Fundo de advogado e aliado de Eduardo Bolsonaro comprou casa em cidade em que ele vive nos EUA

Estadão Conteúdo

Um fundo ligado às empresas do advogado Paulo Calixto, responsável técnico pela imigração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro para os Estados Unidos, e gerido pelo ex-secretário nacional de Cultura André Porciuncula - um aliado de longa data da família Bolsonaro - comprou uma casa em fevereiro deste ano na cidade de Arlington (Texas). O município é o mesmo em que Eduardo vive.

A transação foi revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão em consulta a registros de imóveis no Texas e a dados compilados por imobiliárias locais. O responsável pela compra da casa em Arlington foi o fundo Mercury Legacy Trust, que aparece como um dos membros de uma empresa de gestão de capital pertencente a Calixto: a Calixsan Capital Management.

Procurado por meio de mensagem, Eduardo não respondeu até a publicação deste texto. Paulo Calixto foi contatado por meio de formulário eletrônico do seu escritório e não retornou. André Porciuncula afirmou que a questão "não tem nada a ver com Eduardo, fundo ou qualquer coisa relacionada ao filme ('Dark Horse')". "Eduardo nunca morou ou usou essa casa. Calixto foi apenas o advogado que montou a estrutura jurídica", afirmou o ex-secretário de Bolsonaro.

O Mercury Legacy Trust figura, no entanto, sob gestão de Porciúncula e uma mulher chamada Juliana Lima de Andrade. As informações estão disponíveis no documento de venda da casa. A transação do antigo proprietário para o fundo ligado a Calixto e sob gestão de Porciúncula foi efetivada no dia 27 de fevereiro deste ano. Juliana Lima de Andrade não foi encontrada pela reportagem, mas o espaço segue aberto para manifestação.

O valor estimado da casa oscila entre US$ 708 mil e US$ 789 mil, de acordo com uma imobiliária local que reúne informações imobiliárias a partir de bases de dados do Texas. A residência tem quatro quartos, três banheiros, cozinha, sala e duas vagas de estacionamento.

Pelas regras de imigração americanas, Eduardo não é autorizado a trabalhar. O ex-deputado cassado afirma manter a vida nos Estados Unidos, onde reside há mais de um ano, por meio de doações, especialmente do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Esse foi um dos motivos que gerou suspeita de que Eduardo poderia ter se beneficiado de repasses feitos por outras figuras no Brasil. O site Intercept Brasil revelou que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), cobrou e recebeu mais de US$ 61 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, preso por fraudes bilionárias por meio do Banco Master.

O dinheiro arrecadado com o dono do Master foi remetido ao fundo Havengate Devolpment Fund, que é administrado por Calixto - o advogado de imigração de Eduardo -, sob a alegação de custear o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Bolsonaro. Em nota, a produtora do filme, a Go Up Entertainment e o produtor executivo e deputado federal Mário Frias (PL-SP) negaram num primeiro momento terem recebido dinheiro de Vorcaro para bancar a produção. A Go Up não se manifestou novamente, mas Frias ajustou o discurso após contradizer Flávio.

A Polícia Federal (PF) vai investigar se os pagamentos de Vorcaro a pedido de Flávio foram repassados a Eduardo para bancar a sua estadia nos Estados Unidos. O ex-deputado se mudou para o País com o objetivo de fazer lobby para que as autoridades americanas pressionassem o Judiciário e o governo brasileiro contra a prisão de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e pela anistia aos envolvidos na trama golpista.

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