Pré-natal é arma contra cardiopatia congênita

Nesta quarta-feira (12) é celebrado o dia nacional de conscientização sobre o problema, que afeta milhares de recém-nascidos no país

Cleide Magalhães

Nesta quarta-feira (12) é celebrado o Dia Nacional de Conscientização da Cardiopatia Congênita. No Brasil, o registro de óbitos relacionados à cardiopatia congênita é de 107 casos para cada 100 mil nascidos vivos, ou seja, cerca de 8% das mortes neste segmento da população. Destes, aproximadamente 30% dos óbitos ocorrem no período neonatal precoce (0 a seis dias de vida), segundo dados do Ministério da Saúde.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), entretanto, afirma os dados são subestimados devido à falta de diagnóstico nos hospitais do País. As informações apontam ainda que no mundo, dos 52% de mortes na primeira infância (0 a 365 dias de vida), a cardiopatia é responsável por 40% dos defeitos congênitos, sendo uma das malformações mais frequentes e a de maior mortalidade.

Na data nacional de conscientização sobre a doença, a pediatra Camila Sozinho destaca a importância de as grávidas terem bom pré-natal para evitar e/ou corrigir o problema tendo diagnóstico precoce. "A cardiopatia congênita é a má formação cardíaca que está presente durante o desenvolvimento do feto. A forma de evitar é ter um pré-natal adequado com acesso à saúde básica com ultrassonografia detectando o coração, se está bem formado ou se tem alguma alteração. Se sim, logo depois da ultrassom morfológico, que é o exame de triagem, deve ser feito o exame de ecocardiograma fetal, ou ecofetal", afirma.

A advogada Valena Jacob, mãe do pequeno Davi Jacob Mesquita, que tem um ano e três meses, faz parte da Associação dos Pequenos Corações, que é uma ONG que realiza campanha sobre o tema pelas redes sociais, a fim de conscientizar e alertar a sociedade para o problema. Ela também destaca que o acesso ao exame ecofetal pode mudar a vida de muitas crianças.

"Como o ecofetal ainda não é protocolo (somente as morfológicas são), os médicos no Norte e Nordeste, principalmente, que cuidam do pré-natal não solicitam o exame. Então, queremos que as grávidas saibam da existência do ecofetal, feito a partir do sétimo mês, e solicitem a realização para o médico, além das morfológicas", enfatizou. 

Ele explicou que a ONG dá essa recomendação, pois, há casos em que, mesmo fazendo a morfológica, o problema não é verificado e a criança nasce com a cardiopatia congênita, tendo como exemplo sua própria história. "Eu fiz a morfológica e não deu nada. Só descobri o caso do meu filho com seis dias de vida. Ele nasceu com metade do coração. O certo mesmo é a grávida fazer também o ecofetal para evitar o problema, mesmo que não dê nada na ultrassom morfológico. Então, tive que consegui tratamento para o Davi por força de liminar na Justiça, para levá-lo para ser operado em São Paulo e conseguir sobreviver. Pela demora na cirurgia, ele ainda teve AVC hemorrágico e isquêmico e, como consequência, teve perda auditiva e motora direita. Caso descobrisse o caso na gravidez, ele teria nascido em São Paulo e logo recebido o atendimento adequado", disse Valena Jacob, mãe de Davi, que realiza fisioterapia respiratória e motora. 

O ecocardiograma fetal ou ecofetal é um exame especializado, que detecta todo o coração e o problema é verificado antes de o bebê nascer e se precisa de intervenção logo ao nascer. "Depois que nasce, repete o eco pós-natal para confirmar a doença. Caso a pessoa e o médico saibam antes do problema, já podem buscar acesso no atendimento e programar os procedimentos para o primeiro mês de vida, como cateterismo e cirurgia. Se a criança não tiver acesso ao tratamento no tempo certo, pode morrer. Então, o ideal é triar para descobrir antes e as chances de sobrevida aumentam", esclarece a pediatra da Fundação Hospital de Clínicas Gaspar Viana (FHCGV), referência em cardiopatia congênita no Pará.

A causa para a cardiopatia congênita inclui vários fatores que vão desde os ambientais, genéticos, uso de medicamentos e drogas, doença materna como o diabetes, lúpus e infecções como a rubéola e a sífilis que possam agir no momento de formação do coração fetal e ocorre nas primeiras oito semanas de gravidez.

Na FHCGV está disponível pelo Sistema único de Saúde (SUS) o pré-natal de alto risco com maternidade para mães com crianças cardiopatas. Além da disponibilidade de exames de ecofetal, eco pós-natal e o teste de oximetria de pulso (o "teste do coraçãozinho"), bem como o cateterismo intervencionista e cirurgias cardíacas. São oito leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) Cardiopediátricas e 10 leitos de UTI Neonatal. Na FHVGV são operadas entre três a quatro crianças por semana, informa a médica.

 

Pará
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