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Haddad quer revisão sobre bets e diz que classificação de PCC como terrorista é 'questão menor'

A principal proposta de Haddad na área de segurança é criar um gabinete, presidido por ele, integrando as polícias estaduais, a Polícia Federal, órgãos federais, como a Receita Federal e o Coaf, e os Ministérios Públicos federal e estadual.

Estadão Conteúdo

O candidato a governador de São Paulo, o ex-ministro Fernando Haddad (PT), afirmou nesta segunda-feira, 31, que a decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas é uma "questão menor". Haddad fez a declaração durante entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

"Como é que você vai chamar, se de máfia, organização terrorista, facção. O importante é como você vai trabalhar o combate (a elas)", disse Haddad. A posição do petista diverge da postura do governo Lula (PT), que viu na ação americana uma tentativa de interferência externa e uma ameaça à soberania nacional.

Em outro momento da entrevista, o candidato adotou uma definição mais tradicional de organização terrorista. Para ele, uma organização terrorista possui ideologia e um objetivo político por trás. "O fato é o seguinte, se é crime organizado precisa ser combatido", complementou o ex-ministro.

Críticas ao governo e oposição

Questionado sobre a capacidade do Brasil de resistir a uma tentativa de intervenção dos EUA, Haddad afirmou que "depende do governo". Ele comparou a gestão Lula, que na sua visão conseguiria conter esse ímpeto intervencionista por ser respeitado internacionalmente, com um "governo entreguista". Em seguida, mencionou seu adversário na eleição, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

"O que o Tarcísio propôs: vamos entregar algo para o Trump para ele sossegar. Vamos entregar o quê? Pix, terras raras?", respondeu Haddad, em referência ao atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes. Ele também acusou Flávio Bolsonaro (PL) e Eduardo Bolsonaro (PL), filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, de "negociarem o tarifaço contra São Paulo". Haddad ressaltou que Tarcísio não se manifestou contra as ações dos irmãos Bolsonaro junto ao governo americano.

Segurança Pública

A principal proposta de Haddad para a segurança é a criação de um gabinete, presidido por ele. Este gabinete integraria as polícias estaduais, a Polícia Federal, órgãos federais como a Receita Federal e o Coaf, e os Ministérios Públicos federal e estadual.

Sobre o tema da segurança, os entrevistadores mencionaram a suspeita de ligações do vereador de São Paulo, Senival Moura (PT), com o PCC. O político passou 40 dias preso por essa acusação. Haddad afirmou que "nunca mexemos um dedo" para proteger "quem quer que seja" e defendeu a investigação e eventual prisão do petista, se for o caso.

O candidato, no entanto, alertou contra a "falsa simetria". Ele citou o caso do comandante da Polícia Militar de São Paulo na gestão Tarcísio, que foi substituído após ser acusado de omissão em um caso de corrupção de policiais pelo PCC. "Outra coisa é você afastar o comandante da Polícia Militar e anunciar que ele foi afastado por relevantes serviços prestados", disse Haddad.

Ele também mencionou Flávio Bolsonaro como exemplo de "falsa simetria". O candidato do PL à Presidência, segundo Haddad, não consegue explicar a visita ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outros casos. Entre eles, o preço pago por uma mansão no Lago Sul de Brasília e as denúncias de "rachadinha" em seu gabinete quando era deputado estadual.

Saúde, Economia e Dívida Pública

Haddad falou em melhorar a gestão na saúde para acabar com as filas para consultas, exames e procedimentos. Ele afirmou que a situação das contas públicas paulistas é a pior desde os anos 1990. O petista defendeu que a população seja consultada sobre o que fazer com o ecossistema das casas de apostas, as chamadas bets.

"Chegou um momento do povo brasileiro poder julgar o que é melhor para o País", disse Haddad. "Depois de quatro anos sem nenhuma regulamentação, criamos um problema que deveria ser submetido à opinião pública, deveríamos dialogar com a opinião pública sobre a conveniência ou não de manter esse ecossistema", explicou o candidato.

Repasses a São Paulo e Dívida Pública

Haddad disse que a demora do Ministério da Fazenda em liberar aval para empréstimos do governo de São Paulo, nas gestões Lula e Tarcísio, relaciona-se ao volume de recursos. Levantamento feito pelo Estadão mostrou que, desde 2023, os pedidos do governo paulista levaram quase três vezes mais tempo para serem liberados do que os demais estados.

"Nós botamos quatro vezes mais dinheiro aqui que o Bolsonaro colocou no governo Doria. Nós viabilizamos todas as obras do governo do Estado", justificou. Questionado sobre um empréstimo de R$ 2 bilhões do governo do Piauí, liberado em apenas dois dias, acrescentou: "Tem muitos Estados que não têm endividamento. Não tem quase análise para fazer. São Paulo deve muito".

O candidato do PT afirmou que o atual patamar da dívida pública federal não preocupa quando comparado com outros países. Ele disse que o problema atual é a dinâmica da dívida. "Com juros reais de quase 10%, ou que seja 8%, não tem superávit primário que dê conta da dinâmica da dívida", afirmou Haddad.

Ele afirmou que o governo Lula tomou a primeira providência nesta segunda-feira, 31. Enviou o orçamento de 2027 para o Congresso Nacional com previsão de superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões. "Isso em si já vai ter um impacto importante no mercado", avaliou o ex-ministro da Fazenda.

Segundo Haddad, a taxa de juros básica da economia, atualmente em 14%, está em um "patamar inadequado". O atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi indicado por Lula. Cabe ao BC definir o nível da taxa. "O Banco Central tem autonomia prevista em lei. Eu não estou entrando nesse mérito, estou fazendo uma avaliação do que eu acho que tem de ser a política monetária", acrescentou Haddad.

Sucessão Política

Cotado para ser um dos sucessores políticos de Lula, que chegará com 84 anos na próxima eleição, em 2030, Haddad evitou se colocar como alternativa. Ele disse apenas que a sucessão será "complexa", porque não aparecerá um líder como o atual presidente. "O PT tem muitos quadros e novos vão surgir. O progressismo não vai acabar", finalizou Haddad.

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