Mulheres que venceram o câncer se unem para alertar sobre prevenção

Em Barcarena, outras mulheres diagnosticadas com a doença se uniram para prevenir que novas pacientes chegassem a um estágio avançado do câncer de mama

Larissa Costa

Barcarena foi o primeiro município do estado do Pará a aderir a campanha Outubro Rosa, em 2009, um ano após o lançamento nacional do movimento que alerta mulheres sobre a importância do cuidado preventivo contra o câncer de mama. A precursora do movimento municipal é Aldenora Cravo, paciente que venceu a doença.

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A Professora Barcarenense abraçou o movimento como uma forma de desabafo diante do desafio que é encarar um tratamento contra a doença, prevenindo outras mulheres de passarem pela mesma luta enfrentada por ela. “O Outubro Rosa foi um grito de alerta que estava preso na minha garganta, porque nunca ninguém chegou pra mim e falou que eu era do grupo de risco por conta do sobrepeso, por nunca ter amamentado e todas as situações que poderiam me levar ao câncer. Ouvia falar que a mamografia só era depois dos 40, e não é.”, explica.

Aldenora transformou a dor em luta e encorajou outras mulheres a fazerem o mesmo. Durante o tratamento de quimioterapia a professora tomou conhecimento da mobilização internacional, por meio da filha que estudava Psicologia. “Ela encontrou o site da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) e chegou admirada, principalmente sobre as cores, as cores gritavam na tela do computador e eu ali pra baixo resolvi ver e fiquei encantada com a história do Outubro Rosa e falei pra ela que iria fazer em Barcarena”, contou.

Rosângela Martins: diagnóstico precoce foi fundamental para sua cura (Arquivo Pessoal)

Com iniciativa própria e apoio de familiares, amigos, setor público e privado, a Barcarenense, ainda em tratamento contra a doença, tomou as ruas  da cidade convidando todos a caminharem defendendo o tratamento preventivo. A caminhada rosa, chamava os moradores para enfeitarem suas casas e se unirem no mesmo propósito. Aldenora encabeçou a caminhada rosa durante dez anos em Barcarena e não para de contribuir com palestras e informações a quem necessitar. “A dona Cravo me tirou do chão, me ajudou de forma emocional, moral, espiritual e até financeiramente”, contou dona Lucileia Araujo 54, que passou pela cirurgia de retirada dos tumores há 4 anos.

Com 41 anos de idade, Aldenora enfrentou a luta contra o Câncer em 2007 quando descobriu três tumores na mama direita, em estado avançado. A professora conta que a doença não deu sinal algum e que apareceu de uma hora para outra. “Eu passei uma semana trabalhando em cima de um tcc, digitando. Nesse dia, 5 de dezembro, eu sai do computador e me estiquei foi quando senti uma fisgada no seio e logo percebi a mama direita inchada e enrijecida”, relembra.

Nove anos após a cirurgia que retirou os tumores malignos, a barcarenense aconselha todas as mulheres a fazerem o autoexame e procurarem acompanhamento médico: “Não espere quarenta anos pra fazer mamofrafia, porque o câncer não espera. Ele aparece em mulheres com 30, 20 anos, não escolhe cor, religião ou classe social”.

Luciléia Araújo tem eterna gratidão ao movimento criado por Aldenora (Arquivo Pessoal)

O tratamento contra o câncer é relatado por Aldenora como a parte mais difícil do tratamento: “O que mais mata é o tratamento. É muito doloroso! Muitas amigas desistiram e hoje não estão mais com a gente”, afirma a Pedagoga que pensou em desistir durante as quimioterapias. A corrida contra o tempo levou 17 dias a partir do momento que a paciente, na época, fizesse a cirurgia.

Em Barcarena, outras mulheres diagnosticadas com a doença se uniram para prevenir que novas pacientes chegassem a um estágio avançado da doença. “A gente que passa por essa experiencia do vale da sombra da morte precisa ajudar outras mulheres”, comenta Claúdia Furtado, diagnosticada com câncer em 2014. Cláudia também conta que hoje existe no município um grupo de pacientes oncológicas de mama chamado "Cuidando umas das outras", onde buscam se fortalecer com as próprias experiências. “É um renascimento de Fênix mesmo. A gente morre e renasce”, fala sobre vencer a doença.

Quando diagnosticado precocemente a chance de cura do câncer de mama chega a 95% segundo estudos. E por priorizar fazer os exames de rotina foi que Rosângela Martins, descobriu o câncer de mama na fase inicial, em 2021. “O diagnóstico precoce é difícil de acontecer, por isso que cerca de 75% dos diagnósticos acontecem em estágio avançado. Esse tipo de câncer é silencioso e praticamente assintomático no estágio inicial. Foi fundamental para o sucesso do tratamento eu ter sido diagnosticada na fase inicial”, explica a empreendedora de 50 anos.

Anualmente, em média 10 mulheres são diagnosticadas com a doença no município, de acordo com o Sistema Nacional de Notificações. Segundo o Coordenador Municipal de Atenção Primária, Adelson Soares, isso demonstra um diagnóstico de controle. “É feito um trabalho a nível nacional muito forte. Atenção Primária trabalha fortemente na educação à saúde e prevenção. Em muitos casos são diagnosticados ainda em fase inicial onde o tratamento acaba sendo mais efetivo e regredindo rápido, então a gente atribui esse quantitativo de números dentro de uma curva nacional que é esperada para o quantitativo populacional”, afirma.

Pará
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