CNH Pai D’Égua já beneficiou mais de 4 mil mães atípicas no Pará com habilitação gratuita
Programa do Governo do Pará oferece habilitação gratuita para mulheres com filhos neuroatípicos e busca facilitar deslocamentos para terapias, escola e ampliar oportunidades de renda
Mais de quatro mil mães atípicas já foram beneficiadas no Pará por uma edição especial do programa CNH Pai D'Égua, iniciativa do Governo do Pará que garante gratuidade no processo para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A ação tem como objetivo facilitar o deslocamento de crianças com deficiência para consultas, terapias e escola, além de ampliar oportunidades de emprego e geração de renda para mulheres em todo o Estado.
A iniciativa é coordenada pelo Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran) e integra as políticas públicas voltadas à inclusão social e ao apoio às famílias que convivem com crianças e adolescentes que necessitam de cuidados contínuos.
Segundo a diretora-geral do Detran, Renata Coelho, o programa busca reconhecer os desafios enfrentados diariamente por essas mulheres e oferecer mais autonomia por meio do acesso à habilitação.
“Com o CNH Pai D’égua, reafirmamos nosso compromisso com a inclusão social ao olhar de forma sensível para as mães atípicas, que enfrentam desafios diários no cuidado com seus filhos. Garantir o acesso à habilitação é promover autonomia, dignidade e mais oportunidades para que essas mulheres possam se deslocar com segurança e exercer plenamente sua cidadania”, destacou.
Mais autonomia e novas oportunidades
A cabeleireira Daciani Barbosa, de 34 anos, é uma das beneficiadas pelo programa. Ela conta que conquistar a habilitação era um dos principais objetivos após a maternidade, especialmente para facilitar o deslocamento com o filho.
“Depois de obter a minha carteira, me tornei uma mulher mais segura de si e vi que sou capaz de ir além dos meus medos e traumas. Vou buscar oportunidades profissionais como motorista e creio que coisas melhores virão”, afirmou.
Nesta edição do programa, o público-alvo são mães com filhos neuroatípicos — crianças ou adolescentes com deficiência física ou intelectual, síndromes raras, transtornos neurológicos, distúrbios do espectro autista ou doenças crônicas que exigem cuidados especializados.
Para participar, além dos documentos pessoais, é necessário apresentar laudo médico do filho com diagnóstico e o respectivo Código Internacional de Doenças (CID), emitido por profissional do Sistema Único de Saúde (SUS).
Rotina mais tranquila
Moradora de Marituba, na Região Metropolitana de Belém, a dona de casa Bianca Gaspar, de 35 anos, afirma que a habilitação representa uma mudança significativa na rotina da família.
“A nossa rotina será muito mais tranquila a partir de agora. A CNH foi um grande passo nas nossas vidas, considero uma conquista”, disse.
Já Márcia Dias, de 32 anos, que vive em Belém, destaca que um dos maiores desafios enfrentados pelas mães atípicas é o deslocamento em transporte coletivo com os filhos.
“Infelizmente ainda vivemos com o preconceito, muitas pessoas não querem dar o lugar que é deles por direito. Estou na etapa final do processo e, assim que finalizar, poderei dar mais suporte e conforto para os meus filhos”, relatou.
Expansão para municípios do interior
Em janeiro de 2026, o programa disponibilizou 600 vagas específicas para mães atípicas nas regiões Sul e Sudeste do Pará. A ação contemplou 16 municípios, entre eles Marabá, Parauapebas, Redenção, Xinguara, Canaã dos Carajás e São Félix do Xingu.
Também foram incluídas cidades como Rondon do Pará, Tucumã, Conceição do Araguaia, Curionópolis, Eldorado dos Carajás, Jacundá, Ourilândia do Norte, Santana do Araguaia, São Geraldo do Araguaia e Itupiranga.
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