Em ato na Alesp, Tarcísio chama Flávio de futuro presidente' e reforça aproximação para 2026
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participaram nesta sexta-feira, 27, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), de sessão solene em homenagem ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O evento marcou a primeira aparição pública conjunta de Tarcísio e Flávio desde o lançamento da pré-candidatura do senador ao Planalto e funcionou como um gesto de aproximação política.
Durante o discurso, Tarcísio se referiu a Flávio como "futuro presidente do Brasil" e afirmou que os dois tiveram um "excelente papo sobre o Brasil" na manhã desta sexta-feira, em referência ao encontro reservado no Palácio dos Bandeirantes antes da cerimônia. "Flávio será capaz de unir todos num projeto convergente", completou.
Na sequência, o senador retribuiu as declarações e afirmou que "estava aguardando o momento de estar ao lado do governador Tarcísio". "É o momento mais importante das nossas vidas para os próximos 40 anos", acrescentou, ao defender a construção de um projeto comum.
Tanto o café no Bandeirantes, quanto a aparição conjunta na Alesp foram tratados por aliados como movimentos para reduzir ruídos e demonstrar coordenação, após cobranças sobre o grau de envolvimento de Tarcísio na pré-campanha presidencial do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Logo após o café da manhã, o senador publicou uma foto dos dois nas redes sociais, e ambos seguiram juntos para a Alesp.
Toda a movimentação desta sexta-feira ocorre depois de meses de cautela por parte de Tarcísio, desde o anúncio da pré-candidatura do senador, no início de dezembro do ano passado. De saída, o governador evitou declarações enfáticas de apoio e manteve o discurso de foco na gestão estadual, postura que gerou incômodo entre bolsonaristas que esperavam adesão mais direta.
A agenda desta sexta-feira teve como pano de fundo uma sessão solene na Alesp em homenagem ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que recebeu o Colar de Honra ao Mérito, uma das principais honrarias do Legislativo paulista. A iniciativa partiu do presidente da Casa, André do Prado, aliado de Valdemar e que tenta se cacifar como vice na chapa do governador de São Paulo.
Disputa pela vice
É justamente essa disputa que permeia as articulações no plano estadual. A principal frente de negociação é a composição da chapa à reeleição. André do Prado ganhou força como opção para a vice, com respaldo de Valdemar.
O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), ligado a Gilberto Kassab, ainda articula sua permanência no cargo, caso Tarcísio dispute a reeleição em outubro. A definição tornou-se peça-chave na relação entre Republicanos, PL e PSD e funciona como termômetro da influência que cada legenda pretende exercer em um eventual segundo mandato de Tarcísio.
O embate ficou explícito na última quarta-feira, 24, quando Tarcísio afirmou que "não existe esse negócio de direito do partido" na escolha do vice. A declaração foi uma resposta à fala de Valdemar, que havia dito considerar um "direito" do PL reivindicar a vaga e classificou Prado como um "ótimo nome" para a função.
Como mostrou o Estadão, aliados do governador avaliam que a pressão pública do PL pode surtir efeito contrário e dificultar a consolidação de Prado. Parte da própria legenda compartilha dessa leitura e defende reduzir cobranças ostensivas, apostando em articulação nos bastidores sob o argumento de que Tarcísio tende a endurecer quando se sente pressionado.
Nesse contexto, a presença de Flávio na Alesp também foi interpretada como gesto de prestígio a André do Prado e a Valdemar. Anotações feitas pelo senador em reunião com dirigentes do partido indicam que ele discutiu a possibilidade de o presidente da Assembleia integrar a chapa como vice.
Ao lado do nome de Prado, escreveu "vice?". Em referência a Ramuth, registrou apenas um cifrão. O site Metrópoles publicou que o vice-governador é investigado em Andorra sob suspeita de lavagem de dinheiro, informação classificada por Tarcísio como "fofoca".
Vaga no Senado
Flávio Bolsonaro afirmou ainda que pretende ouvir a opinião de Tarcísio sobre a vaga ao Senado em São Paulo. Segundo o senador, o entendimento é que caberá ao governador indicar um nome para a disputa. O escolhido de Tarcísio é o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), ex-secretário de Segurança Pública. A segunda vaga deve ficar com o PL, na cota da família Bolsonaro, conforme acordo entre o ex-presidente e o governador.
Flávio reforçou que decisões estratégicas sobre sua eventual candidatura passam pelo ex-presidente. "Não há decisão que eu tome que não passe por Jair Bolsonaro", afirmou.
A solenidade também reuniu outras lideranças do campo conservador, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o senador Rogério Marinho (PL-RN), um dos principais articuladores da pré-campanha presidencial de Flávio. A presença de ambos reforçou o caráter político do ato e inseriu a cerimônia no contexto mais amplo das negociações nacionais da direita para 2026.
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