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UFPA participa de estudo pioneiro sobre a doença de Parkinson na América Latina

Com a inserção de pessoas da Amazônia, a expectativa é aumentar o conhecimento acerca da doença

O Liberal

A Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do Instituto de Ciências da Saúde (ICS), participa do primeiro estudo genômico com doença de Parkinson em pessoas da América Latina. O Brasil colabora com mais de 400 participantes envolvidos na pesquisa. Sob coordenação do professor Bruno Lopes, da Faculdade de Medicina, o artigo mostrou que algumas áreas do genoma, mais comuns em pessoas do Peru, parecem estar mais relacionadas com o surgimento da doença. 

A publicação do estudo ocorreu na revista Annals of Neurology e no site Technology Networks. Faz parte dos resultados de uma iniciativa internacional chamada LARGE-PD (Latin-American Research Consortium on the Genetics of Parkinson's Disease), que tem como finalidade explorar a genética da doença na América Latina. O professor afirma que no artigo não há resultados de pessoas de Belém, mas o estudo continua e está recebendo amostras provenientes de estudos na UFPA. Em uma futura versão da análise, deverá contar com amostras de Belém. Trata-se de um estudo da associação genômica ampla (GWAS) sobre as causas genéticas da doença de Parkinson (DP).

“Estima-se que, para uma pessoa qualquer desenvolver DP durante a vida, 50% desta chance depende do ambiente (fatores alimentares, poluição, estressores emocionais, traumatismos, etc.) e 50% da genética de cada indivíduo. Isso porque todos nós, dentro do DNA, temos pequenas modificações chamadas polimorfismos. Em geral, estes polimorfismos não causam doenças, mas podem aumentar ou diminuir o risco de alguém ter diabetes, hipertensão e DP. Além disso, um polimorfismo geralmente não tem poder de modificar substancialmente a saúde de alguém, mas se você juntar todos os polimorfismos existentes em uma pessoa, aí sim isso pode determinar o surgimento de uma doença. No nosso caso, nós estamos fazendo o trabalho de olhar um número enorme de potenciais polimorfismos (cerca de 7 milhões) em cada pessoa, e determinar quais destas variantes genéticas estão mais associadas à doença”, explica Bruno Lopes.

Os estudos não são novos. O pioneirismo na pesquisa se deve a população analisada. Antes, quase todos eram feitos apenas em pessoas europeias caucasianas e do leste da Ásia, com pouca miscigenação.  “Isso, obviamente, exclui das análises pessoas com ascendência mista, como a maioria de nós, latino-americanos. Sendo assim, nada do que sabíamos sobre genética de DP se aplicava automaticamente em pessoas como eu. Talvez houvesse polimorfismos, comuns apenas em latinos, que os estudos anteriores de GWAS não teriam como detectar. Nosso estudo vem para preencher essa grave lacuna de conhecimento”, esclarece.

 

Próximas etapas

Bruno Lopes está envolvido no estudo desde 2010, quando fazia subespecialização em Distúrbios de Movimento na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.  Agora, o objetivo da pesquisa é recrutar cerca de mil pacientes com doença de Parkinson e outros 1000 indivíduos para controle no Brasil ao longo dos próximos anos. “Anteriormente, eu havia participado como colaborador nas análises dos participantes de Ribeirão Preto, mas agora tenho a oportunidade de enviar amostras de pacientes e controles aqui do Pará, sendo grande parte deles pessoas que acompanho no Ambulatório de Distúrbios de Movimento do Hospital Ophir Loyola”, diz o professor.

Com a inserção de pessoas da Amazônia, a expectativa é que aumente o grau de complexidade das análises. A contribuição étnica do Sudeste e Sul do Brasil (origem dos pacientes já analisados pelo LARGE-PD) tem baixa contribuição ameríndia, e mesmo nos outros países amazônicos que ajudaram (Peru e Colômbia) com o estudo, a origem dos participantes é de áreas mais distantes da Amazônia. “Também espero que, no Brasil e nos outros países, este estudo encoraje novos pesquisadores a se juntar ao nosso grupo. Todo esforço é importante para a busca de uma cura para esta desafiadora doença”, conclui o pesquisador.

(Karoline Caldeira, estagiária sob a supervisão de Victor Furtado, coordenador do Núcleo de Atualidades)

Pará
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