Polícia investiga suspeita de estelionato envolvendo buffet para casamento em Marituba
Pelo menos 24 pessoas relatam prejuízos em grupo de WhatsApp; uma das denunciantes afirma ter pago R$ 2 mil pelo serviço, enquanto outra relata perda de R$ 2,5 mil
A Polícia Civil investiga uma denúncia de possível estelionato envolvendo a proprietária de um buffet para casamento em Marituba, na Região Metropolitana de Belém. Um grupo de WhatsApp criado por pessoas que afirmam ter sido prejudicadas reúne pelo menos 24 integrantes. Em nota, mas sem entrar em detalhes, a Polícia Civil informa que o inquérito policial instaurado na Seccional de Marituba para apurar as ocorrências foi concluído e remetido à Justiça.
Uma das vítimas é a assistente de controle de qualidade Yasmin Cristine de Moraes de Matos, de 21 anos. Ela registrou um Boletim de Ocorrência (BO) no dia 13 de agosto, na Delegacia de Decouville, naquele município, e denunciou Cyrlene Moraes da Silva, proprietária do Buffet Cyrlene. Segundo o relato feito à Polícia Civil, Yasmin havia contratado o serviço de buffet de casamento no dia 1º de novembro de 2026, em uma chácara em Marituba. O contrato foi assinado pelas duas partes em 9 de junho.
O documento estabelece que o buffet seria responsável pelo atendimento de 60 pessoas, com evento previsto para ocorrer das 17h30 às 21h30. O valor contratado foi de R$ 2 mil, que deveria ser pago à vista por meio de Pix. Segundo Yasmin informou no BO, ela realizou duas transferências de R$ 1 mil cada.
No contrato, o serviço incluía buffet completo, com entrada, jantar, sobremesas, bebidas, louças e equipe de garçons. O documento também previa que a contratada assumiria a responsabilidade pela realização do serviço no evento. Ainda conforme o contrato, em caso de rescisão, a parte que infringisse o acordo ficaria sujeita ao pagamento de multa correspondente a 50% do valor total do contrato. O documento também previa uma exceção em casos de morte ou doença que pudessem adiar o evento, com possibilidade de remarcação para uma nova data.
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Cancelamento
Ainda segundo Yasmin, no dia 12 de agosto, menos de três meses antes da data prevista para o evento, Cyrlene informou por meio de uma mensagem de WhatsApp que não poderia mais realizar o serviço. “Não vai dar para eu realizar seu evento, pois estou passando problema financeiro”, escreveu a proprietária do buffet, segundo o relato apresentado pela contratante. Na sequência, Yasmin respondeu que entendia a situação, mas pediu a devolução do dinheiro para que pudesse procurar outro fornecedor.
“Bom dia. Sem problemas, eu entendo. Que Deus possa restaurar sua saúde, eu só peço que a senhora encaminhe o dinheiro, que vou procurar outra pessoa”, escreveu Yasmin, conforme o histórico de mensagens apresentado. Ainda no mesmo dia, ela voltou a cobrar o reembolso. “Eu vou precisar do dinheiro para entrar em contato com outro fornecedor”, afirmou.
No dia seguinte, 13 de agosto, Yasmin voltou a enviar mensagem para a responsável pelo buffet. Em 14 de agosto, reforçou o pedido de devolução do valor pago. “Bom dia. Faltam menos de dois meses pro meu evento, preciso do reembolso, pois, quando você pediu o dinheiro, eu paguei na data certa e você mesma disse que não ia deixar de realizar meu evento”, escreveu. Segundo Yasmin, as mensagens mais recentes eram visualizadas pela contratada, mas não havia resposta. Posteriormente, ainda conforme a denunciante, Cyrlene teria apagado o número de telefone.
Contratação
As mensagens anteriores à comunicação do cancelamento mostram que as duas mantinham contato sobre os preparativos do evento. Em 9 de junho, por exemplo, Yasmin perguntou sobre o valor e a forma de pagamento. Na conversa, a responsável pelo buffet informou que o serviço para 60 pessoas ficaria em R$ 2 mil à vista e afirmou que aproveitaria para preparar o contrato.
No dia seguinte, Cyrlene enviou o cardápio para Yasmin. Em uma das mensagens, a responsável pelo buffet afirmou: “Eu vou dar o meu melhor no seu buffet de casamento”. O contrato assinado em 9 de junho detalhava os serviços que deveriam ser oferecidos no evento, incluindo churrasco gaúcho, entradas, jantar, sobremesas, bebidas, louças e equipe. Entre os itens previstos estavam salgados e estrogonofe de carne na entrada; peru à Califórnia, filé ao molho madeira, massa de camarão, arroz, farofa e salada no jantar; duas opções de sobremesa; refrigerantes, água e dois tipos de suco.
O documento também estabelecia que a contratada seria responsável pela contratação de garçons, garçonetes, copeiros e cozinheiros necessários para a realização do evento. Yasmin afirmou ainda que ficou sem o serviço contratado e sem a devolução dos R$ 2 mil pagos. Por causa disso, procurou a Polícia Civil e registrou a ocorrência por suspeita de estelionato.
Saúde mental
A dona de casa Lawane Silva, 27 anos, também é outra vítima. Ela fez BO. “Eu contratei os serviços da Cyrlene no dia 31 de julho para o meu casamento, que aconteceria no dia 26 de setembro”, disse. Era para 50 convidados. E o pagamento tinha que ser feito com antecedência para, supostamente, garantir a reserva para aquela data. “Como se tratava de alguém que só se ouvia elogios em relação ao trabalho dela, eu e meu noivo decidimos contratar. A minha tia que conhecia ela fez toda a intermediação de pagamento, pois, por conta do meu trabalho eu não tinha muitas folgas para sair”, contou.
“Ela então foi a casa da minha tia para entregar o contrato e a minha me repassou logo depois, assinei e minha tia me repassou o contato dela para mandar a foto do contrato para a Cyrlene, assim foi feito”, disse. “Quando foi no dia 12 de agosto ela mandou um áudio dizendo que não faria o evento pois alegou que precisava cuidar da saúde mental dela. Desde então ela sumiu e o número que ela usava foi banido do WhatsApp, não tive mais retorno de nada. Meu prejuízo foi de R$ 2.500”, completou. A reportagem não conseguiu localizar Cyrlene Moraes, mas o espaço segue aberto para que ela apresente sua versão. Até o fechamento desta edição, não havia informação sobre eventual devolução do dinheiro ou sobre a apresentação de uma nova proposta para realização do evento.
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