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Bolsonaro admite não ter provas de fraude nas eleições, apenas indícios

"O crime só se desvenda com vários indícios", alegou o presidente

Thiago Vilarins, da Sucursal de Brasília (DF) / O Liberal

Em transmissão ao vivo na noite desta nesta quinta-feira (29), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) admitiu que não tem provas sobre supostas fraudes em urnas eletrônicas, a despeito do que vem afirmando há mais de um ano. Na semana passada, ele havia dito que, em apresentação pública, mostraria a comprovação do que defendia. Contudo, durante o evento, ele comentou que "não tem como se comprovar que as eleições não foram ou foram fraudadas".

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O presidente afirmou, apenas, ter "vários indícios de irregularidades" ainda em "fase de aprofundamento". "O crime só se desvenda com vários indícios, e eu vou apresentar vários aqui", alegou. "Alguns em fase de análise, outros extraídos da própria imprensa brasileira e outros também de pessoas que no dia das eleições foram votar e o nome do seu candidato não apareceu na tela. Por incrível que pareça as reclamações só tinham uma mão, queriam votar no 17 e aparecia nulo ou automaticamente o 13. Quem queria votar no 13 não aparecia 17 e nem nulo. Então, são indícios e mais indícios", acrescentou.

Por diversas vezes, Bolsonaro reforçou que "as provas você só consegue com uma somatória de indícios". "Apresentamos um montão de indícios aqui. Outros, com certeza, aparecerão. Vocês da mídia foram testemunhas nas últimas e outras eleições que muita gente tentou votar no seu candidato e não conseguiu. Quando tentaram votar em mim em 2018, aparecia o 13, ninguém reclamou que queria votar no 13 e apareceu o 17. Então, é algo que desperta e nos mostra mais indícios fortíssimos de possível aparelhamento da coluna vertebral dos responsáveis pela confecção e disparo das eleições"”

Bolsonaro apresentou vários vídeos publicados na internet de eleitores reclamando que a urna não registrava corretamente os votos e também de um desenvolvedor de sistemas simulando uma urna eletrônica virtual, na qual ele programava o aparelho para fraudar votos a favor de um candidato fictício. Também foram apresentadas reportagens jornalísticas de 2008 e 2012 sobre denúncias de irregularidade nas eleições municipais de Caxias (RS).

"Não pode os mesmos caras que tiraram o outro da cadeia contarem os votos", defendeu o presidente, sem se referir nominalmente ao ex-presidente Lula, nos primeiros 40 minutos da transmissão ao vivo, na qual ele, sozinho, discursou e disparou ataques a governadores, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), imprensa, petistas e, até mesmo, aos governos da Argentina, Cuba e Venezuela.

Em tom de campanha, Bolsonaro priorizou críticas ao pré-candidato petista e, em especial, o ministro do STF e presidente do TSE, Luis Roberto Barroso. Ele chegou a alegar que "parece que tem interesse pessoal do presidente do TSE" em relação a não utilização do voto impresso e que Barroso "quer eleição", mas "quer impor um nome",  sem citar Lula nominalmente.

Ele defendeu a implementação de um voto auditável a partir do ano que vem, por afirmar que a urna eletrônica, por si só, não é segura o suficiente para registrar os votos. "Onde quer chegar este homem que atualmente preside o Tribunal Superior Eleitoral e que quer a inquietação do povo? Quer que movimentos surjam no futuro que não condizem com a democracia?", questionou. Em outros momentos, o presidente alegou que os votos seriam contados "numa sala secreta no TSE" pelas "mesmas pessoas que tiraram o Lula da cadeia."

No entanto, o TSE promove a contagem de votos em eventos abertos à imprensa e a decisão que tornou Lula elegível novamente e de tirá-lo da cadeia foram proferidas pelo STF, e não o TSE. Apenas três ministros do STF compõem, de maneira alternada, o TSE.

Bolsonaro comentou ainda que aceitará ser derrotado nas eleições do ano que vem, desde que o sistema eleitoral seja modificado. "Ganhe quem ganhar ano que vem, mas vamos atender a vontade popular. Se as escolhas forem erradas, que se pague. Mas se for na suspeição, o preço vai ser mais caro ainda. Ganhe quem for, mas de forma democrática, com voto democrático, com urnas confiáveis, é isso que precisamos no Brasil", disse.

Ele ainda reclamou da "interferência" de Barroso no Congresso Nacional, que discute uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para adotar o voto impresso no ano que vem. Segundo Bolsonaro, o ministro teria induzido líderes de partido com representação na comissão especial da Câmara que discute o tema a trocar os parlamentares do colegiado para impedir a aprovação da PEC.

"Por que a ferocidade do presidente do TSE em não querer discutir, em não querer falar sobre uma contagem pública de votos ou sobre uma forma de auditá-los? Não vamos nos prender à vontade de um homem apenas, que interfere no Poder Legislativo. O que está em jogo é mais que nossa vida, é nossa liberdade. Não podemos aceitar na mão grande, no poder da força de alguns, alguém assumir o timão desse país e levá-lo para o caos", ponderou o presidente.

Fraudes em 2014

Bolsonaro voltou a falar das eleições ao Palácio do Planalto de 2014. Ele afirma que o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) deveria ter sido o vencedor, e não Dilma Rousseff (PT). Para o presidente, o fato de os dois terem alternado a liderança do pleito 241 vezes durante a apuração dos votos é um dos indícios mais fortes de fraude. "Isso é a mesma coisa de, em quatro horas de apuração, 240 minutos, 240 vezes, jogar uma moeda para cima e, ora dar cara, ora dar coroa. Equivale a, aproximadamente, você ganhar, de forma consecutiva, seis vezes na Mega-Sena. Pode acontecer, mas a probabilidade se aproxima de zero", comparou.

Ele anunciou, então, que mandou para investigação da Polícia Federal esse suposto padrão de fraude. No entanto, naquela ocasião, Aécio Neves (PSDB), reconheceu a derrota. Caberá ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandada por Anderson Torres, produzir um laudo sobre esta questão.

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