Xingu, filhote de onça-pintada, completa seis meses no BioParque, em Parauapebas

Animal inicia adaptação gradual em recinto maior e será apresentado ao público em julho

O Liberal
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O filhote de onça-pintada Xingu, do BioParque Vale Amazônia, em Parauabepas, no sudeste paraense, completou seis meses de vida. O animal iniciou a adaptação gradual em um recinto maior, sendo acompanhado pela mãe, Marília, em momentos fora do horário de visitação pública. A expectativa é que o público possa conhecer Xingu e acompanhar parte de sua adaptação na segunda quinzena de julho, durante a programação de férias do parque.

Xingu é o sétimo filhote de onça-pintada a nascer na unidade. De genética de cerrado, ele é filho de Marília e Zezé, que já faziam parte do plantel do BioParque. Os pais da oncinha chegaram ao local vindos de Goiás.

A mãe, Marília, foi resgatada de um cativeiro ilegal. Seu pai, Zezé, nasceu em uma instituição em Goiás, sendo filho de pais também resgatados de cativeiro ilegal de animais silvestres.

Por terem sido retirados do habitat natural e mantidos sob influência humana, os pais de Xingu não podem ser reintroduzidos na natureza. Essa situação é comum em casos de apreensão, quando o animal perde habilidades essenciais para sobreviver em vida livre.

Atualmente, o casal, assim como Xingu, integra o plantel do parque. Eles ajudam a reforçar a importância do combate ao tráfico e da preservação da fauna junto ao público visitante.

Veterinário destaca marco da conservação

“O nascimento de Xingu é considerado um marco para a conservação da espécie. Aqui no BioParque é feito trabalho contínuo para garantir bem-estar físico e comportamental às espécies com condições adequadas para a sua reprodução e desenvolvimento”, explica Nereston de Camargo, veterinário do BioParque Vale Amazônia.

O profissional complementa que “agora ele chegou numa idade de aprendizados com a mãe. A ampliação do espaço permite que ele explore mais o ambiente e aprenda com a mãe etapas importantes, como nadar, escalar, correr e afiar as unhas nos troncos das árvores. Aos seis meses, ele está agora em adaptação ao recinto maior, em um processo gradual de crescimento e aprendizagem”.

Sete nascimentos em 12 anos

A gestação da onça-pintada dura entre três e quatro meses e, em geral, resulta no nascimento de até dois filhotes. Nos últimos doze anos, o BioParque Vale Amazônia contabiliza sete registros de nascimento:

  • Em 2014, nasceram Thor e Pandora (genética amazônica);
  • Dois anos depois, vieram ao mundo as irmãs Sheila e Leila (onças-pintadas melânicas de genética amazônica);
  • Em 2022, o parque celebrou o nascimento de um casal de filhotes, Rhudá e Rhuana (genética do cerrado);
  • Xingu é o sétimo, e o terceiro de genética do Cerrado.

“O nascimento de um animal ameaçado de extinção reforça a importância de projetos de conservação da biodiversidade no BioParque Vale Amazônia”, afirma Nereston de Camargo. “É motivo de orgulho ver que esse esforço responsável tem gerado resultados concretos para a conservação da fauna brasileira”, conclui o veterinário.

Ao atingir a fase adulta, a onça-pintada é o maior felino das Américas. Ela pode chegar a 1,90 metro de comprimento e 80 centímetros de altura, atingindo até 135 quilos.

BioParque: referência em conservação

Ao longo de 41 anos de história, o BioParque Vale Amazônia consolidou-se como um dos principais centros de pesquisa, conservação e educação sobre a fauna silvestre no Brasil.

O espaço já registrou nascimentos de diversas espécies ameaçadas de extinção. São elas: Ararajuba, Arara-Azul, Jacupiranga, Mutum-de-Penacho, Gavião-Real, Onça-Pintada (pelagem amarela e melânica), Onça-Parda, Queixada, Caititu, Guariba-de-mãos-ruivas e Anta.

Nos últimos anos, o parque também foi pioneiro no Brasil ao reproduzir uma harpia em exibição. Contribuiu, ainda, com o Programa de Reintrodução das Ararajubas em Belém.

Atualmente, o BioParque abriga cerca de 360 animais de 67 espécies da fauna silvestre. A lista inclui aves, mamíferos e répteis, com destaque para espécies raras ou ameaçadas de extinção.

Estrutura, parcerias e cuidados diários

O BioParque faz parte da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil (AZAB). Além disso, atua com os Planos Nacionais de Conservação de Espécies Ameaçadas (ICMBio), seguindo metas nacionais e internacionais voltadas à preservação da biodiversidade.

O espaço é parceiro de instituições governamentais como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Ele recebe animais oriundos de apreensões contra o tráfico de fauna silvestre.

Conta ainda com uma equipe especializada, formada por biólogos, veterinários, botânicos e analistas ambientais. O cuidado diário é outro destaque, com um time de tratadores dedicado à limpeza dos recintos e ao preparo da alimentação dos animais.

Por mês, cerca de uma tonelada de alimentos é preparada conforme a dieta especial de cada espécie. Os itens incluem frutas, carnes, peixes, ração e amêndoas.

Nome Xingu escolhido por votação

Após mobilizar pessoas em uma votação online, o BioParque Vale Amazônia anunciou o nome do filhote Xingu em 29 de março de 2026. A escolha foi revelada durante a programação que celebrou os 41 anos do parque, localizado na Serra dos Carajás, em Parauapebas.

Ao todo, a votação recebeu mais de 28 mil votos. Os nomes disponíveis tinham origem indígena e faziam referência a importantes rios da Amazônia.

O nome Xingu foi o mais votado, com mais de 56% dos votos. Em seguida, apareceram Solimões, com 27,7% dos votos, e Tapajós, com 16,3%.

Xingu é uma onça-pintada macho, com genética do Cerrado. Ele nasceu a partir de um programa de reprodução conduzido pela equipe técnica do parque.

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