Moraes manda PF investigar Flávio Bolsonaro por suposta 'calúnia' contra Lula
Ministro do STF determinou a abertura de um inquérito contra o senador
O Supremo Tribunal Federal (STF) ordenou a abertura de um inquérito contra o senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ), principal adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de outubro, por uma publicação nas redes sociais na qual associou o presidente a tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e fraude eleitoral.
Segundo o documento judicial, obtido pela AFP nesta quarta-feira, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal investigue se o senador, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), cometeu o crime de "calúnia" contra Lula na publicação, feita em 3 de janeiro após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
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Na publicação, Flávio Bolsonaro associou uma imagem de Lula à do então presidente venezuelano e a acompanhou com o texto: "Lula será delatado", vinculando-o a "tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas".
Moraes ordenou "a instauração de inquérito em face de Flávio Nantes Bolsonaro, para apuração da suposta prática do crime de calúnia", conforme definido no Código Penal, de acordo com o documento.
A abertura do inquérito foi solicitada pelo Ministério da Justiça e teve o aval da Procuradoria-Geral da República, que considerou que a publicação "atribui falsamente, de maneira pública e vexatória, fatos delituosos ao Presidente da República".
A Polícia Federal terá 60 dias para realizar as diligências iniciais.
Flávio Bolsonaro, de 44 anos, emergiu como a principal figura da direita brasileira após ser designado herdeiro político pelo pai, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e inelegível para cargos públicos.
Segundo dados da empresa de pesquisas Genial/Quaest divulgados nesta quarta-feira, Flávio ultrapassa Lula, de 80 anos, em um eventual segundo turno nas eleições de outubro, por 42% a 40%.