministro da Justiça da Itália decidirá sobre extradição
O próximo passo do caso depende da decisão final do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio, integrante do governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.
Nordio terá prazo de 45 dias para definir se autoriza ou não a extradição de Carla Zambelli. Após a decisão, o governo italiano deverá comunicar oficialmente às autoridades brasileiras quais serão os procedimentos adotados.
Alexandre de Moraes já havia pedido extradição
Antes mesmo da decisão da Corte de Cassação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, já havia determinado que o Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério das Relações Exteriores adotassem as providências necessárias para efetivar a extradição da ex-deputada.
Caso seja extraditada para o Brasil, Carla Zambelli deverá cumprir prisão na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
Condenações no Brasil e prisão em Roma
Carla Zambelli foi condenada em dois processos distintos no Brasil, ambos já com trânsito em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso.
As condenações são:
- 10 anos e 8 meses de prisão pela invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
- 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, após perseguir um homem armada nas ruas às vésperas das eleições de 2022.
Em 29 de julho de 2025, a ex-deputada foi presa em um apartamento em Roma, na Itália. Zambelli estava incluída na lista vermelha da Interpol e foi detida por “grave risco de fuga”, conforme decisão judicial italiana.
Atualmente, ela permanece detida no presídio feminino de Rebibbia.
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