Ibaneis deixa governo do DF para disputar o Senado em meio à crise do BRB e do Banco Master
O BRB passa por uma crise após ter comprado R$ 12,2 bilhões em carteiras de créditos do Master
Ibaneis Rocha (MDB) deixou o governo do Distrito Federal nesta segunda-feira, 30, para lançar sua pré-candidatura ao Senado Federal. O cargo foi passado para a vice, Celina Leão (PP), que tomou posse em cerimônia na Câmara Legislativa do DF, em Brasília.
Ele deixa o cargo em meio à crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB), que precisa encontrar uma solução para cobrir perdas com a compra de créditos podres do Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O BRB passa por uma crise após ter comprado R$ 12,2 bilhões em carteiras de créditos do Master, que depois o Banco Central identificou que não tinham lastro.
Conforme o Estadão revelou, o governo distrital começou o ano sem dinheiro em caixa para pagar despesas do ano anterior e enfrenta um aumento crescente de gastos e endividamento.
No dia 24 deste mês, Ibaneis pediu um empréstimo de R$ 4 bilhões ao FGC para fazer um aporte no BRB e cobrir os prejuízos. Ibaneis ofereceu imóveis do Distrito Federal e ações de empresas como garantia para o empréstimo.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, após a Polícia Federal investigar as fraudes da instituição, incluindo suspeita de manipulação de balanços e operações financeiras irregulares envolvendo outras instituições, dentre elas, o BRB. O banqueiro voltou a ser preso no início deste mês.
Em março de 2025, Ibaneis chegou a fazer uma oferta para tentar comprar o Master. O Banco Central, contudo, reprovou o negócio em setembro, depois de se debruçar sobre o balanço dos dois bancos e encontrar indícios de crimes financeiros, com a descoberta das carteiras podres vendidas ao BRB pelo Master.
Assim, o governador do DF entrou no centro do escândalo, sob a suspeita de que o BRB estava ciente de que estava adquirindo "ativos podres", sugerindo uma possível participação no esquema.
No evento de posse de Celina Leão, a nova governadora do DF mencionou a situação do BRB. Segundo ela, o banco é um "patrimônio" da população do Distrito Federal. Ela afirma que não participou de nenhuma decisão sobre o banco, mas que a sua gestão não será um obstáculo para as investigações.
"Este governo não será obstáculo e será garantidor de todas as respostas, para que elas venham à luz", destacou.
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